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Distonia: conheça os mitos e verdades da doença que compromete o sistema neurológico

Problema faz com que o paciente tenha espasmos e contrações involuntárias

11/11/2010 | 15h20
Movimentos bruscos e involuntários dos membros, espasmos no pescoço e nos braços, tremores nas mãos e piscadas repetidas dos olhos. Essas são algumas das reações que, diariamente, acompanham a vida de mais de meio milhão de pessoas com distonia no país. O problema atinge 3,4 em cada 100 mil pessoas, segundo dados do Ministério da Saúde.

O neurologista Flávio Sekeff Sallem, do Hospital das Clínicas (HC-FMUSP) explica que distonia é uma doença neurológica, que produz contrações musculares involuntárias em determinadas regiões do corpo. Segundo ele, a semelhança nos sintomas faz com que o problema seja confundido com o popular “tique nervoso”, que é manifestação semi-involuntária em que a pessoa consegue controlar o gesto.


Abaixo, Sallem fala sobre os principais mitos e verdades sobre o problema:

:: A distonia pode estar associada ao Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)?

Flávio Sekeff Sallem:
Estas são duas condições relativamente comuns e podem ocorrer em um mesmo paciente, sem necessariamente haver relação entre elas. Mas em casos de TOC, o paciente que recebe medicações psiquiátricas pode apresentar quadros de distonia, quer sejam auto-limitados (distonias agudas) ou crônicos (distonia tardia).

:: O problema atinge somente as mulheres?

Sallem:
Não. O problema atinge pessoas de todos os sexos, idades, classes sociais e raças.

:: Se a doença não for tratada, pode prejudicar atividades simples do dia a dia como andar, dirigir, escovar os dentes e se alimentar?

Salem:
Há casos em que desde o começo já existe este prejuízo das atividades diárias. Em outros, o quadro pode ser benigno a ponto de não levar a grandes prejuízos, mesmo quando não tratados. Há ainda casos em que doença evolui para grandes perdas funcionais.

:: Ela tem cura?

Sallem:
Sendo uma doença de múltiplas causas, a maior parte é incurável, dependendo da causa apresentada. As distonias causadas por medicações podem desaparecer sozinhas ou com uso de remédios apropriados. Já a distonia, que acompanha casos de paralisia cerebral, não tem cura. Distonias pós-derrames cerebrais ou secundárias, as lesões cerebrais variadas podem raramente melhorar sozinhas. As distonias primárias, ou seja, sem causa definida e sem lesão cerebral ou medular, raramente podem melhorar ou mesmo desaparecer sozinhas ou com o uso de medicações, como a toxina botulínica.

:: Existe tratamento para controlar a distonia?

Sallem:
Há vários tratamentos, clínicos e cirúrgicos. O procedimento clínico mais importante, dependendo da extensão da lesão, é a toxina botulínica tipo A. Ela é considerada a medicação “padrão ouro” para o tratamento das distonias. Sua ação é sobre a placa motora, onde o nervo encontra o músculo, bloqueando a liberação de neurotransmissores.

:: Quem tem distonia perde a total comunicação e a locomoção?

Sallem: Nem sempre. Há casos onde isso ocorre como nas distonias de membros inferiores, generalizadas ou distonias da região oro-lingual.

:: A doença impossibilita a pessoa de trabalhar?

Sallem: Em alguns casos sim, como nas distonias generalizadas. Em outros casos, existem pacientes que não só trabalham, como praticam esportes.

:: É um problema hereditário?

Sallem: Alguns casos sim, mas a maior parte é primária sem história familiar, ou secundária a medicações ou lesões cerebrais.

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