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Philip Glass admite desânimo com a produção hollywoodiana

Músico opinou sobre cinema no Fronteiras do Pensamento

02/09/2008 - 02h07min
Philip Glass admite desânimo com a produção hollywoodiana Clleber Passus, divulgação /
Laurie Anderson e Philip Glass se encontraram após a palestra Foto: Clleber Passus, divulgação  
Philip Glass é um dos compositores mais influentes da música contemporânea, mas o assunto que prevaleceu durante a passagem do norte-americano por Porto Alegre, na noite desta segunda-feira, foi o cinema.

Glass admitiu o desânimo com a produção hollywoodiana. Em sua participação no seminário Fronteiras do Pensamento, ontem , Glass também falou de arte e música, intercalando trechos de suas composições interpretadas ao piano.

À tarde, em entrevista coletiva, o compositor, revelou por que, depois de assinar trilhas famosas, como as dos filmes O Show de Truman e As Horas, afastou-se do cinema:

— A principal mudança que observei nas últimas décadas foi no que se espera da arte. Nos anos 60, (Jean-Luc) Godard e (François) Truffaut tinham o conceito de cinema como algo autoral. Nos últimos 20 ou 30 anos, o cinema é controlado por produtores e estúdios. A primeira informação que lemos sobre um filme é a bilheteria que ele fez na semana de estréia.

Não é o caso, explicou Glass, de negar a importância da arte popular.

— Na Europa Ocidental, arte e entretenimento sempre coexistiram. Verdi e Puccini, por exemplo, eram populares. Mas hoje em dia até projetos artísticos financiados antecipadamente, que não visam lucro, são considerados apenas pela quantidade de público. Van Gogh não vendeu um único quadro em vida, e seu irmão era um marchand — exemplificou o compositor.
 
 
 
 
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