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Vídeo: Mulheres encaram a profissão de bombeira na Capital

15/08/2009 | 05h25

Elas são pouquíssimas. Bonitas, charmosas e bem-sucedidas. Cuidam da aparência e gostam, claro, de andar de salto alto.


Mas não são modelos, dessas que estampam capas de revista, viajam na primeira classe de aviões e ganham cachês milionários. O time feminino aqui é outro.

Veste casacões pesados, botas desconfortáveis, luvas nada delicadas e capacetes. São as bombeiras da Capital, um grupo de cinco destemidas mulheres prontas para qualquer missão, seja o combate ao fogo ou o resgate de vidas. Na quarta-feira, o Diário Gaúcho acompanhou a rotina do grupo.

Vestidas para matar focos de incêndio

O 1º Comando Regional dos Bombeiros (CRB), localizado no Bairro Praia de Belas, tem sete mulheres – as únicas entre os 283 bombeiros da Capital. Elas representam apenas 2,5% do efetivo.

Cinco delas, Viviane Coelho, 32 anos, Jaqueline Dias, 28 anos, Liziane Bacchi, 30 anos, Bruna Zoehler, 24 anos, e Vanise Schneider, 28 anos, foram reunidas na quarta-feira para falar sobre os momentos de tensão durante uma ocorrência de incêndio, como o último que se abateu sobre a Vila Chocolatão, e da alegria após o resgate de um cachorrinho preso numa canalização do Dilúvio.

– A sirene toca e a adrenalina vai subindo – disse Vanise, torcendo para ouvir o barulho e voar para o caminhão.

Espelho meu, existe um EPI mais belo...

Num universo dominado por homens, a presença de bombeiras deixa a Estação Açorianos, na Avenida Praia de Belas, alegre e mais organizado. A começar pelo alojamento feminino, que elas usam para se trocar e onde permanecem em noites de plantão.

Camas arrumadas, armários fechados e um espelho de tamanho natural para não escapar nada. Até os Equipamentos de Proteção Individual (EPI), adquiridos pela companhia por cerca de R$ 4 mil, são mantidos impecáveis. Um detalhe, porém, chamou a atenção. No bolso do macacão, Jaqueline, bombeira há quatro anos, carregava um batom e uma caneta.

– Com a caneta eu posso salvar vidas, desamarrando e furando mangueiras num caso de emergência – explicou.

Subindo a escada para salvar abacates!

Sem uma ocorrência grave, daquelas que precisam do apoio de várias estações, na manhã de quarta-feira, o jeito foi cumprir tarefas consideradas leves.

Para quem está acostumado a enfrentar chamas, fumaça e fuligem, subir num abacateiro no pátio de uma escola para colher frutos que poderiam cair na cabeça de alunos ou escoar água acumulada em um prédio, no Centro, até que teve um pouco de emoção.

– Tem dias que a gente não para, se desloca para atender a um chamado e no meio do caminho é deslocado para outro mais grave. Mas tem outros em que não acontece nada – comentou Liziane.

Fogo amigo,só em treinamento

Das cinco bombeiras, Bruna e Vanise atuam diretamente na linha de frente, em cima dos caminhões. As outras três trabalham na seção administrativa do batalhão e só integram as equipes de combate a incêndio quando entram na escala de plantão.

– Para nós já é uma coisa automática, a gente não pensa muito no risco. Vamos lá para salvar a vítima – explica Bruna, ex-aluna do Colégio Militar e estudante de Enfermagem.

Vanise, bombeira há um ano, é formada em Educação Física. Natural de São Martinho, no Noroeste do Estado, é a novata da turma. Conseguiu entrar somente no segundo concurso que fez para a Brigada Militar.

No limite lá e aqui

Estudante de Direito, Liziane – a mais antiga do grupo – também é salva-vidas na Operação Golfinho. Para ela, cada uma das bombeiras tem uma aptidão.

– Umas são mais operacionais do que outras. Eu gosto de nadar, de estar na linha de frente – comenta.

Prontas para emergências, bombeiras como ela estão preparadas para tudo. Arriscam suas vidas para salvar outras anônimas. No último incêndio na Vila Chocolatão, em junho passado, Viviane estava de folga, mas decidiu ajudar os colegas.

– Tinha muito fogo e fumaça, tentei entrar numa casa mas bati a cabeça na parede e desmaiei – relembra a namorada do bombeiro Gilson Wagner de Oliveira Alves, 37 anos, capitão do 1º CRB e um dos gaúchos selecionados pela Globo para o programa No Limite.

Saiba mais

Estrutura
- No Estado existem 2.342 bombeiros.
- Deste total, 30 (1,29%) são mulheres.
- O efetivo das dez estações da Capital conta com 283 soldados – sendo que apenas sete (2,5%) são mulheres.
- Todos entram na Brigada Militar por concurso público.
- O salário das bombeiras retratadas na matéria varia de R$ 900 a R$ 1,2 mil.

Balanço (principais ações)
- Ocorrências em 2008: 4.550
- Combate a incêndio: 1.231
- Salvamento de pessoas: 234
- Salvamento de animais: 111
- Remoção de fontes de perigo (enxames de abelhas, cães bravos, animais peçonhentos e outros): 1.937

Dicas para seguir em caso de incêndio
- Mantenha a calma.
- Se for possível, utilize o extintor adequado.
- Reúna a família e procure a saída mais segura.
- Se necessário, proteja seu corpo com roupas e cobertores molhados e utilize um pedaço de pano úmido na boca como proteção das vias respiratórias contra gases tóxicos.
- Não utilize elevadores. Use somente as escadas e procure descer.
- Se houver muita fumaça no ambiente, ande abaixado ou rasteje.
- Se não conseguir sair, fique junto a uma janela ou sacada e chame por socorro.
- Para proteger-se, utilize qualquer porta como barreira contra a propagação das chamas.

No local
- Chame os bombeiros pelo telefone 193 dizendo onde é o incêndio, o que está
queimando e se há vítimas, para agilizar o trabalho de socorro.

No caminho
- Não estacione seu carro junto ao hidrante. Isso difi culta as manobras dos bombeiros.
- No seu carro ou a pé, facilite a passagem assim que ouvir a sirene da viatura do Corpo de Bombeiros.


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