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Eutanásia de mulher que vegeta há 17 anos divide Itália

Eluana Englaro, de 37 anos, está em coma irreversível desde 1992

14/11/2008 - 14h49min | Atualizada em 14/11/2008 - 16h44min
Eutanásia de mulher que vegeta há 17 anos divide Itália  Arquivo pessoal, AP/
Tribunal autorizou supressão da alimentação de Eluana Englaro Foto: Arquivo pessoal, AP  
A decisão do Tribunal Supremo de autorizar a supressão da alimentação a Eluana Englaro, uma mulher de 37 anos que se encontra em estado vegetativo há 17, aprofunda a divisão sobre a eutanásia na sociedade italiana que, em muitos setores, exige uma legislação ao respeito.

Enquanto Giuseppe Englaro, pai de Eluana, levará discretamente sua filha a uma clínica em Udine (norte) para que se execute a decisão pela que lutava há uma década, Igreja Católica e cientistas, políticos conservadores e liberais, e o resto da opinião pública, mostram hoje as profundas divisões sobre o "direito a morrer".

As divergências inundam hoje as ruas italianas e os fóruns de discussão na internet, onde alguns expressam "solidariedade" com o pai de Eluana e uma vitória do "Estado de Direito" e outros acusam "violação da liberdade de uma pessoa que não se pode expressar". "Deixar de alimentar Eluana equivale a um homicídio, significa condená-la a um fim monstruoso (...). O direito à morte não existe, a vida é sagrada", expressou assim a posição da Igreja Católica o "ministro da Saúde" do Vaticano, cardeal Javier Lozano Barragán, em entrevista publicada hoje pelo jornal La Stampa.

No mesmo jornal, o ex-ministro da Saúde e oncologista Umberto Veronesi afirma que a sentença "é uma vitória dos princípios da Constituição e uma demonstração de valor e coerência dos juízes". Veronesi ponderou, entretanto, que o caso de Eluana não é "eutanásia" já que a paciente não pediu a interrupção da vida e aponta à necessidade, para que não se repitam tragédias como esta, de uma lei que preveja o testamento vital.

Alheias às polêmicas, as freiras que desde 1994 se ocupam de Eluana pediram hoje em uma nota que a deixem a seu cuidado na clínica de Lecco, próxima a Milão. "Há quem a considera morta, mas nós a sentimos viva", argumentam as religiosas.

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