Versão mobile

Polícia investiga conexão nacional do tráfico a partir do RS

Prisões revelam os esquemas de negócio com Estados como o Rio e com o PCC

26/12/2008 - 02h36min
A prisão de Neri José Soares, 29 anos, por agentes do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), em Cachoeirinha, no dia 6, revelou um esquema de tráfico de drogas com conexões na Vila Nazareth, na Capital, em Foz do Iguaçu, no Paraná, e na favela da Rocinha, no Rio. Neri, apontado como o maior traficante de maconha da Região Sul, estaria sendo investigado há pelo menos dois anos pelas polícias Civil e Federal do Rio de Janeiro.

Ele mandaria, a cada 15 dias, uma tonelada de maconha para a facção criminosa Amigos dos Amigos (Ada), que controla o tráfico na Rocinha, a maior favela da América Latina. O Primeiro Comando da Capital, (PCC) em São Paulo, também seria abastecido por Neri.

– Temos feito um trabalho para identificar com quem os traficantes cariocas se relacionam. Já verificamos vínculos entre traficantes de vários Estados, inclusive o Rio Grande do Sul – explica o subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, delegado Rivaldo Barbosa.

Em abril, a polícia carioca apreendeu um caminhão com 4,5 toneladas de maconha escondidas em uma carga de arroz. Em um fundo falso, estavam cinco escopetas calibre 12 e 50 caixas de munição. A droga apreendida, a maior quantidade dos últimos 12 anos no Rio, seguia de Foz do Iguaçu para a Rocinha e pertenceria a Neri. Na Polícia Federal, o traficante gaúcho estaria sendo investigado por tráfico internacional de armas. Do Paraguai, ele mandava fuzis AR-15 e metralhadoras antiaéreas para os traficantes cariocas.

Na semana passada, o delegado Fernando Oliveira, do Denarc, conversou com o delegado Marcus Vinícius de Almeida Braga, da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), responsável pela apreensão de abril. Marcus confirmou que a droga pertencia a um traficante do Sul.

O modo como as cargas eram enviadas, as armas, a prisão de dois criminosos cariocas em Cachoeirinha e grampos telefônicos reforçam a tese da polícia gaúcha de que Neri era o maior traficante gaúcho. Temido pelos rivais, ele cresceu na Vila Nazareth, na Zona Norte de Porto Alegre.

O pai foi um dos fundadores da comunidade e dá nome a uma das principais ruas da vila. Neri teria aprendido a traficar com Jaime Picerno Kersting, o Lampião. Segundo as investigações, começou como vapozeiro, passou a fazer viagens para buscar a droga e fez muitos contatos com os traficantes paraguaios. Quando Lampião foi preso, ele teria assumido parte dos negócios. Mudou-se para São Miguel do Iguaçu, no Paraná, onde tem um sítio. De lá, na fronteira com o Paraguai, ele tocaria seus negócios e teria arrendado fazendas no Paraguai para plantar maconha. Conforme a polícia, a droga era distribuída para a Região Sul, São Paulo, Rio e alguns Estados do Nordeste.

– O traficante mais poderoso do Estado é um gaúcho praticamente desconhecido por aqui – ressalta o delegado Fernando Oliveira.
 
 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.