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Turismo&história

Conheça por dentro o Farol de Santa Marta, construído há mais de 120 anos

Construção orienta embarcações e serve de posto de ajuda em Laguna, no sul do Estado

21/02/2014 | 07h32
Conheça por dentro o Farol de Santa Marta, construído há mais de 120 anos Alvarélio Kurossu/Agencia RBS
Lâmpada de 1000 watts e jogo de 300 cristais no topo do farol Foto: Alvarélio Kurossu / Agencia RBS
Os 142 degraus das escadas verdes sobem 29 metros em espiral por dentro do Farol de Santa Marta em Laguna, no sul do Estado. Lá no alto está uma pequena lâmpada, que apesar do tamanho é capaz de guiar quem está distante 85 quilômetros.

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Foto: Alvarélio Kurossu / Agência RBS
Potencializada por uma redoma com três metros de altura e com mais de 300 cristais que convergem a luminosidade na mesma direção, a luz transformou a região do Cabo de Santa Marta e deu significados diferentes à torre.

O farol é resistência. Para quem está em alto mar, à noite, a luz se acende três vezes no intervalo de 30 segundos e o feixe de luz conecta o pescador à sua terra. O vento dobra as ondas, mas a torre branca sobre a colina permanece firme como o alicerce da comunidade que surgiu assim que sua luz piscou, às 17h06min21seg do dia 11 de junho de 1891.

Desde então, o Farol de Santa Marta passou a fazer história. Guarnecido pelos marinheiros responsáveis pela sua manutenção, a região ganhou os primeiros moradores.

As embarcações aprenderam a observar o feixe vermelho da luz voltado para o sul que indica a posição exata da Pedra do Campo Bom, a Laje da Jagua. A traiçoeira formação rochosa havia afundado o navio de Giuseppe Garibaldi, 52 anos antes, durante a Revolução Farroupilha.

O farol também passou a ser referência em terra. Sua presença cativou pescadores que tornaram a Praia do Cardoso, ao lado da torre, um ponto de encontro. Todos os dias, os barcos chegam com peixe fresco, carregados com a renda, o almoço e um punhado de causos salgados pela maresia. Se os primeiros chegaram e ficaram, a segunda geração nasceu sob a luz do farol.

— O farol é sinônimo de casa. É como um conforto em alto mar — conta o pescador Elton Martins, 40 anos, enquanto tira o peixe espada da rede.



Para vistar o Farol de Santa Marta

Para fazer uma visita guiada é necessário agendá-la com dois dias de antencedência. A dica é ser pontual, afinal os marinheiros estarão esperando com disciplina militar no horário marcado. Para marcar ligue para a Capitania dos Portos de Laguna: (48) 3644-0196.

Características:

Inaugurado em 1891
Alcance geográfico (visível durante o dia com tempo limpo): 22 milhas náuticas ou 40,7 quilômetros
Alcance luminoso (à noite com tempo limpo): 46 milhas náuticas ou 85,1 quilômetros
Altura da torre: 29 metros
Altitude: 74 metros
Câmera de luz: formada por cerca de 300 cristais com 2,66 metros de diâmetro e 3 metros de altura. Lâmpada de 1000 watts
Característica: grupo de ocultação de três lampejos. No período de 30 segundos, fica 15 aceso; 5,5 apagado; 0,3 acesso; 3,4 apagado; 0,3 acesso e 5,5 apagado


Veja fotos do Farol de Santa Marta



Sinônimo de trabalho para três marinheiros

O farol é sinônimo de trabalho para três marinheiros. Eles vivem com suas famílias em casas simples ao pé da torre. Fazem medições meteorológicas a cada três horas e as transmitem para o Rio de Janeiro. Com disciplina militar, mantêm tudo limpo e tão lustrado que a sola do tênis marca qualquer lugar do assoalho ou do piso.

