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Dinheiro Público

PF articula operação para desmontar esquema de fraudes em aeroportos

Gigantes brasileiras do setor da construção civil seriam os principais alvos dos federais

12/09/2009 - 10h07min | Atualizada em 12/09/2009 - 15h24min

A suspeita de fraude em obras realizadas em aeroportos de todo o país deve transformar as sedes de algumas das principais empreiteiras brasileiras em alvo da Polícia Federal (PF) nos próximos dias. Os detalhes da operação autorizada pela Justiça foram revelados na edição deste sábado do jornal Folha de S.Paulo.

Segundo a reportagem, a PF estaria preparando uma ação de busca e apreensão nos escritórios das empresas suspeitas de participação no esquema e nas casas de seus executivos. Apesar de ter dado aval para que os federais coletassem documentos nas companhias, a juíza que deferiu a medida, Polyana Kelly, substituta da 12ª Vara da Justiça Federal de Brasília, recusou o pedido de prisão de suspeitos.

Entre as empreiteiras sob suspeita estariam algumas das gigantes do setor no Brasil, como OAS, Camargo Corrêa, Odebrecht, Nielsen, Queiroz Galvão e Gautama. As obras teriam sido licitadas pela Infraero na gestão do ex-presidente da empresa Carlos Wilson (PT-PE), morto em abril deste ano.

As empresas seriam investigadas por suposta fraude a licitações, tráfico de influência, formação de quadrilha e corrupção ativa e passiva na execução de obras em aeroportos de todo o país _ Guarulhos, Vitória e Campo Grande, entre outros. O total de desvios chegaria a R$ 500 milhões.

Depois de dois anos de investigações, a PF, o Ministério Público Federal e a Justiça souberam nesta semana que informações sobre a operação, que deveria ser sigilosa, haviam vazado para parte dos suspeitos. Os investigados foram grampeados por cerca de um ano, como apontam informações da seção judiciária do Distrito Federal disponíveis na internet.

Investigadores ligados ao caso teriam dito a Folha que o vazamento prejudica, mas não invalida a ação, que até sexta-feira não tinha data para ser realizada. A investigação teria sido aberta como parte de um inquérito instaurado em 2007 com base em denúncia anônima. Por estratégia, teria sido decidido o esvaziamento da investigação principal e o pedido de escutas telefônicas, quebras de sigilo, prisões e buscas e apreensões por meio de medidas cautelares, às quais os advogados só têm acesso oficial depois de executadas.

 
 
 
 
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