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Usuário, evite desmaiar!

Em caso de emergência, socorro no trem pode depender até do trânsito

Além de ter ambulâncias apenas nas estações de Canoas e São Leopoldo, redução do efetivo do Trensurb compromete atendimento de saúde

19/02/2014 | 10h01
Em caso de emergência, socorro no trem pode depender até do trânsito Mateus Bruxel/Agencia RBS
Por dia, pelo menos três pessoas passam mal no trem Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Se o passageiro da Trensurb sofrer um mal súbito em uma das seis estações da Capital, será preciso torcer para que o trânsito da BR-116 esteja fluindo como em um feriado. Por contrato, a empresa Risco Zero, que presta o atendimento de urgência e
emergência aos usuários, mantém ambulâncias somente nas estações de Canoas e São Leopoldo, distantes 9km e 27km, respectivamente, da Capital.

Pela mesma lógica, passageiros que precisarem de socorro entre as estações Mathias Velho e Unisinos também correm o risco de não serem atendidos em dias de congestionamento ou alagamento da rodovia.

Em 2013, 1.115 pessoas – média de três por dia – foram socorridas por algum tipo de síncope. Deste total, 760 foram atendidos pela Risco Zero, 146 delas com necessidade de remoção. Os demais 355 foram socorridos por funcionários da Trensurb e não
necessitaram do serviço de ambulâncias.

Este é apenas um dos motivos para preocupação. Durante a reportagem, foi constatado que um dos vagões estava sem extintor de incêndio. Segundo o presidente do Sindimetrô, Luís Henrique Chagas, o problema não se restringe apenas à falta de
equipamentos básicos de segurança.

Faltam funcionários

O primeiro atendimento antes da chegada dos médicos foi afetado pela redução no quadro de funcionários, especialmente da segurança.

- O número de monitores deveria ser o dobro de hoje. Tem estação com apenas
três seguranças trabalhando. E há os que estão de férias e pelo menos 20 em desvio de função – denuncia o presidente do Sindimetrô.

Hoje, o sistema com 22 estações e que transporta cerca de 168 mil passageiros por dia, no verão, é monitorado por apenas 80 seguranças, segundo o Sindimetrô. A  Trensurb garante que são 108. Além do número pequeno de servidores, Luís afirma que há falta de qualificação:

– Não adianta ter equipamento e não ter treinamento nem efetivo para operar.

Segurança nas estações

Supervisor de segurança da Trensurb, Leonardo Miranda Freitas afirma que todos os funcionários têm cursos de primeiros socorros e de prevenção contra incêndio. Sobre o
número reduzido de ambulâncias, o supervisor disse não se preocupar.

– Temos viaturas da empresa que podem ser utilizadas para transporte de usuários – afirmou Leonardo.

De acordo com o supervisor, cada estação conta com kit básico de atendimento com
luvas, bombeador de oxigênio, gaze, soro fisiológico, esparadrapo, tesoura, faixa e até absorvente feminino, além de macas e cadeiras de rodas. Seis estações (Rodoviária, Niterói, Petrobras, Industrial, Fenac e Novo Hamburgo) dispõem também de um equipamento chamado garaventa, espécie de suporte que auxilia no deslocamento de
cadeirantes em escadas fixas.

– Pessoas com deficiência embarcam e desembarcam nas estações com o auxílio de um funcionário – garante Leonardo.

Saiba mais

Com proceder em caso emergência?
Situações como mal súbito, ou de utilização inadequada do metrô, como vandalismo e comércio no interior dos trens, podem ser comunicadas através do telefone 3363-8026 ou de SMS (mensagem de texto) para o número 8463-9863, ambos disponíveis 24 horas por dia.
A comunicação é recebida pelo centro de controle da Trensurb, que providencia a intervenção dos agentes de segurança mais próximos do local do chamado e, se necessário, de ambulância.
O usuário também pode procurar um funcionário da Trensurb.
A empresa Risco Zero conta com médicos e paramédicos que utilizam UTIs móveis, equipadas com respirador, desfibrilador e medicamentos, entre outros.

Portadores de necessidades especiais
O usuário é conduzido por um segurança operacional e embarcado, para melhor identificação e auxílio, no primeiro carro e primeira porta do trem.
Há elevadores nas estações Mercado, São Pedro, Canoas, Mathias Velho, Unisinos e São Leopoldo.
Nos trens, há reserva de lugares para preferência dos passageiros com necessidades especiais, idosos, gestantes e pessoas com crianças de colo.
A Trensurb possui também esteiras transportadoras de cadeira de rodas (garaventa), visando ao atendimento rápido e com máxima segurança.

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