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Vítimas dos protestos

Vizinhos do prefeito sofrem com ataques a prédio em Porto Alegre

Edifício onde mora José Fortunati se tornou alvo de manifestações na Capital

16/10/2013 - 19h07min
Vizinhos do prefeito sofrem com ataques a prédio em Porto Alegre Guilherme Santos/Especial/Agencia RBS
Mesmo cercado de tapumes, imóvel teve vidraças quebradas Foto: Guilherme Santos/Especial / Agencia RBS  

O instinto originou algumas regras no prédio cercado por tapumes pichados e vidraças quebradas na esquina da Rua Jerônimo Coelho com a Praça da Matriz, no centro de Porto Alegre. Após meses de protestos na Capital, os moradores aprenderam a tomar três providências quando os grupos de manifestantes se aproximam com seus cânticos:

1- Fechar as venezianas

2 - Não entrar nem sair do prédio

3 - Deslocar-se ao recinto mais interno do apartamento

Na noite de terça-feira, após manifestação pacífica por melhorias no ensino, durante o Dia do Professor, a aposentada Iara Palmeiro da Fontoura, 69 anos, agregou outro comportamento, a tremedeira. Lá embaixo, dezenas de manifestantes mascarados infiltrados na manifestação atacavam com pedaços de pau, barras de ferro e pedras a fachada do Edifício Faial. Ela evitou ir à janela espiar o que ocorria em frente ao que se tornou a nova meca dos protestos em Porto Alegre, tudo por causa de um morador ilustre, o prefeito José Fortunati.

Quem abordou o grupo foi o síndico, Felipe Veiga Lima. O porte físico, o jeito de brabo e o conhecimento de lutas costumavam ser aliados de Lima nas outras vezes em que os manifestantes miraram o prédio do prefeito como alvo, como em 1º de agosto. Ele descia e tentava impedir os estragos. Na noite de terça, Lima achou que estava perigoso. A sequência de diálogos entabulada pelo síndico por volta das 20h, em pleno ataque ao prédio, foi a seguinte:

— Vocês gostariam que quebrassem a casa de vocês?

— A elite tem de pagar — respondeu um, quem sabe se referindo ao custeio do passe livre de ônibus por quem tem melhores condições financeiras, típica reivindicação de manifestações recentes.

— Tu queres uma guerra civil? Vai querer me quebrar, também? — reforçou o síndico.

— Não, mas tu queres te queimar? — e aí o mascarado mostrou um coquetel molotov dentro da mochila.

Lima recuou. Ele disse que viu, também, pela primeira vez desde que o prédio virou alvo, uma arma. Era um facão. O síndico voltou para o edifício. Vidraças da fachada foram quebradas. A fechadura da porta foi entortada por uma barra de ferro, mascarados pularam a grade, apontou Lima. Iara tremia lá em cima.

O prefeito tem pago os prejuízos do seu bolso, ressaltou o síndico. Somente na noite de terça, o valor chegou a R$ 8 mil, calculou. Fortunati teria pedido reforço nos tapumes. Ele não pode se valer da Guarda Municipal porque a corporação atua somente em prédios públicos do município.

A maior reclamação dos moradores, na tarde desta quarta-feira, envolvia a Brigada Militar (BM). Os vizinhos do prefeito repudiaram a versão do comandante-geral da BM, coronel Fábio Duarte Fernandes, de que a quebradeira teria ocorrido depois da dispersão feita pelos policiais dos protestos ocorridos em frente ao Piratini e à Assembleia Legislativa. O ataque ao Faial foi antes, garantem.

De manhã, pelo Twitter, Fortunati reivindicara mais proteção policial na área. Depois, encaminhou o pedido, por meio de um ofício, à Secretaria de Segurança Pública (SSP). No meio da tarde, a SSP divulgou uma nota oficial garantindo que o prédio receberá mais segurança. A presença efetiva de policiais deverá ser diária.

Na Almirante Abreu, moradores comemoram segurança

A 3,7 quilômetros do Edifício Faial, na Rua Almirante Abreu, também há manifestações em frente à casa do governador Tarso Genro. No final de março, taxistas protestaram no local, no bairro Rio Branco. Em setembro, foi a vez dos professores. Uma moradora de 50 anos, que pediu para não ser identificada, sequer se importou com megafones, buzinas e gritos de ordem que acompanharam essas manifestações. Vale a pena morar ali por causa da segurança na rua, que melhorou desde que Tarso se sagrou governador, em 2010.

— Antes do governador tinha assalto. Minha irmã foi atacada aqui na entrada de casa por um motoqueiro. Aqui na frente roubaram um carro depois de quebrar o vidro. Agora, não tem mais assalto. Que bom seria se todas as ruas fossem assim em Porto Alegre — opinou a moradora.

Um guarda privado e o porteiro de um prédio confirmaram que a rua é tranquila. O funcionário de uma empresa de segurança que atende a região disse que não se lembrava de ter havido algum assalto recentemente na Almirante Abreu.


PMs fazem a segurança na rua em que mora o governador Tarso Genro
Foto: Félix Zucco, Agência RBS


No início da tarde desta quarta-feira, havia uma van da BM na esquina com a Rua Castro Alves. Do outro lado, na esquina com a Rua Dona Laura, outra viatura da corporação estava estacionada. Dois policiais militares cuidavam cada um de uma das pontas da quadra. Volta e meia, um PM andava para lá e para cá na calçada. Uma casa em frente à residência do governador serve como base da BM, equipada com câmera de vigilância. O sargento Loreno Lermen, que, à paisana, ocupava o imóvel, justificou o aparato:

— É para evitar que vire zona de conflito, porque é uma área residencial.

 
 
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