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Proibidas estufas em salões de beleza para prevenir doenças como hepatite

Levar kit pessoal de alicate, espátula e lixa é uma saída

Por: Fabiana Seferin
17/03/2011 - 12h51min

Os salões de beleza não podem mais recorrer a estufas, fornos elétricos e equipamentos à base de radiação ultravioleta para esterilizar espátulas e alicates. No início deste mês, passou a vigorar o Regulamento Técnico para Processamento de Artigos que proíbe essa prática. A medida tem por objetivo reduzir os riscos de doenças provocadas pelo uso de materiais perfurocortantes utilizados por manicures e pedicures. O regulamento foi aprovado pelo governo estadual, por meio da portaria 500, no dia 31 de agosto de 2010.

De acordo com a infectologista Nicole Golin, da Secretaria Municipal de Saúde, o perigo de contrair doenças como hepatites B e C começa quando uma pessoa entra no salão de beleza para fazer as unhas.

– As manicures geralmente cortam a cutícula e isso sangra. Uma gota de sangue pode favorecer a transmissão, pois (em caso de contaminação) há uma enorme quantidade de vírus no sangue – explica.

Em Caxias do Sul, segundo a Vigilância Sanitária, calcula-se que dos 1.072 casos de hepatites B e C registrados nos últimos quatro anos, 35% tenham sido causados pelo contato com material infectado em salões de beleza.

– É importante que as pessoas tenham consciência do perigo que este tipo de doença representa para a saúde. Por isso, é fundamental que os salões de beleza obedeçam às normas de manutenção e armazenamento dos materiais – alerta a coordenadora da Vigilância, Juliana Argenta.

Uma das principais obrigatoriedades da regulamentação é o uso de autoclaves, aparelhos que esterilizam materiais através de calor úmido. Além disso, todos os utensílios devem ser escovados e lavados com sabão e água potável. Aos profissionais, é exigido o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), como luvas, aventais e óculos.

– Procedimentos invasivos podem também prejudicar os profissionais. Portanto, todos devem ser vacinados contra hepatite B e tétano – recomenda Juliana.

Levar kit pessoal é uma saída

Nos salões que não possuem autoclave, a Vigilância Sanitária solicita que os profissionais só atendam clientes que levem seus kits pessoais, contendo alicate, espátula e lixa.

Apesar de a regulamentação ter sido aprovada no ano passado, muitos profissionais da área ainda desconhecem as novas normas e continuam utilizando estufas e fornos elétricos como esterilizadores.

Para a manicure Melissa Antunes, as novas medidas irão prejudicar o atendimento. Apesar de estar ciente da importância da regulamentação para a saúde, ela acha inviável comprar um aparelho autoclave. Na opinião de Melissa, o investimento será muito alto e o retorno financeiro, muito baixo.

– Clientes deixarão de vir no salão se tiverem que trazer seus próprios materiais – acredita.

Porém, há profissionais que concordam com as normas. É o caso da manicure Lucila Silva, que há 11 anos trabalha em um salão de beleza no Centro.

– A saúde está em primeiro lugar. Por isso, se tivermos que atender somente clientes que possuam kits individuais, faremos isso – declara.

Caxias do Sul tem pelo menos 900 salões de beleza cadastrados na prefeitura. Há cerca de 280 manicures e pedicures nesses estabelecimentos.
 
As regras

:: Não é permitido o uso de estufas ou fornos elétricos para esterilizar materiais; 
:: Funcionários devem usar equipamentos de proteção individual, de acordo com as funções, e devem ser vacinados contra hepatite B e tétano;
:: Equipamentos devem ser lavados com água potável, detergente e escovas de cerdas macias; 
:: Após limpos, materiais devem ser acondicionados em embalagens regularizadas junto à Anvisa; 
:: As embalagens devem conter a identificação dos artigos, a data e o prazo de validade da esterilização, e o nome do responsável; 
:: Quando houver atendimento domiciliar, os artigos devem ser descartáveis ou do cliente.

O que é um autoclave

:: Um aparelho para esterilização através de calor úmido e sobre pressão. É um dos métodos mais eficazes de destruição de microrganismos, como vírus, por exemplo.

:: Existem mais de seis tipos de autoclaves. O tempo de permanência dos utensílios a serem esterilizados dentro dos autoclave varia de acordo com o modelo. Ele custa de R$ 1,5 mil a R$ 6 mil.

 
 
 
 
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