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Verão

Passeio proporciona mergulhos em diferentes horizontes na Ilha Campeche

Local tem trilhas que levam a inscrições rupestres, praia com água azul turquesa e opção para a prática de mergulho

30/01/2014 | 15h43
Passeio proporciona mergulhos em diferentes horizontes na Ilha Campeche Alvarélio Kurossu/Agencia RBS
Próximo da Ilha de Santa Catarina, Ilha do Campeche é boa opção para passeio de um dia Foto: Alvarélio Kurossu / Agencia RBS

— A história da Ilha do Campeche é o conjunto da história de vários povos que passaram por aqui. Hoje estamos nós, e cabe a nós perceber como essa história pode continuar — reflete o monitor e guia ambiental Aracídio de Freitas Barbosa Melo, ao final de uma trilha pela Ilha do Campeche.

Diante dele está um casal de portugueses, que chegou nesta semana a Florianópolis e ao ver a ilha quando estavam na praia do Campeche, logo quiseram saber como visitá-la. Quase três séculos depois da chegada dos açorianos a região, Narciso Pataias e Ana Marques caminhavam pelas trilhas como turistas e ouviam histórias de como a Ilha do Campeche foi território de índios, açorianos, pescadores de baleia, caçadores, e agora ponto turístico.

No caminho até a Ilha do Campeche, o barco geralmente desafia as ondas do vento nordeste. Sobe e desce, joga respingos recebidos com suspiros pelos passageiros sob o sol forte de janeiro. Gaivotas e mergulhões brincam entre o céu e água. Abaixo apenas dos aviões, que passam tão próximo em direção ao aeroporto que pode-se distinguir as janelinhas redondas.


Foto: Alvarélio Kurossu

A Ilha do Campeche tem apenas uma praia, de frente para a Ilha de Santa Catarina, que te recebe com águas calmas de cor azul turquesa. Distribuídos sobre claridade ofuscante da areia branca, brasileiros, portugueses, italianos, argentinos, uruguaios. Todos chegam de barcos, vindo da Praia da Armação, Campeche ou Barra da Lagoa.

Ao longo de uma caminhada de 40 minutos por uma das trilhas na Ilha do Campeche, Aracídio reconstrói a história da Ilha do Campeche em pinceladas. Território de povos pré-históricos, que deixaram sua marcas em inscrições rupestres e oficinas líticas. Ponto de pesca, abrigo e morada de tribos Itararés e Guaranis. Refúgio de pescadores de baleia e área de cultivo e extrativismo de madeira no século XVIII. Quase abandonada no fim do século XIX, quando a mata pode se recuperar.

Novamente frondosa, a ilha despertou o interesse de caçadores esportivos. Desde 1940, está sob concessão de uso da Associação Couto de Magalhães, que nasceu como clube de caça e pesca e hoje é de Preservação da Ilha do Campeche. Mas antes da mudança de propósito, foram inseridos diversos quatis na ilha - animais exógenos que desequilibram o ecossistema após terem crescido consideravelmente em número.

Foto: Erich Casagrande / Agência RBS

Trilhas e proteção

As trilhas levam para a história e mostram a mata altas da costa Oeste e a vegetação típica dos costões na Leste. O pé de araçá, por exemplo, de um lado busca ser alto e se desenvolve para não ficar sob as demais árvores. No outro, se contorce para permanecer baixo e protegido do vento forte. A imensidão do Oceano, que explode e reverbera sobre as pedras também é digna de contemplação. Enquanto isso, os aviões continuam passando lá no alto, como uma ironia da invenção e expressão humana diante das inscrições rupestres.


O legado histórico que Ilha do Campeche representa justificou o tombamento da área pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2000. A ilha passou a contar com equipes de monitoramento que ajudam a fiscalizar o fluxo de pessoas. Na alta temporada, são 22 monitores e coordenadores que recebem e contam quem chega à ilha.

— Nosso estudo indica que a capacidade diária de visitantes é de 800 pessoas. Conseguimos controlar porque há cotas de pessoas para cada um dos três pontos que trazem turistas para cá. Porém, não podemos impedir quem chega em barcos privados e esse número é superado — explica a coordenadora Elisa Brod Bacci.

