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Corpo encontrado em Gravataí pode ser de mulher de traficante

Sandra Naira dos Anjos da Silva foi seqüestrada na Vila Dique, Zona Norte da Capital, em 5 de dezembro

18/12/2008 - 02h39min
Corpo encontrado em Gravataí pode ser de mulher de traficante Luiz Armando Vaz/
Polícia trabalhava no caso há 12 dias Foto: Luiz Armando Vaz  
Após 12 dias de investigações, policiais da 2ª Delegacia do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) encontraram um corpo dentro de um poço, em um sítio de Santa Tecla, área rural de Gravataí, na noite de ontem. O cadáver pode ser de Sandra Naira dos Anjos da Silva, 43 anos, viúva de Jaime Picerno Kersting, o Lampião.

Até as 23h de ontem, os policiais seguiam as buscas no local na tentativa de localizar outro cadáver, que seria do funcionário dela, José Oscar dos Santos, 41 anos. Os dois foram seqüestrados na casa de Sandra, na Vila Dique, Zona Norte da Capital, em 5 de dezembro.

— Investigando, chegamos a este sítio, onde os corpos estariam escondidos. Hoje (ontem), nos deparamos com o poço — conta o delegado Luis Fernando Martins Oliveira, que comandou as investigações.

O trabalho dos agentes se intensificou após a prisão do traficante Neri José Soares, o Nazareth, 29 anos, no dia 6, em Cachoeirinha. Ele seria o mandante do seqüestro e da execução de Sandra e de José. Por volta das 15h, os policiais chegaram ao sítio, a cerca de 7km da RS-118.

Os agentes começaram a escavar em um monte de caliça. Uma retroescavadeira teve que ser usada. Próximo das 18h, quando o buraco tinha cerca de 9m de profundidade, foi encontrado o corpo de uma mulher. Para resgatar o cadáver, um bombeiro desceu no buraco, com máscara e tubo de oxigênio.

A mulher estava com as mãos algemadas, amordaçada e com marcas de facadas no pescoço e no peito. Cerca de uma hora depois, roupas foram encontradas no buraco. Às 23h de ontem, os policiais tinham escavado mais de 14m, mas não havia sido localizado outro corpo.

Conforme Fernando, só exames da perícia podem confirmar se o cadáver é realmente de Sandra.

Patrão da droga foi preso

Considerado pela polícia como o maior traficante de maconha da Região Sul, Neri abastecia traficantes do Rio de Janeiro e também a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo. Conforme o Denarc, o traficante, que morava na fronteira com o Paraguai, arrendava fazendas no país vizinho para plantar maconha. A cada 15 dias, enviava cerca de uma tonelada da droga para o Rio e outra para São Paulo. Além disso, também abastecia os traficantes com armas pesadas, como fuzis AR-15 e metralhadoras antiaéreas.

Com Neri, foram presos seu irmão, Nei, e dois bandidos cariocas que estavam com as prisões decretadas. A dupla do Rio contou aos policiais gaúchos terem participado da captura de Sandra e José Oscar, mas alegaram ter entregue os dois a outros integrantes do bando que os teriam executado.

Seqüestro a mando do tráfico

Sandra e José foram seqüestrados no dia 5 de dezembro, por oito homens com toucas ninja e usando camisetas do Denarc, que se apresentaram como policiais. Depois que Sandra e José foram levados, a família dela foi ao Denarc e descobriu a farsa. Acreditando que Neri foi o mandante do crime, a polícia precipitou a prisão dele e dos comparsas, que já estavam sendo monitorados desde a entrada do traficante no Brasil, em 28 de novembro.

Na casa onde Nei José Soares, irmão de Neri, foi preso, os policiais encontraram duas alianças, com as iniciais de Sandra e de Lampião e um revólver calibre 38 registrado em nome dela e que foi levado pelos falsos policiais no dia do seqüestro.

Sítio em área habitada

O sítio em que o corpo de uma mulher foi localizado era freqüentado sempre a noite. Segundo moradores do local, quando escurecia, a movimentação de carros aumentava, especialmente carros escuros e caminhonetes.

Há cerca de um ano os antigos moradores deixaram o local. Desde então, o sítio está vazio. De vez em quando alguém aparece para checar se está tudo bem, mas ninguém pernoita no local. Há 30 dias a movimentação aumentou muito, especialmente a noite e, nas duas últimas semana, um Crossfox vermelho e um Vectra que estiveram no local chamaram a atenção dos moradores. Ouvidos pelo Diário Gaúcho eles dizem não ter visto ninguém suspeito nem terem ouvido barulho de gritos ou tiros.
 
 
 
 
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