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Expedição Jacuí: Entre fazendas, lendas e praias belíssimas

Maior desafio de empresários e ambientalistas é impedir a pesca predatória no local

04/05/2008 - 11h09min
Expedição Jacuí: Entre fazendas, lendas e praias belíssimas Emílio Pedroso/
Rio Pardo, 04/05/2008, 15º dia- Por entre fazendas, o Rio Jacuí esconde belas praias selvagens, que não sofreram com a ação predatória de lavouras ou dragasgaleria de fotos  
Rio Pardo não é só uma cidade de pomposos casarões da época colonial portuguesa, que parecem ter parado no tempo. Erigida às margens do Jacuí, é também local para desfrutar de algumas das últimas praias selvagens do rio - e que não sofreram com a ação predatória de lavouras ou dragas.

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Navegar em meio à fazendas bicentenárias da região é garimpar tesouros ambientais escondidos, como as ilhas próximas à barragem de Dom Marco, a 40 km da sede do município. Areias brancas rivalizam com enseadas pedregosas, povoadas de aves multicores, nas praias intocadas no município. Rio Pardo, como é dedutível, deve seu nome à cor amarronzada das águas do Jacuí em época de estiagem. Nada que contamine a beleza das paisagens locais.

Unir o roteiro urbano - pelas ruas de estilo lusitano e igrejas como a Matriz, erigida em 1779 - com as belezas naturais de Rio Pardo é o desafio que algumas pessoas do município se propõe. O ambientalista Flávio Wunderlich, por exemplo, montou um roteiro por fazendas e praias da região que pode reativar a vocação turística da cidade que já foi capital do Rio Grande do Sul.

Numa destas estâncias, de Nilton e Maurício Ardenghi, centenas de pescadores se reúnem nos fins-de-semana para expedições de pesca esportiva e exploração de trilhas. Os donos da estância disponibilizam cavalos e pôneis para crianças que visitam a região, ainda sem intuito comercial. Mas uma das idéias é incrementar a proposta com restaurante e hospedagem, ao estilo turismo rural.

O maior desafio de empresários e ambientalistas é impedir a pesca predatória. Zero Hora flagrou pescadores profissionais retirando redes colocadas na escada de peixes da represa Dom Marco, justamente o local onde os pintados e traíras tentam subir para se reproduzir. Crime cotidiano na região.

Rio Pardo é também marcada por uma das mais antigas histórias do Jacuí, a do Menino-Pirata ou Menino-Diabo. O personagem que deu origem à lenda está registrado na história oficial como Antônio Joaquim da Silva. Era um jovem navegador, que se tornou conhecido durante a Revolução Farroupilha pela crueldade com os inimigos. Conforme a pesquisadora Rosane Volpatto, ele teria se tornado capitão das forças republicanas e tomado Rio Pardo em 1836.

Usava um pequeno navio para aprisionar embarcações imperiais. Reza a lenda que, vencido numa batalha ao final da guerra (que durou de 1835 a 1845), o Menino-Pirata, antes de sumir de vez nas brumas da história, teria reunido num baú todas as jóias e moedas de ouro tomados dos inimigos e enterrado o tesouro numa das ilhas situadas em frente a Rio Pardo. Tesouro esse caçado durante décadas por aventureiros de todas as estirpes, sem sucesso. Pouco se sabe sobre o destino final do pirata mirim do Jacuí, mas dizem que o fantasma dele aparece aos barqueiros desprevenidos que passam pela região. A Expedição Jacuí não topou com ele. Por enquanto.

Confira a matéria completa da Expedição Jacuí em Zero Hora deste sábado

 
 
 
 
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