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Desavença pode ter motivado execução

Polícia suspeita de que assassinato de aposentado não esteja ligado ao tráfico de drogas na Capital

Por: José Luís Costa
09/04/2008 - 06h18min
Desavença pode ter motivado execução Adriana Franciosi/
Com a arma na mão direita, assassino corre depois de matar um homem e ferir outro na Vila Cruzeiro, em flagrante registrado pela fotógrafa Adriana Franciosi de dentro de carro de ZHgaleria de fotos  

Uma desavença seria o provável motivo da execução do marceneiro aposentado Alvise Makoski, 53 anos, na tarde de segunda-feira, na Vila Cruzeiro do Sul, em Porto Alegre.

Essa é a suspeita da polícia, depois de ouvir relatos na Vila Pedreira, uma área de casebres enfileirados entre becos onde Makoski morava e mantinha um bar. O aposentado foi atacado pelas costas quando caminhava ao lado do sobrinho, Jonatan Makoski, 18 anos, hospitalizado com ferimentos graves. O criminoso atirou na cabeça das vítimas e saiu correndo. A fuga do assassino foi flagrada pela repórter fotográfica Adriana Franciosi, de Zero Hora. Até ontem, o matador não havia sido identificado.

Na avaliação do delegado Rodrigo Bozzetto, da Delegacia de Homicídios, Makoski seria o alvo. O sobrinho foi atingido por ser testemunha. Conforme Bozzetto, Makoski era um homem de temperamento forte, que não levava desaforos para casa. Registros policiais revelam que o aposentado já se envolvera em brigas.

— Ele tinha um barzinho e pode ter tido algum tipo de desavença com um cliente — supôs o delegado.

Familiares não acreditam em vingança e falam em latrocínio (roubo com morte) pelo fato de ter sumido o celular de Makoski.

— A gente não sabe o que aconteceu. Ele pode ter reagido a um assalto. Meu pai era um homem bom, que não tinha inimigos, ia para o posto de saúde medir a pressão - lamentou, nervosa, a comerciária Rosemari Makoski, filha da vítima, durante o velório ontem no Cemitério São Miguel e Almas.

Sobrinho viajou à Capital em busca de uma vida nova

Ao ver a foto estampada na capa de Zero Hora e do Diário Gaúcho, Rosemari, os irmãos e parentes afirmaram não ter condições de reconhecer o criminoso.

— Não sabemos quem ele é. Queremos esquecer isso — disse Rosemari.

Em meio aos preparativos para o sepultamento, ocorrido às 17h, familiares rezavam por Jonatan, internado em estado grave no Hospital de Pronto Socorro. Nascido e criado em Erechim, o rapaz estava havia dois dias na casa de tios, em Porto Alegre, e pretendia se mudar à procura de emprego como pedreiro. Já havia vendido os poucos móveis que tinha em Erechim e viajou com a mãe, Jandira. A idéia era morar na casa de seu tio e padrinho, com quem mantinha relação afetiva mais forte e onde já havia passado os meses de férias há dois anos.

A mãe retornou, e Jonatan ficou na Capital. Tão logo soube do incidente, a mãe retornou a Porto Alegre para acompanhar o filho.

Para a polícia, a hipótese de assalto parece remota. O assassino foi visto com uma arma na cintura, caminhando a passos largos atrás de Makoski e de Jonatan. Ao se aproximar, sem dizer nada, o criminoso sacou a arma e disparou contra a nuca do aposentado. Em seguida, atirou contra a cabeça de Jonatan. Antes de fugir, ainda puxou mais duas vezes o gatilho da arma contra as vítimas caídas. Três homens aguardavam o matador em uma esquina.

Na Vila Pedreira, vigora a lei do silêncio. Procurados por ZH, vizinhos de Makoski disseram não conhecer o matador e pouco saber da vida do aposentado

*Colaborou Marielise Ferreira

 
 
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