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Fogo amigo

Polícia investiga envolvimento de PMs em caso de incêndio de viaturas em Porto Alegre

As primeiras análises dos peritos mostram que fogo foi premeditado

27/02/2014 | 06h04
Polícia investiga envolvimento de PMs em caso de incêndio de viaturas em Porto Alegre Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Viaturas da BM foram incendidadas na Academia da Polícia Militar Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Os mais de 30 policiais do serviço reservado da Brigada Militar que investigam o incêndio de 10 caminhonetes zero-quilômetro estacionadas no pátio da Academia de Polícia Militar, ocorrido na noite de segunda-feira, apostam numa linha de investigação: "fogo amigo", para ficar num trocadilho.

Há certeza de que ocorreu um atentado, e as suspeitas maiores recaem sobre integrantes da própria BM. A motivação é desconhecida. As primeiras análises dos peritos são taxativas de que houve o fogo foi premeditado.

A academia ministra atualmente um curso para o posto de capitão com 194 candidatos a oficial da BM, todos com curso superior. As vidas deles estão sendo averiguadas em detalhes, para verificar se há qualquer pista no sentido de que possam estar envolvidos em algo relacionado ao atentado. Um grupo de 15 PMs que faziam a guarda também é investigado. Dois deles tiravam serviço e faziam vigilância numa guarita situada a poucos metros do local do incêndio. Todos foram ouvidos em separado e liberados somente às 19h de terça-feira, quase 24 horas após o incêndio.

— A verdade é que as investigações estão focadas em alguma represália feita por alguém da própria corporação, talvez descontente até por razões pessoais ou alguma punição — afirma um ex-comandante da BM, ouvido por ZH.



Um dos focos da apuração são os grupos de brigadianos que participaram de atos de vandalismo durante os protestos por melhores salários. Será checado se algum dos alunos ou guardas da academia tem relação de proximidade com suspeitos de realizar baderna durante as manifestações por salário em 2011 e que incluíram fogo em barreiras de pneus e até bombas caseiras. No ano passado, um sargento e um soldado chegaram a ser investigados por um episódio semelhante ao atual: duas viaturas da BM foram incendiadas no pátio da Secretaria da Segurança Pública, em Porto Alegre. Eles tinham sido afastados de seus postos, numa punição. A investigação não conseguiu provas, e o caso está estagnado.

BM busca testemunhas no entorno da academia

O Comando da BM também começou uma operação varredura nos arredores em busca de testemunhas para esclarecer o que possa ter acontecido. Os veículos incendiados agora estavam estacionados embaixo de árvores, a poucos metros de um muro baixo que separa o pátio da academia da Avenida Aparício Borges, na zona leste de Porto Alegre.

O local está sendo usado como depósito provisório de 206 viaturas da Brigada Militar (BM) que estão sendo distribuídas para várias unidades. As incendiadas estavam designadas para as cidades da Fronteira.

— Estamos conversando com funcionários dos postos de combustíveis da região e com os moradores e vizinhos da academia, com o objetivo de saber se alguém viu alguma coisa que possa ajudar a nossa investigação. Como o incêndio pode ter sido causado por gasolina, vamos ver quem comprou nas imediações — informa o chefe do Estado Maior da BM, coronel Alfeu Freitas.

A suspeita dele é que houve um atentado.

Líderes de entidades não acreditam em ação militar

Um Inquérito Policial-militar (IPM) foi aberto pela Corregedoria da Polícia para investigar o caso.

A onda de investigações de PMs feitos pelos próprios colegas preocupa Leonel Lucas, presidente da Associação de Cabos e Soldados da BM.

— Concordo com a ideia de que seja um incêndio criminoso, mas não acredito que tenha sido provocado por brigadianos. Isso pode ser coisa de vândalos ligados a radicais, que pularam o muro num momento de distração — especula.

A preocupação maior de Lucas é que não sejam tiradas conclusões precipitadas a respeito da tropa.

O tenente-coronel José Carlos Riccardi Guimarães, presidente da Associação dos Oficiais da BM, diz que o ataque às viaturas é consequência da política governamental de "recuar em relação aos vândalos" que protestam desde o ano passado.

A Secretaria da Segurança Pública avisa que o governo federal vai comprar novos veículos para substituir seis que tiveram perda total após o incêndio. Outros quatro veículos danificados pelo fogo serão reformados.

 

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