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Vídeo na internet com cenas íntimas de crianças abala Ibirubá

Cenas de sexo entre menina e adolescente circulam em sites

18/03/2009 | 05h40
Um vídeo envolvendo uma criança e três adolescentes, divulgado pela internet, abalou Ibirubá, município de 18,6 mil habitantes, na região do Alto do Jacuí. Zero Hora não divulga o vídeo para proteger as crianças.

Registradas em um quarto, as cenas revelam momentos íntimos de uma menina de 11 anos e um garoto de 14 anos. Com eles, haveria pelo menos outros dois garotos: um de 13 anos, autor das imagens, e um de 14 anos, provavelmente filho do dono do imóvel. Integrantes de famílias de classe média baixa, eles nunca passaram no conselho tutelar local. Ontem pela manhã, humilhada com a repercussão, a família da criança deixou a cidade.

Fundada por agricultores de ascendência germânica, em 1954, Ibirubá é um típico município colonial. Pelas ruas limpas e organizadas, circulam moradores que se conhecem e se cumprimentam pelo nome. É justamente por isto que o vídeo divulgado na semana passada pela internet abalou tanto a rotina dos moradores.

Tudo começou com o encontro de uma criança e três adolescentes, na casa de um deles, provavelmente numa tarde de fevereiro. Enquanto dois garotos brincavam jogando videogame, a garota e um dos adolescentes foram para um quarto, onde foi feito o vídeo.

As imagens começaram a ser filmadas em um celular, que chegou a armazenar 12 minutos de cenas em sua memória. O vídeo foi enviado para outras pessoas, que repassaram a outros usuários, que reenviaram para mais outros, até tornar-se público na cidade. Mas o pior estava por vir: alguém resolveu postar o vídeo na internet.

Desde quarta-feira, quando o caso chegou ao conhecimento da delegacia da Polícia Civil, a vida dos três garotos, da menina e de suas famílias tornou-se quase insuportável, a ponto de uma delas deixar Ibirubá.

— Não dá para sair na rua que todo mundo fica apontando, cochichando ou rindo. A guria só chora dentro de casa. Começamos a receber bilhetes em baixo da porta com frases. É muita pressão. Nossa vida virou um inferno — conta o padrasto da menina, enquanto organizava os pertences em uma caçamba cedida pela prefeitura.

Sem saber como irá sustentar a família, o homem que obrigou-se a abandonar a cidade desabafa:

— Para que divulgar um vídeo de crianças? Fico impressionado com a maldade humana.

Igualmente constrangidos, pai, mãe e irmão do garoto de 14 anos que protagoniza as cenas com a garota chegaram a pensar em deixar a cidade. A família decidiu continuar em Ibirubá.

— As pessoas olham e te apontam. É muita vergonha. Mas será que vale a pena sair da cidade? Acho que não. Confio no meu filho, que é um piá carinhoso e de bom coração. Isso vai passar — fala a mãe do adolescente, incapaz de segurar lágrimas que escorrem pelo seu rosto.

“Inconsequência de crianças transformou-se em tragédia”
Para integrantes do conselho tutelar, a inconsequência transformou-se numa “tragédia”

— Eles não tinham noção do quanto iria repercutir — define uma conselheira tutelar, que, também pede para não ter o nome divulgado.

A história tornou-se pública na cidade na semana passada, quando uma rádio local abordou o assunto.

— Pelo que apuramos, não havia adultos no momento das filmagens. Mas queremos saber como e por que o vídeo foi divulgado. Se foi divulgado pelos adolescentes, eles serão responsabilizados pelo ato infracional — diz a delegada da Polícia Civil de Ibirubá, Diná Rosa Aroldi, que ouviu cerca de 10 pessoas.

Conforme a delegada, as imagens foram divulgadas por dois sites: um deles já teria retirado o vídeo, mas outro, cujo provedor é desconhecido, ainda estaria mantendo as cenas no ar.
 
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