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Masturbação é essencial para a sexualidade feminina

Sozinha ou acompanhada, mulher tem que aprender a se dar prazer

26/08/2008 | 09h40
Masturbação é essencial para a sexualidade feminina Divulgação/
Masturbação é essencial para a sexualidade feminina Foto: Divulgação

A masturbação é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) uma das formas saudáveis de expressar a sexualidade. Mas, de acordo com o Instituto Brasileiro para Estudos da Sexualidade, para 48% das mulheres brasileiras a prática ainda é um tabu, mesmo sendo indicada por terapeutas sexuais como uma forma de conhecer melhor o corpo e, em um relacionamento estável, fortalecer os vínculos e a intimidade a dois.

Segundo dados do ginecologista Amaury Mendes Junior, especialista em terapia de casal, apenas 20% das mulheres têm coragem de se masturbar na frente do parceiro e metade se sente insegura quando percebe que ele não se sente satisfeito apenas com as relações sexuais.

– Sexo e masturbação são duas formas de atingir prazer, e só porque a pessoa está em um relacionamento estável e tem relações sexuais com freqüência não quer dizer que ela vai perder a vontade de se masturbar. A masturbação é instintiva do ser humano, assim como nos animais, e reprimir o parceiro porque ele quer sentir prazer sozinho de vez em quando é sinal de insegurança, baixa auto-estima e de falta de confiança em seu potencial sexual – avalia o ginecologista.

O terapeuta recomenda a masturbação – sozinha ou acompanhada – a mulheres que têm dificuldade de atingir o orgasmo. Um estudo feito pelo Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo (ProSex - USP) mostra que 35% das mulheres só conseguem chegar ao orgasmo com a masturbação. Além disso, extensas pesquisas feitas durante quase cinco décadas pelo Kinsey Institute for Research in Sex, nos Estados Unidos, apontaram que mulheres que se masturbam diminuem o tempo que levam para chegar ao orgasmo de 20 minutos para cerca de quatro ou cinco.

– Eles têm que entender que as carícias são muito importantes para as mulheres, homem que sempre goza primeiro é egoísta. Mas elas também precisam compreender que nem sempre vão suprir todos os desejos do parceiro – acredita.

A psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do ProSex, afirma que as mulheres estão mais interessadas quando o assunto é sexo e estão prestando mais atenção no que lhes dá ou não prazer, incluindo a masturbação.

– Hoje, 80% das mulheres tomam algum tipo de iniciativa na hora do sexo. Este número seria impensável há alguns anos – afirma a médica.

Papel na formação da sexualidade

A masturbação tem vários propósitos, acreditam especialistas. Amaury Mendes Junior explica que, na infância e na adolescência, a prática ajuda a preparar o indivíduo para o sexo, e que, nos adultos, além de aliviar tensões e estimular a vida sexual saudável, é uma maneira de perceber limites e desejos.

– Aprender sobre sexo é como subir uma escada. À medida que as mulheres vão conhecendo seu corpo, sentem-se mais seguras para experimentar. No consultório, percebo que as mulheres que se masturbam mais são as mais maduras, que já passaram por uma série de experiências sexuais e que sabem que precisam investir de forma mais ativa na obtenção do prazer – avalia.

Porém, a vergonha ainda é a maior inimiga delas, indicam pesquisas feitas pelos departamentos de enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria e da Universidade de São Paulo. Apesar de 52% das mulheres admitirem gostar de se masturbar, mais da metade delas diz que prefere fazer isso sozinha por causa da timidez. 

– As meninas são ensinadas, mesmo que de forma inconsciente, que a área genital é algo sujo e que se tocar é vergonhoso. Uma mulher que recebeu muito carinho na infância e teve uma boa experiência com o primeiro namorado provavelmente vai ser mais desencanada em relação ao assunto em comparação a uma que sofreu abusos, foi muito censurada pelos pais ou cresceu em um ambiente muito religioso – diz o ginecologista.

Ele sugere que os homens também dêem mais atenção à masturbação feminina. Para ele, as carícias mútuas feitas pelo casal aumentam o erotismo entre quatro paredes.

– O homem, muitas vezes, não sabe masturbar uma mulher. É a mão pesada, a unha que machuca, o excesso de aspereza da pele, a pressão para vê-la gozar... O ideal é que a mulher pegue a mão do homem e conduza a prática da forma que ela gosta. Um dos exercícios da terapia de casal, quando o sexo não vai bem, é estimular a masturbação a dois. A relação sexual é uma troca em que a excitação do parceiro é o suficiente para deixar o outro com mais desejo – completa.

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