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Livro aponta benefícios, malefícios, mitos e verdades sobre o leite

Pesquisa discute se a bebida deve estar presente na dieta do adulto

11/01/2011 | 08h30

Os humanos são mamíferos, mas não parecem muito certos do papel do leite em suas vidas adulta. O alimento está cercado de mitos, que levam muita gente a fugir dele e de seus derivados. Para complicar, um número crescente de médicos e nutricionistas se coloca em uma posição ferrenha contra o consumo da bebida. Muitas vezes, cortam-no da alimentação dos pacientes mesmo que eles não sejam alérgicos ou tenham intolerância. Afinal, deve-se ou não incluir o leite na dieta?

Essa questão motivou a nutricionista Adriane Elisabete Costa Antunes, da Universidade de Campinas (Unicamp), e a bioquímica Maria Teresa Bertoldo Pacheco, do Instituto de Tecnologia de Alimentos de São Paulo, a resgatar evidências científicas que permitam diferenciar fatos e mitos quando o assunto é o consumo de leite na maturidade. Elas perceberam que o consumidor, ao defrontar com problemas e benefícios associados à ingestão do leite, sente-se sem rumo e, em geral, não encontra orientação consensual entre os profissionais de saúde.

Para enfrentar a polêmica, as pesquisadoras organizaram uma equipe multidisciplinar, composta por profissionais das áreas de nutrição, biologia, medicina, engenharia de alimentos, química, bioquímica, zootecnia, farmácia e economia. Do trabalho, resultou o livro Leite Para Adultos: Mitos e Fatos Frente a Ciência. Adriane Elisabete diz que a equipe procurou argumentos favoráveis e contrários ao consumo de leite e os examinou com base em fundamentações científicas.

— Nosso objetivo é fazer com que a pessoa tenha argumentos para decidir se retira ou não o leite da sua dieta — explica.

O veredicto das autoras tende a ser favorável aos produtos lácteos. É verdade que um parcela expressiva da população tem alguma restrição ao consumo. No Brasil, por exemplo, cerca de 25% da população apresenta intolerância à lactose. De maneira geral, no entanto, os estudos científicos analisados na pesquisa indicam que o alimento traz apenas benefícios para as pessoas saudáveis.

Entre os mitos analisados está a afirmação de que o homem não necessita do leite na sua dieta. Maria Teresa lembra que as grandes fontes de cálcio são justamente o leite e seus derivados. Segundo a pesquisadora, a absorção do cálcio conduzida pelo leite é maior do que a obtida com qualquer outro alimento, principalmente na comparação com proteínas de origem vegetal. Isso explica também a necessidade de a mulher beber leite de origem animal enquanto amamenta. Sem repor o cálcio oferecido ao bebê por meio do leite materno, o organismo feminino acaba retirando a substância do próprio corpo.

— A falta do mineral pode ocasionar e agravar problemas como a osteoporose, a osteopenia e a osteomalase. Além disso, 45% das lactantes intolerantes à lactose perdem a sua intolerância durante o período de gravidez e de lactação — observa Maria Teresa.

VANTAGENS

— Fonte de alta absorção de cálcio
— Contém proteínas de alto valor biológico de fácil absorção
— Melhora a restauração muscular
— Estimula o sistema imunológico
— Previne a osteoporose
— Ajuda a controlar a pressão arterial
— Capacidade antioxidante

DESVANTAGENS

— Tem gordura, que contribui para o aumento do colesterol
— É nocivo para quem tem intolerância à lactose
— Causa, em alguns casos, alergias
— Pode agravar os sintomas da artrite, da artrose, da bronquite e da rinite

MITOS

O homem não necessita incluir leite na sua dieta

Isso pode até ser verdadeiro, desde que se fique atento a outras formas de cálcio. Para isso, é necessário comer uma grande quantidade de vegetais (alimentos com teor alto de cálcio). É preciso notar, porém, que, enquanto apenas três canecas de leite equivalem a 75% das recomendações nutricionais diárias, o indivíduo precisa comer vegetais o dia todo para chegar perto da quantidade recomendada.

Manga com leite faz mal
Esse mito tem origem histórica. Ele foi criado para que os escravos ingerissem apenas mangas (que havia em abundância) e deixassem o leite para seus senhores. Acredita-se que alguns escravos foram envenenados ao ingerirem leite com manga, para reforçar o mito.

O único leite adequado para o consumo humano é o materno
O leite que chamamos de materno é realmente o mais adequado para o ser humano. No entanto, o consumo de leite de outras espécies é possível, porque o ser humano é adaptável. O homem é um ser onívoro e ajustável aos variados alimentos de dieta.

Os humanos são os únicos mamíferos que ingerem leite de outras espécies
Muitos mamíferos adultos de outras espécies apreciam o leite. Na realidade, outras não têm acesso ao leite na fase adulta, mas se for oferecido leite de vaca para um gato ou um cachorro, observe o que acontece.

Leite cura gastrite
Em algumas pessoas, o leite pode piorar a gastrite. Seu consumo leva ao efeito rebote — primeiramente, diminui a acidez gástrica, mas depois a eleva. Contudo, as proteínas do soro de leite têm demonstrado propriedades terapêuticas para a proteção da mucosa do estômago, auxiliando na prevenção contra o efeito ulcerativo do álcool, agindo como anti-inflamatórios e amenizando o estresse.

VERDADES

Leite causa alergia
O produto está no topo do grupo de alimentos que causam alergia. Uma das justificativas é que a amamentação com leite materno, em geral, é curta, sendo logo substituída pela alimentação com leite de vaca.

Intolerância à lactose
O homem não era preparado para continuar bebendo leite na idade adulta. Porém, com a domesticação e a criação de animais, o consumo ocasionou uma mutação genética, favorecendo o desenvolvimento da lactase. Nas regiões onde havia a cultura da criação de animais, como o norte europeu, apenas 5% das pessoas têm intolerância. Contudo, há regiões em que essa intolerância chega a 80%, como em partes da África, da Ásia e do Oriente Médio.

Mulheres que amamentam devem tomar leite
Sem repor o cálcio oferecido ao bebê por meio do leite materno, o organismo feminino acaba retirando a substância do próprio corpo. A falta do mineral pode ocasionar e agravar problemas como osteoporose. Além disso, 45% das lactantes intolerantes à lactose perdem a sua intolerância durante o período de gravidez e de lactação.

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