No vácuo dos grandes campeões

Campeão da F-3 inglesa, Matheus Leist traça planos para chegar à F-1

Piloto gaúcho repetiu feitos de ídolos como Fittipaldi, Piquet e Senna

Por: Vinicius Vaccaro
17/09/2016 - 09h00min | Atualizada em 17/09/2016 - 09h00min

Ainda há um longo caminho a percorrer, com trechos sinuosos e curvas perigosas pela frente. Mas se depender da confiança, da vontade e da determinação de Matheus Leist, além do talento e da maturidade incomum para quem ainda nem tirou carteira de habilitação, em breve os fãs gaúchos da velocidade terão um piloto para chamar de seu na Fórmula-1.

Com 18 anos recém-completados, o garoto de Novo Hamburgo tornou-se campeão da Fórmula-3 inglesa no último domingo. Trata-se de uma das categorias de base mais tradicionais do automobilismo, berço de pilotos do quilate de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna, o mítico trio que levou o Brasil ao topo do mundo da velocidade.

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É verdade que a F-3 na Inglaterra não ostenta o mesmo status dos tempos de Senna, no início dos anos 1980, uma época em que a futura lenda da F-1 já chamava a atenção de especialistas com apresentações antológicas em circuitos como Silverstone (apelidada de Silvastone em alusão ao último sobrenome de Ayrton) ou Brand Hatch. Atualmente, outras competições são apontadas como a antessala da principal categoria do automobilismo mundial, como GP3, GP2 e World Series. Mas ainda assim a F-3 é considerada uma respeitada escala na formação de pilotos. E, nela, Matheus passou com louvor no teste das pistas: em 2016, o gaúcho conquistou quatro vitórias e subiu 11 vezes ao pódio.

Piloto gaúcho conquistou quatro vitórias e somou 11 pódios na temporada com a equipe Double R Racing Foto: Jakob Ebrey / British F3,Divulgação

O título conquistado em autódromos europeus é o ponto alto de uma trajetória iniciada em uma despretensiosa brincadeira. Em 2006. Matheus e o irmão Arthur, três anos mais novo, foram levados pelo pai, Tobias Leist, a uma escolinha de kart em Tarumã. Empresário do setor calçadista e aficionado por carros, Tobias queria proporcionar aos filhos uma experiência que não teve a oportunidade de vivenciar na infância. Aos sete anos, o primogênito não demorou para despertar a atenção.

— Promoveram uma prova, e o Matheus se destacou, chegando em segundo lugar. Depois, começou a disputar corridas em São Paulo. Em um grid com 40 carros, sempre ficava entre os primeiros — lembra Tobias.

O pai destaca que o automobilismo começou a ser levado a sério pela família quando Matheus ganhou uma vaga em uma seletiva de kart, há dois anos. A premiação incluía uma visita à sede da Williams, na Inglaterra, e testes na Fórmula Renault, em Jerez de la Frontera, na Espanha. Sem nunca ter acelerado em um monoposto da categoria, o adolescente cravou voltas mais rápidas do que os pilotos oficiais da escuderia.

— O dono da equipe ficou impressionado com o desempenho do Matheus e pediu que ficássemos mais duas semanas lá — conta Tobias.

Uma das etapas seguintes na formação de carreira de Matheus foi a contratação de um coach, uma espécie de orientador para o rapaz. Com passagens na Fórmula-3 inglesa e atual piloto de Stock Car no currículo, Danilo Dirani, 33 anos, assumiu a tarefa há dois anos. Dirani se surpreendeu com a facilidade do piloto gaúcho de assimilar informações sobre o carro e pilotagem e aplicar na pista todos os ensinamentos. O conhecimento técnico e a capacidade de interpretar informações de telemetria (medição e análise de dados do carro) são considerados trunfos.

— Matheus tem talento e mentalidade de vencedor. Na minha avaliação, é o piloto júnior com mais potencial para chegar à Fórmula-1 — aposta Dirani, com a experiência de quem atravessou o Atlântico para disputar um espaço no competitivo automobilismo europeu.

Aos 12 anos, o piloto de Novo Hamburgo (à frente) já se destacava nas corridas de kart Foto: Dudu Leal / Divulgação

O que era um sonho de criança — sentar no cockpit de um carro de F-1 — já é vislumbrado por Matheus como um possibilidade real. Em um prazo de três anos, no máximo, ele quer dividir o mesmo grid de campeões como o inglês Lewis Hamilton e o alemão Sebastian Vettel ou revelações como Max Verstappen, o holandês da mesma geração do gaúcho.

— Seria precoce dizer que posso chegar à Fórmula-1 em 2018. Mas tudo depende dos meus resultados no ano que vem — acredita Matheus.

Para 2017, o piloto negocia um lugar no grid da GP3, o próximo passo rumo à sonhada vaga na F-1.

QUEM É
Nome: Matheus Tobias Leist
Cidade de nascimento: Novo Hamburgo
Idade: 18 anos (8/9/1998)
Altura: 1m78cm
Peso: 65kg
Time do coração: Inter

*ZHESPORTES


 
 
 
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