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Mulheres aderem ao videogame

Elas já rivalizam em um universo até há pouco predominantemente masculino

12/12/2009 - 03h11min
Mulheres aderem ao videogame Diego Vara/
A analista de TI Bruna investe pesado numa paixão que a mantém acordada madrugada afora Foto: Diego Vara  
Passam das 10h quando Bruna Griebeler, 24 anos, é acordada pelo telefone. Mas ela se apressa em justificar a voz sonolenta:

– Fiquei jogando videogame até as 5h30min – confessa a analista de tecnologia da informação de Porto Alegre, que assume, durante a madrugada, o papel de um homem com superpoderes que sai à caça de zumbis.

Bruna retrata uma nova realidade, a de que videogame não é mais coisa só de guri. Nos EUA, essa tendência é mais acentuada: o público feminino já representa 40% dos jogadores, segundo a Entertainment Software Association (ESA), associação que representa a indústria de games americana. E a faixa que mais cresce é a das mulheres adultas.

– Não tenho medo de parecer criança ou homenzinho – diz Bruna.

Enquanto eles querem vencer, elas só pensam em se divertir

Ela investe pesado na diversão. Só para o PlayStation 3, console de última geração da Sony, comprou 12 jogos, a maioria importado. Também tem um Wii e o portátil DS, ambos da Nintendo. Aliás, esses dois equipamentos são os xodós das mulheres que responde, respectivamente, por 51% e 53% dos seus usuários, conforme dados divulgados pela ESA.

Há uma explicação para o fenômeno: se antes era preciso videogame e cartucho, agora há mais portas de entrada para o universo gamer, como os jogos no computador (na internet ou não) e no celular.

– Aumentou a quantidade de plataformas disponíveis, o que ajuda a proliferar os jogos e a levar as mulheres a se interessarem mais – afirma o coordenador executivo do curso de Jogos Digitais da Unisinos, João Bittencourt.

A popularização dos jogos em flash na internet também contribuiu para que as mulheres jogassem mais. Não tem o joystick com monte de botões para dominar. Muitas começam com os chamados jogos casuais e vão em frente. Hoje, elas já representam 30% dos cadastrados no site da Eletronic Arts (EA), que distribui games. Há cinco anos, eram 10%, diz o gerente de produtos, Ian Freitas.

No Brasil, sites de jogos foram acessados em casa por 14,6 milhões de brasileiros (51% dos internautas) em outubro. As mulheres responderam por 45% do total, segundo o Ibope Nielsen Online. Em fevereiro de 2006, vinham delas 36% dos acessos.

Outra pesquisa, da Cartoon Network, mostra que os jogos online são atividade de 90% dos meninos e 88% das meninas entre sete a 15 anos. Três em cada quatro guris têm videogame. No caso das gurias, são 49%.

É preciso levar em conta que os perfis são diferentes: enquanto os homens jogam para vencer, as mulheres fazem pela diversão. E um videogame, em especial, tem proporcionado uma forma mais descompromissada e natural de jogar: o Wii, com seus controles com sensor de movimento. No jogo de tênis, por exemplo, é preciso dar raquetadas no ar com o joystick. E já há até uma modalidade de games de exercício físico.

– Tênis é o mais divertido. Te deixa até com o braço doendo. É o que mais queima calorias. Virou minha academia – brinca Bruna, que pratica (ou seria “joga”?) de ioga a boxe no Wii.

Uma diversão que virou profissão
O símbolo da nova era
Elas sobem ao palco
 
 
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