Torcedor Gremista ZH

Sant'Ana foi corajoso e deixou uma marca na imprensa esportiva

Comunicador assumiu seu time do coração, em uma época que isso não era coisa muito simples de fazer.

Por: José Augusto Barros
20/07/2017 - 18h49min


Sant'Ana, em um dos momentos históricos: na conquista do Mundial Interclubes, em Tóquio, em 1983 Foto: Luiz ¿?vila / Agência RBS

Em uma coluna dedicada ao Tricolor, é obrigação abordar o (triste) assunto do dia: a morte de Paulo Sant'Ana. Atualmente, com todas as patrulhas existentes em redes sociais, e com um discurso politicamente correto, já é difícil que um jornalista que atue na crônica esportiva assuma seu time. Choverão comentários e bobagens do tipo "ele é parcial, disse tal coisa porque é gremista, criticou tal jogador porque é colorado". Imagine, então, assumir tal posição há 20, 30 ou 40 anos atrás, quando o mundo era outro, (ainda) mais preconceituoso e que o direito ao contraditório não era lá muito respeitado.

Pois foi nesta época que Paulo Sant'Ana fincou seu nome na história da imprensa brasileira, não só gaúcha. Além dos limites do Rio Mampituba, ele era respeitado por essa iniciativa de coragem, que não faltava a Sant'Ana. Mesmo que tivesse algumas atitudes um pouco esquisitas quando falava em futebol, ainda mais recentemente, ele sempre tratou o Colorado com respeito e sempre elevou o Grêmio em quaisquer das discussões que entrava- e não eram poucas.


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Obviamente, sou mais um guri que se criou lendo a Zero Hora de trás para frente, para começar por sua coluna, em uma época que o mestre escrevia predominantemente de futebol. Também estive presente em momentos históricos, como na histórica volta olímpica que ele deu na pista atlética do Estádio Olímpico, em 1996, antes da final do Campeonato Brasileiro daquele ano, incendiando a torcida em um dia histórico.

Sant'Ana escrevia colunas apaixonadas, ácidas, que mantinham o ímpeto jornalístico muito vivo, mesmo sendo tão apaixonado pelo Grêmio. Era um gremista fanático, mas não deixou que o fanatismo o cegasse, enxergava o futebol, a poesia e a vida como poucos.

Respeito o mestre pela genialidade de suas milhares de colunas e por suas tiradas geniais. Mas, principalmente, por sua coragem de assumir seu time, em um estado tão polarizado, e obter o respeito das duas torcidas. Grande, Sant'Ana. Em uma época do politicamente correto, fará falta. 

 
 
 
 
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