Horizontes longos e horizontes curtos

Na parte Oeste, a Ilha do Campeche ainda tem como horizonte a praia do Campeche e Joaquina, que ficam na Ilha de Santa Catarina. É possível ver os guarda-sois lá do outro lado do mar e imaginar as pessoas se perguntando, assim como o casal português, como seria a perspectiva de quem observa de lá.

De fora da água o horizonte é distante, mas basta mergulhar para perceber outra perspectiva de mundo. Além das trilhas, a equipe do Iphan também trabalha com atividades de mergulho com snorkel, máscara e nadadeiras. A água cristalina permite uma visibilidade de até 8 metros nos melhores dias, mas mesmo com cerca de 3 metros já se pode observar diversos peixes.

Sob a água, o cenário muda a cada batida das nadadeiras. Um metro para frente e pedras que antes não apareciam surgem cheias de algas e peixes ao redor. Espécies como baiacu, sargentinho, ouriços, maria da toca. Um mundo curioso e intenso pelo imediatismo que exige na contemplação. Para quem está de passagem, o mundo subaquático é efêmero e se transforma a todo instante. De volta ao barco, todos comentam o que encontraram.

— Que peixe era aquele grande e redondo. Você viu?

Depois de cerca de quatro horas na Ilha do Campeche, o sol já começa a se aproximar dos morros sobre a Ilha de Santa Catarina. A prainha da Ilha do Campeche, que estava cheia durante o dia, está quase deserta. O último barco leva os últimos turistas de volta para a Praia da Armação.

Na Ilha do Campeche, mergulha-se no mar e na história. Sente-se o peso de experiências vividas por tantos que ali passaram naquele pequeno espaço de terra, que agora também está incorporado a sua própria história.

— Espero que vocês possam levar daqui alguma coisa diferente que seja capaz de ao menos refletir quando vocês estiverem em outro lugar, até mesmo em Portugal — se despede Aracídio.

E barco navega de volta, surfando nas ondas que empurram o barco sentindo Sul. Com brasileiros, portugueses, italianos, argentinos, uruguaios.

Revista de Verão avalia

Acesso
Pega-se um barco na Praia da Armação, ou um bote na Praia do Campeche, ou uma escuna da Barra da Lagoa. A partir da Armação, leva-se 30 minutos até a Ilha. O preço que é um pouco salgado.

Valores ida e volta a partir de cada ponto por pessoa

Armação: R$ 60
Campeche: R$ 50
Barra da Lagoa: R$ 70

Banheiros
A prainha da Ilha do Campeche tem banheiros públicos atrás de um dos restaurantes.

Alimentação
Há dois restaurantes. Se tratando de uma ilha bastante pequena é é mais que o suficiente. (Não aceitam cartão de crédito)

Preservação
Mar e areia muito limpos. Trilhas também são bem cuidados pelos monitores do Iphan. O que ressalta a importância de cuidar do seu próprio lixo para manter o local limpo.

Trilhas
São cinco opções de trilhas que variam em tempo e valor. A mais curta dura cerca de 40 minutos e a maior 2 horas. Valores são de R$ 10 a R$ 25 por pessoa.

Mergulho
Ocorre ao lado da prainha, mas o acesso só é possível com barco. Dura cerca de 40 minutos e custa R$ 40 por pessoa. Equipamento está incluso. A atividade de mergulho é bastante prazerosa, porém não se compara com a vida marinha e visibilidade encontrada na Ilha do Arvoredo ou na Praia da Sepultura, em Bombinhas.

Custo por pessoa: Cerca de R$150
A ida e volta ocorrem com o mesmo barco e se permanece cerca de 4 horas na Ilha do Campeche. Entre transporte de barco, almoço, uma trilha e um mergulho. Gasta-se cerca de R$ 150,00. Claro que todas as atividades são opcionais.

Encontre a Ilha do Campeche entre as estrelas do Mapa de Verão do DC

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