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Dor nas pernas durante caminhadas pode ser sintoma de problemas de circulação

05/09/2009 | 07h59

Claudicação intermitente é um sintoma pouco familiar para quem não sofre com a falta de circulação do sangue nas pernas. Embora o nome pareça complicado, o problema nada mais é do que a dor nos membros inferiores durante uma caminhada, em decorrência da diminuição de fluxo de sangue e oxigênio na região. O transtorno é uma manifestação das doenças que levam ao estreitamento das artérias e atinge cerca de 5% da população brasileira, em especial os indivíduos na faixa etária dos 55 a 60 anos.

Indicativa de males vasculares, a claudicação intermitente pode ser confundida com lesões nos músculos pelos desavisados. A confusão preocupa especialistas, já que os casos mais graves podem levar à amputação das pernas. O presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), José Luís Camarinha do Nascimento Silva, explica que o incômodo pode acontecer também nas nádegas, quadril, coxas, panturrilhas e nos pés.

– A claudicação intermitente é a manifestação clínica mais comum da doença arterial obstrutiva periférica (Daop), na maioria das vezes ocasionada pelo acúmulo de placas de gorduras no interior dos vasos sanguíneos – aponta.

Segundo o médico, é preciso estar alerta. 

– As artérias dos membros inferiores podem não ser as únicas atingidas pelos bloqueios da circulação do sangue. Geralmente, o comprometimento desses membros é um aviso precoce da obstrução dos vasos em outros lugares do corpo, como o coração e o cérebro. Por isso, a dor não deve jamais ser menosprezada – avisa o especialista.

A claudicação intermitente surge durante a caminhada porque o músculo, que está pouco irrigado e sem oxigênio, é exigido pelo exercício.

– Nos casos mais leves, quando a marcha é interrompida ou o esforço é reduzido, a dor cessa. Nos casos mais graves, poucos metros são suficientes para a dor aparecer. No estágio mais avançado do problema vascular, até em repouso o paciente sente o incômodo. A qualidade de vida é muito comprometida, pois a pessoa se vê impossibilitada de andar – observa a angiologista Rita Vilanova.

:: Cerca de 75% dos pacientes estabilizam ou apresentam melhoras nos sintomas. Dos 25% que têm evolução grave do caso, aproximadamente 5% progridem para alguma intervenção cirúrgica ou endovascular e 2% para amputação em cinco anos.

Combata os fatores de risco

O diagnóstico é feito com o auxílio de um equipamento de ultrassom, que indica onde está a obstrução da artéria. Cirurgiões vasculares e angiologistas são os profissionais habilitados para identificar e tratar os males circulatórios e seus sintomas. Acostumados a lidar com o problema, eles são unânimes: obesidade, tabagismo, sedentarismo, hipertensão arterial, níveis elevados de colesterol, diabetes mellitus, estresse e histórico familiar são fatores de risco para doenças arteriais e, consequentemente, para a claudicação.

A professora Cleuza Maria Goulart Reis, 60 anos, demorou a perceber que a sensação de fraqueza nas pernas era decorrente de um problema nas artérias. A claudicação foi mais evidente no quadril.

–  Nas pernas, eu sentia um cansaço intenso. Ao andar por ruas íngremes, sentia fraqueza nas coxas e panturrilhas. A sensação era de ter escalado uma montanha. Procurei ajuda médica ao perceber que meu dedão do pé estava roxo, completamente sem circulação. O problema já está avançado e precisarei fazer uma cirurgia – conta Cleuza, que abandonou o cigarro há pouco tempo.

O cirurgião vascular Túlio Navarro será responsável pelo procedimento que poderá melhorar a vida de Cleuza. O médico explica que a professora não sentia dores porque andava pouco no dia a dia, o que acabou postergando a procura de atendimento especializado e agravando a situação.

INCIDÊNCIA

:: A claudicação intermitente atinge cerca de 5% da população e é mais comum em indivíduos na faixa etária dos 55 a 60 anos por causa da aterosclerose – acúmulo de placas de gordura na parte interna das artérias.
:: Quando o mal ocorre em pessoas mais jovens, pode ser reflexo de doenças menos comuns, como a tromboangeíte obliterante (inflamação das artérias provocada pelo cigarro) ou alterações congênitas da musculatura da perna.

COMO TRATAR

:: As medidas para tratar a claudicação dependem da gravidade da doença vascular. Os casos mais leves podem ser atenuados com exercícios fisioterapêuticos orientados e medicação capaz de dilatar os vasos, os conhecidos vasodilatadores.

:: Os mais avançados necessitam de intervenção cirúrgica, que pode ser a cirurgia convencional ou a endovascular, na qual colocamos um stent (uma espécie de mola que serve para desobstruir o vaso) no local da obstrução.

:: As doenças arteriais não têm cura, por isso os cuidados são fundamentais. É essencial levar uma vida saudável e estar atento ao aparecimento de novas dores.

Fonte: Túlio Navarro, cirurgião vascular

DICAS

:: Controle a obesidade.
:: Monitores os níveis de colesterol e triglicerídeos.
:: Esteja atento ao diabetes.
:: Controle a pressão.
:: Evite o tabagismo.
:: Pratique exercícios físicos.
:: Procure ter uma dieta saudável e balanceada.

 
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