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Patrimônio do Estado

Primeira fase da obra de restauração da Biblioteca Pública chega ao fim

19/01/2013 - 08h02min
Primeira fase da obra de restauração da Biblioteca Pública chega ao fim Tadeu Vilani/Agencia RBS
As paredes externas tiveram todas as camadas de tinta removidas para que uma nova, de cor amarela, muito próxima à original, pudesse ser aplicada Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS  

Levou pelo menos cinco anos para que fachada, pisos, aberturas e tubulações de uma das mais imponentes construções arquitetônicas da Capital fossem reparados. E, se tudo ocorrer dentro do previsto, ainda não será em 2013 que estudantes e amantes da literatura poderão ver de dentro a Biblioteca Pública, um dos maiores patrimônios do Estado.

Os problemas estruturais e a perspectiva de financiamento da reforma pelo Programa Monumenta, determinaram o fechamento do prédio, em abril de 2007, e a transferência provisória das atividades para a Casa de Cultura Mario Quintana, onde são realizadas até hoje. No entanto, com menos de R$ 500 mil liberados por Brasília, apenas problemas emergenciais foram resolvidos. E este foi apenas o primeiro dos percalços.

Em 2009, o início de uma nova — e então grande — etapa de obras foi possível com recursos vindos do BNDES. A previsão era de que, finalmente, em 2011, as portas pudessem ser reabertas ao público. O prazo foi pelo menos outras duas vezes postergado. E agora, gaúchos terão de esperar que mais uma fase seja concluída: a que incluí obras de acessibilidade e instalações elétricas e hidráulicas. E que não tem, ainda, recursos captados.

De acordo com Morgana Marcon, diretora da instituição, a morosidade tem causas que vão desde o minucioso trabalho de pesquisa para o resgate das formas originais até questões meteorológicas, como o grande período de chuvas em 2012 — responsável pelo atrasado na recuperação da fachada. Além disso, decisões burocráticas teriam extrapolado os prazos inicialmente previstos.

— Diversos órgãos tiveram de ser acionados durante o andamento da obra, e todos eles têm seus prazos internos de tramitação de pedidos. Além disso, houve uma demora para localizar materiais como os vidros das janelas e a madeira do parquet. No entanto é possível afirmar que, apesar do atraso, podemos ver, a partir destes detalhes, o melhor restauro pelo qual já passou esta biblioteca. Tudo foi minuciosamente pensado, decidido e aplicado — avaliou Morgana.

1ª ETAPA

Projeto: desenvolvido em 2006, tinha um custo aproximado de R$ 7 milhões e incluía a restauração de todo o edifício.

Recurso: os R$ 2.556.794 captados junto ao BNDES cobriram apenas uma primeira etapa, iniciada em 2009 e concluída em 2012.

O que ficou pronto?

— Fachada: as paredes externas tiveram todas as camadas de tinta removidas para que uma nova, de cor amarela, muito próxima à original, pudesse ser aplicada. A tinta branca sobre os bustos de mármore também foi retirada para que a pedra ficasse mais uma vez à mostra. Para evitar os pombos que agrediam a construção, telas e proteções foram colocadas. Os ladrilhos da calçada foram substituídos e foi retirada a placa com a frase "Aqui circula o espírito do mundo", pregada na porta principal do prédio. Com a remoção, descobriu-se uma inscrição há tempos escondida: a sigla BPE, Biblioteca Pública Estadual. A placa será exposta em um pedestal na parte interna do edifício.

— Piso: o parquet que reveste o piso dos três andares do edifício foi totalmente retirado para que as vigas e o entrepiso pudessem ser substituídos, uma vez que a madeira estava totalmente comprometida devido a ação de cupins e outros insetos. Após a reforma estrutural, quase todo o parquet pôde ser reaproveitado, sendo recolocado, lixado e polido.

— Aberturas: as camadas de tintas que cobriam portas e janelas foram retiradas manualmente e as partes comprometidas pela ação de insetos ou pela umidade foram reparadas. Houve o cuidado para que a madeira utilizada fosse a original. Após o restauro dos ornamentos dourados, uma camada de verniz fosco foi aplicada. A dificuldade maior foi a substituição dos vidros verdes, com flores em alto relevo, que estavam quebrados devido à ação de vândalos. Após uma extensa pesquisa, um último lote da peça, com o mesmo desenho, porém sem cor, foi encontrado em São Paulo. A coloração verde foi aplicada em Canoas.

— Tubulações e pintura: a rede de climatização, uma requisição moderna incorporada ao prédio, foi totalmente preparada para receber fios e aparelhos, previstos para a próxima etapa. Também foram substituídas tubulações elétricas e hidráulicas. Os problemas de infiltração foram reparados e um dos salões, o "Egípcio", teve a pintura estabilizada para receber os cuidados mais minuciosos em uma terceira fase do processo de restauração da biblioteca.

2ª ETAPA

Projeto: reformulado em 2012, foi aprovado pelo Ministério da Cultura no último dia 6 de dezembro. Inicialmente, previa obras orçadas no valor de R$ 14 milhões, incluindo todo o restauro da pintura mural no interior do edifício. No entanto, como a reparação das paredes é minuciosa, o órgão solicitou um estudo mais detalhado de técnicas a serem utilizadas em cada peça. Para que as obras não fossem atrasados, optou-se por dar início a esta segunda fase de restauração e postergar a etapa da pintura interna.

Recurso: o valor aprovado para captação é de R$ 8.973.734,84 e deve ser patrocinado pelo BNDES com auxílio de empresas públicas e privadas.

O que está previsto?

— Para esta etapa, estão previstas duas obras que devem adaptar o antigo edifício às necessidades modernas: rampas e um elevador para cadeirantes permitirão acesso a todos os andares e um sistema de climatização totalmente embutido no piso deve refrigerar os ambientes e proteger o acervo.

— Ainda está prevista a restauração das fachadas internas, da fonte localizada no pátio, das escadarias, colunas e peitoris de mármore.

— Para evitar que a pintura seja danificada, as lâmpadas fluorescentes serão retiradas e será mantida somente a iluminação original. Nas mesas de leitura, serão instaladas luminárias direcionais.

Prazo: a nova fase deve começar em março e ser finalizada em pelo menos dois anos. No entanto, assim que as obras de acessibilidade e aquelas que envolvem os sistemas elétrico e hidráulico estiverem concluídas, a biblioteca já poderá voltar a funcionar no edifício — a previsão é de que isso ocorra no início de 2014.

 
 
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