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Conheça os perigos da escova progressiva para os cabelos

Formol enfraquece os fios e causa alergias respiratórias e cutâneas

03/04/2009 | 14h55
Conheça os perigos da escova progressiva para os cabelos divulgação sxc.hu  /
Estragos do formol vão além dos fios Foto: divulgação sxc.hu

Proibida novamente nos salões de beleza do Rio de Janeiro, a escova progressiva com formol virou queridinha das mulheres que querem fios lisos sem o aspecto artificial dos alisamentos tradicionais. Mas a substância pode trazer riscos à saúde, principalmente em quem aplica o produto, e a longo prazo enfraquece e quebra os cabelos.

Por isso, nada de tentar driblar a lei, afirmam especialistas. Apesar de ser usado como conservante na concentração de 0,2% em uma série de produtos de beleza com aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o formol é tóxico e não pode ser usado como alisante. Em grandes concentrações, como as usadas nas escovas, o formol age quebrando a queratina dos fios, que depois é remodelada com a chapinha.

– O formol, na verdade, não alisa. Ele endurece o fio, criando uma capa externa rígida. Ele tira a flexibilidade da fibra capilar, que pode quebrar em um simples gesto de desembaraçar os cabelos. Clientes que fazem formol com freqüência, na sua maioria, tem os cabelos ralos do meio a ponta do fio por conta deste tipo de quebra. Hoje, as mulheres não precisam mais fazer escova com formol. Já existem vários tratamentos que dão o mesmo resultado – explica o hair stylist Bruno Barros, do Crystal Hair.

O principal efeito colateral do formol são as alergias respiratórias e cutâneas, principalmente em quem fica muito tempo exposto à substância, como os cabeleireiros. Segundo o dermatologista Valcinir Bedin, do Instituto de Pesquisa e Tratamento do Cabelo e da Pele, o perigo está na fumaça do formol, o formaldeído, que é criada quando o cabeleireiro passa o secador ou a chapinha no cabelo com a substância.

– Esta fumaça pode causar o ressecamento e o sangramento do nariz e da garganta, lesões na pele e nos olhos, e, em casos mais sérios, o choque anafilático, que pode levar a morte. Depois da aplicação, toda vez que o cabelo entrar em contato com a água quente, por exemplo, a substância se solta um pouco e volta a causar irritações. Lavar com água fria minimiza o efeito tóxico nas mais alérgicas – explica Bedin.

A substância também costuma irritar o couro cabeludo. Se a alergia for perto da raiz do fio ela pode causar a queda, afirma a dermatologista Marcela Studart, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Além disso, o uso contínuo do formol deixa os fios fracos, já que a substância não penetra no cabelo, mas forma uma capa que não deixa que nenhuma outra substância entre no fio.

– Cabelos com formol ficam sem nutrientes, já que os ativos do condicionador ou dos tratamentos hidratantes não entram nos fios. Quando o efeito da escova acaba, o cabelo costuma ficar com um aspecto mais danificado. Ele pode ficar mais sensível, quebradiço e descolorido. Muitas mulheres acabam neste ciclo vicioso de não ficar sem a escova progressiva porque acreditam erroneamente que ela trata o cabelo – diz Marcela.

Para as órfãs do formol, a alternativa é apostar nos tratamentos hidratantes, que devolvem a umidade e a maciez dos fios, ou nos alisamentos com tioglicolato de amônia ou guanidina.

– O ideal, em vez de alisar, é buscar alternativas que tratem os fios. Indico tratamentos à base de lipídios e queratina, que fortalecem todo tipo de cabelo – diz o hair stylist Bruno.

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