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Impacto no bolso

Roubo de carro faz disparar preço do seguro em Porto Alegre

Capital nacional dos ladrões de veículos, Porto Alegre vê os valores dos seguros inflarem devido à ação dos criminosos

19/05/2012 | 21h30
Roubo de carro faz disparar preço do seguro em Porto Alegre Fernando Gomes/Agencia RBS
Apólice de um veículo que tem como endereço a Rua Domingos Seguezio, na Zona Norte, pode custar até R$ 2 mil Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS
A indústria criminosa que transformou Porto Alegre na capital nacional do roubo de veículos impõe um sobrepeso que impacta diretamente no bolso dos motoristas. Comparado a outras 10 capitais, o preço do seguro de automóveis para os porto-alegrenses é um dos mais caros do país.

Um dos fatores que pressiona o custo para cima é o roubo de veículos. Conforme dados das seguradoras, por causa desse crime, em abril as companhias registraram perda total de 77 veículos para cada grupo de 10 mil, contra 65 em maio de 2011. Houve um acréscimo de 18,4% em 12 meses.

Os números referem-se especificamente a veículos segurados, equivalente à metade dos carros emplacados em Porto Alegre — a estatística completa de roubos da frota em geral é feita pela Secretaria de Segurança Pública e apresenta recuo nos índices em 2012.

— O crescimento dos roubos é extremamente preocupante porque põe em risco a vida das pessoas. E, se aumentam as ocorrências, aumenta o preço do seguro — afirma Julio Cesar Rosa, presidente do Sindicatos das Seguradoras no Rio Grande do Sul.

Índice de roubo dita 15% da tarifa

A incidência de roubos, de furtos e de acidentes, assim como o modelo, a marca do veículo e o perfil do motorista, fazem parte dos quesitos que formam o custo de uma apólice. É o comportamento dessas variáveis e dos rendimentos de aplicações das seguradoras no mercado de capitais — uma das principais fontes de ganhos das companhias — que define o preço final do seguro.

– Se a média dessas variáveis for ruim, o seguro aumenta. Se for positiva, o preço baixa. A tarifa é corrigida tanto para cima quanto para baixo. O mercado é dinâmico, cada seguradora tem seus critérios técnicos para determinar preços – assegura Julio Rosa.

O índice de roubo representa cerca de 15% na composição da tarifa. E, por causa das estatísticas da Capital, os motoristas porto-alegrenses estão sendo penalizados. Em proporção à frota, Porto Alegre registra mais roubos de carros do que Rio e São Paulo.

Para se ter uma noção de custos, ZH solicitou um comparativo de preços de seguro praticados por uma companhia com abrangência nacional. O modelo escolhido foi o Gol, por se tratar de um histórico campeão de vendas. A tabela aponta que o custo de uma apólice de modelo ano 2012, em Porto Alegre pode ficar só R$ 121 mais barata do que o preço do seguro na capital paulista, onde as tarifas são as mais elevadas do país.

A listagem suscita uma ponta de inveja dos porto-alegrenses em relação aos moradores de Florianópolis (SC) — sem qualquer relação com as belezas naturais e as belas praias. A cidade catarinense é a capital campeã do preço baixo. O seguro de um Gol pode custar até R$ 610 a menos, em comparação com capital gaúcha.

O peso do seguro nas finanças dos motoristas em Porto Alegre é reflexo da intensa atuação de ladrões de carros, em especial no eixo norte da cidade. Quem vive na Vila Ipiranga e nos bairros Sarandi e Rubem Berta paga as tarifas mais elevadas na Capital, até 20% acima do bairro Cavalhada, na Zona Sul.

Em 2012, o bairro mais castigado pelos roubos é o Petrópolis, que assumiu o topo do ranking em abril. A tendência é que os motoristas lá estabelecidos paguem mais caro na renovação.

— O seguro é mutualista. Muitos pagam para uns utilizarem. Quando se classifica a tarifa por região, o seguro fica mais pesado onde ocorrem mais roubos e furtos — afirma Julio Rosa.

Rosemari mora em uma rua perigosa

Formada por dois grandes quarteirões com predomínio de prédios residenciais, a Rua Domingos Seguezio, na Vila Ipiranga, na zona norte de Porto Alegre, está entre as vias mais visitadas por ladrões de carro.

Perto da Avenida do Forte, a via tem acesso fácil a saídas da Capital para cidades vizinhas, onde costumam se esconder quadrilhas de assaltantes. Por causa disso, quem mora ali paga até R$ 2.149 pela tarifa de seguro de um Gol. É a mais cara entre 20 bairros pesquisados por Zero Hora.

A consultora em imposto de renda Rosemari Minosi, 50 anos, comprou em novembro um Gol 2012. Pagou o seguro à vista.

— Queriam cobrar até R$ 3 mil, mas como eu tinha dinheiro na mão, consegui um bom desconto, e paguei R$ 1,5 mil — diz.

Na tarde de 28 de abril, após sair de casa para ir ao shopping, ela, o marido e a mãe foram atacados por dois ladrões, perto de casa. Os bandidos levaram o carro e documentos das vítimas, até hoje não encontrados. Rosemari aguarda indenização pela seguradora do valor que pagou pelo carro e tem dúvidas se vai comprar outro.

Quadrimestre registra queda

Balanço do primeiro quadrimestre da Polícia Civil mostra que diminuíram os roubos de veículos na Capital. No mesmo período de 2011, foram 2.094 casos, contra 1.586 em 2012. São 508 registros a menos, o que representa uma queda de 24,2%.

A delegada Vivian do Nascimento, da Delegacia de Repressão ao Roubo de Veículos (DRV), vinculada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic,) atribui a retração nos índices ao trabalho preventivo da Brigada Militar e à prisão de quadrilhas pela DRV. Desde janeiro de 2011, a delegacia especializada capturou 158 envolvidos com roubo de carro.

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