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Arroios

Sujeira sem fim em riacho do Bairro Bom Jesus, em Porto Alegre

Embora o Dep faça a limpeza, cursos d'água da Capital estão sempre entupidos de lixo, e o custo para limpar o local é de R$ 3,3 milhões por ano à prefeitura

18/04/2012 | 06h46
Sujeira sem fim em riacho do Bairro Bom Jesus, em Porto Alegre Mateus Bruxel/Agencia RBS
É sujeira que não acaba mais! Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

"É uma luta inglória. A gente fica até chateado, porque limpamos e isso vai se repetir amanhã. É como carregar pedra morro acima."

O desabafo é de Rogério Fraga, 56 anos, funcionário do Departamento de Esgotos Pluviais (Dep). Há três décadas, ele acompanha os estragos provocados pelo acúmulo de lixo nos cursos d'água, como alagamentos, mau cheiro e proliferação de bichos. E essa luta tem um preço: por ano, são gastos R$ 3,3 milhões para tentar manter limpos os 27 arroios da Capital.

De garrafas a animais mortos

Ontem, o Diário Gaúcho acompanhou uma equipe do Dep em atividade no Arroio Mem de Sá. Ele atravessa o Bairro Bom Jesus e, em seu caminho tortuoso, recebe todo o tipo de resíduos, desde lixo doméstico, como garrafas e embalagens, até animais mortos, roupas, brinquedos, cadeiras, pneus, madeiras, telhas, móveis, carcaças de máquina de lavar...

A limpeza desse arroio é realizada todos os meses.

- 60 toneladas de entulho

Além dos oito funcionários que fazem a catação de resíduos onde a máquina não tem acesso, a retroescavadeira remove a sujeira acumulada próxima ao paliteiro (proteção para evitar que o lixo entre na tubulação).

- É um trabalho infindo. No mês passado, foram retiradas 60 toneladas de lixo - afirma o diretor-geral do departamento, Ernesto Teixeira.

Ele explica que, quando chove, a situação é ainda pior. A sujeira desce com mais força, devido à correnteza, e nem o paliteiro impede que ela entre nas tubulações.

Esgotos entupidos

O excesso de lixo nos canos da rede de esgoto causa um problema bastante conhecido da população nos dias de chuva: os alagamentos. Com as tubulações tomadas pela sujeira, é mais difícil da água ser absorvida pelas bocas de lobo, e as vias ficam alagadas.

Ao limpar os cursos d'água, o Dep também faz a remoção do lixo nas galerias próximas. Ontem, dos canos da Rua Santa Isabel, bem ao final do Arroio Mem de Sá, resíduos como garrafas e sacos plásticos foram retirados em grande quantidade.

Por serem pequenos, eles atravessam o paliteiro e chegam à tubulação.

À noite, é pior

Do portão de sua casa, o prestador de serviços Enio Gonçalves da Silva, 32 anos, observa dia a dia o acúmulo de sujeira no arroio.

- Limpam de manhã e de tarde já tem lixo.

Ele diz, também, que é à noite que o problema aumenta. Quando ninguém está por perto, grandes quantidades de resíduos são atiradas no arroio.

De olho na coleta

De acordo com o DMLU, a coleta no Bom Jesus é às terças e quintas, das 13h às 17h. Em frente a algumas casas, os próprios moradores instalaram lixeiras para armazenar o lixo doméstico à espera do caminhão. Para o descarte de itens como madeiras, móveis, colchões, terra, entulhos, caliça, cerâmica, sucatas de ferro, eletrodomésticos e resíduos de árvores, que não são recolhidos pelas coletas, há três unidades do projeto Destino Certo para onde as pessoas podem levar o lixo: na Rua Cruzeiro do Sul, 1445, Vila Cruzeiro; Rua Professor Carvalho de Freitas, 1012, Bairro Glória; e na Avenida Diário de Notícias, 1111, Bairro Cristal. Informações: 156.

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