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Cortado fornecimento de 2,2 milhões de pedras de crack

Em quatro operações nos últimos 10 dias, autoridades policiais e Ministério Público desferem golpes contra quadrilhas, prendem 37 pessoas e abalam tráfico de drogas

27/10/2009 - 05h44min
O tráfico de drogas sofreu quatro duros golpes no Estado em 11 dias, o mais recente deles ontem. Operações realizadas desde o dia 15 prenderam 37 pessoas e tiraram de circulação quadrilhas que abasteciam a Região Metropolitana com mais de 2,2 milhões de pedras de crack por mês, o suficiente para abastecer acima de 2,5 mil usuários.

As ações revelam uma preocupação crescente das polícias e do Ministério Público (MP) com a disseminação da droga na região. Em alguns casos, o comando dos pontos de venda era feito de dentro da cadeia. Ontem foi a vez da Polícia Civil desarticular três quadrilhas que atuavam na Capital e em cidades vizinhas, como Alvorada. Nas semanas anteriores, Polícia Federal, Brigada Militar e Ministério Público já haviam desbaratado grupos de traficantes com ação similar.

Na operação Irmãos Metralha realizada ontem pela 18ª Delegacia da Polícia Civil (bairro Mario Quintana), com apoio de agentes dos departamentos estaduais de Investigações Criminais (Deic) e de Investigações do Narcotráfico (Denarc), foram presas sete pessoas e aprendido um adolescente. A exemplo de outros bandos desmontados recentemente, o grupo era integrado por presidiários. Segundo o delegado Cesar Carrion, em apenas uma das cinco bocas de fumo da rede criminosa os traficantes movimentavam cerca de R$ 1,5 mil por dia em drogas.

Ao retardar a prisão de alguns suspeitos ao longo da investigação, a Polícia Civil usou nessa operação uma estratégia que vem dando certo no combate a outros tipos de crimes na Capital, como o roubo de veículos – em queda constante ao longo de 2009. Em lugar de prender os pequenos traficantes, conhecidos como vapozeiros ou aviões, os policiais passaram a seguir seus passos e a monitorar suas ligações com os líderes do bando dentro das cadeias.

– É uma tática autorizada pela lei de combate ao crime organizado, que permite às polícias chegar aos líderes dos bandos investigados. Não adianta prender só mula dentro de ônibus – explica o superintendente da PF no Estado, Ildo Gasparetto.

Laboratório desmontado

Conforme o delegado federal, o expediente também foi usado na investigação que se estendeu por oito meses e resultou na prisão de 10 traficantes no último dia 15. O bando desarticulado pela PF abasteceria bocas de fumo da Região Metropolitana com 750 mil pedras de crack por mês.

– Chegamos até os fornecedores da cocaína (transformada em crack no Brasil) no Paraguai porque esperamos a hora certa de agir. Foram meses de campana – lembra ele.

A estratégia também foi usada pelo Denarc para desmontar um dos principais laboratórios de refino de drogas da Capital na sexta-feira. A investigação que se iniciou em agosto revelou a existência de uma fábrica de drogas no bairro Partenon, na Capital, coordenada por uma mulher, com capacidade de produção de 150 mil pedras de crack por mês.

– É consenso entre as autoridades policiais que precisamos frear a venda de crack no Estado. Esse pensamento pode explicar a concentração de esforço contra as quadrilhas de traficantes que agem em Porto Alegre – afirma o diretor do Denarc, delegado João Bancolini.
 
 
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