O esmero dos marinheiros garante o funcionamento do farol. Desde 1941, o sistema que acende a lâmpada e gira a enorme redoma de cristal é elétrico, mas toda a estrutura de 122 anos está em pleno uso.

O farol é informação. Mesmo em tempos de GPS, ver a luz no horizonte é confirmar os dados eletrônicos. Além de fornecer informações meteorológicas, o farol de Santa Marta emite sinal de rádio para navios que também é usado para a aviação. Os marinheiros ainda estão 24 horas atentos para receber qualquer chamado e ajudar se necessário.

Mas desde as primeiras pedras da torre, unidas com areia e óleo de baleia, e até mesmo quando o farol não mais existir, ele será sinônimo de saudade. Quem o construiu estava longe de casa. Quando inaugurado, passou a indicar o lar para quem estava distante.

Quem mora à sua sombra, lembra que ele sempre esteve ali, iluminou seu pai e seu avô a atracar na Praia do Cardoso. Até mesmo Giuseppe Garibaldi teria sentido saudade do dia em que o farol existiria e evitaria seu naufrágio. E quem ainda não conhece, terá vontade de um dia poder sentir saudade.

A mudança no litoral

Basta olhar o mapa de Santa Catarina para entender a importância geográfica do Cabo de Santa Marta. Ao sul, o território catarinense segue a linha comprida e espraiada que vem do Rio Grande do Sul, em uma curva longa em direção nordeste. Mas quando chega na colina que abriga o Farol de Santa Marta, o litoral vira no sentindo norte e passa a receber de frente as águas do Oceano Atlântico. A costa catarinense passa a ter diversas baías e fica mais protegida.

Cotidiano envolve pesca e turismo

O Farol de Santa Marta também significa turismo para a comunidade de 3 mil habitantes que vive próxima. Entre as praias do Cardoso e Prainha, há diversas pousadas que recebem turistas em busca de tranquilidade e uma dose de nostalgia. E os restaurantes servem o peixe fresco, comprado de manhã.

O Cabo de Santa Marta começa, ao sul, no canal do Camacho, limite entre os municípios de Jaguaruna e Laguna. E antes da Praia do Cardoso, está a Praia da Cigana, uma das preferidas pelos pescadores locais. Mas para chegar ao farol é preciso deixar a Estrada Geral e pegar uma via em que a construção do asfalto desafia a força do vento que move as dunas.

Logo o Farol de Santa Marta surge e deixa claro a sua imponência. Mais alto que os morros ao redor, sobre as praias e sobre todos, ele estará onipresente em qualquer ponto do litoral até Laguna. O vento nordeste joga as ondas sobre as pedras e uiva quando arranha a ponta das antenas.

A visita ao Farol de Santa Marta é guiada pelo faroleiro, principal responsável pela manutenção do equipamento. Ele explica o funcionamento e aproveita para contar algumas histórias. A paixão pelo lugar e a escolha pela profissão ficam claras no caminho até a câmera onde antigamente o faroleiro dormia. Móveis antigos, documentos e ferramentas de 122 anos guardados como tesouros da marinha.

Das janelas se observa a curva que o litoral catarinense faz ao cruzar o cabo de Santa Marta. Do sul até ali as praias são longas, depois começam a se quebrar e são interrompidas por costões. A primeira delas no sentido norte, é a Prainha, aos pés do farol. Mas duas vazões de esgoto ao ar livre sujam a beleza das areias.

Uma trilha de 500 metros separa a comunidade do farol da Praia Grande. Com 4 quilômetros de extensão, a faixa de areia é também larga e se de um lado tem o mar, do outro tem um horizonte de dunas. Altas e baixas, grandes em formatos de pirâmides, ou menores do tamanho de casas. Mas na imensidão, a sensação é de estar em uma praia deserta, com o Farol de Santa Marta sempre a te observar.

Foto: Alvarélio Kurossu / Agência RBS

O segredo é estar oculto @SalvadorNGomes

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