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Adversário de José Ivo Sartori nas prévias do PMDB, Paulo Ziulkoski diz que defende o municipalismo

Presidente da Confederação Nacional dos Municípios disputa com caxiense vaga para concorrer ao governo do Estado

04/03/2014 | 06h04
Adversário de José Ivo Sartori nas prévias do PMDB, Paulo Ziulkoski diz que defende o municipalismo Galileu Oldenburg/Divulgação
Ziulkoski (ao centro) recebe cumprimentos dos correligionários Foto: Galileu Oldenburg / Divulgação

O advogado e presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Roberto Ziulkoski, 68 anos, disputa com o ex-prefeito de Caxias do Sul José Ivo Sartori a preferência para concorrer ao governo do Rio Grande do Sul pelo PMDB nas eleições de outubro. A decisão será tomada na pré-convenção do partido em 15 de março, que ocorre das 9h às 15h, no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa. Ferrenho defensor da causa municipalista, ele entende que esse é o caminho que o Brasil tem que trilhar pela definição do pacto federativo.

O peemedebista é idealizador da Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, realizada anualmente pela CNM desde 1998. Elogiando muito Sartori, garante apoio caso seja o ex-prefeito de Caxias o vencedor da disputa interna na sigla. Diz que não terá constrangimento se o PMDB gaúcho apoiar a candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), pois seguirá a determinação do partido.

Paulo Roberto Ziulkoski foi prefeito de Mariana Pimentel, ex-distrito de Guaíba, sua terra natal, de 1993 a 1996 e de 2000 a 2004. Foi o primeiro presidente do setor jovem do MDB no Estado, em 1973, e, após, presidiu o MDB Jovem nacional. Foi presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) por duas vezes. Está à frente da CNM desde maio de 1997. O atual mandato vai até maio de 2015.

É vice-presidente da organização Cidades e Governos Locais Unidos, com sede em Barcelona (Espanha), e vice da Federação Latino-americana de Cidades, Municípios e Associações de Governos Locais, com sede em Quito (Equador). Confira a entrevista que ele concedeu ao Pioneiro sobre as prévias do PMDB:

Pioneiro: Por que o senhor ingressou na disputa para ser o candidato a governador pelo PMDB?

Paulo Ziulkoski:
Hoje não tenho talvez o apoio da cúpula do partido, mas estou pela primeira vez nesse debate por uma candidatura, e o Sartori também, que é um grande companheiro, um municipalista também, um homem íntegro, honesto, que submete todo o seu conhecimento para honrar o nosso partido se for o candidato. Só entrei porque entendo que a questão municipal tem que estar no debate da eleição. Nós vamos ter uma proposta, e se não for vitoriosa vamos fechar com o outro candidato para colocar isso: enquanto o cidadão não tiver todas as informações do Estado e ele não for o protagonista na gestão desse Estado, não tem solução, porque o cidadão está no município, é lá que ele paga imposto e quer a solução das suas necessidades.

Pioneiro: Como surgiu da sua pré-candidatura?

Ziulkoski:
Foi a associação dos prefeitos, inicialmente, através de uma adesão de quase 50 prefeitos que subscreveu um documento, liderada pelo prefeito de Cruz Alta (Juliano da Silva), que é o presidente da associação (Associação de Prefeitos e Vices do PMDB/RS), e também pela associação dos vereadores. Eu só aceitei colocar meu nome à disposição se essa fosse a discussão também, a questão municipalista, e que não fosse decidido numa janta, num almoço, mas que fosse decidido pelas bases do partido.

Pioneiro: Por que quer ser governador e o que fará concretamente pelo Estado, se for o candidato pelo PMDB e vencer as eleições?

Ziulkoski:
A primeira coisa que um governador municipalista tem que fazer é abrir as portas do Estado, escancarar e dar transparência na gestão, mostrar o porquê está entravada a área tal e tal. Chamar o cidadão, via municípios — prefeito, vereadores, sindicatos, imprensa local, conselhos municipais, entidades de classe. Mas isso é um trabalho artesanal. Quem pode fazer isso é quem foi prefeito, isso tem que mudar, não é o governador que se enclausura em Porto Alegre. Como é que vai enfrentar a questão previdenciária, do PIB do RS que vem caindo, o endividamento? Aí é outro debate. O município, o cidadão, junto com o governo do Estado, deve fazer essa peregrinação em Brasília de forma democrática, mas contundente. Não podemos mais ficar dizendo que apoia fulano ou fulana para o governo federal, porque todos vão nos tratar igual. Está aí a prática e não tem nada de novo na política. Quem são os candidatos? De que lado eles estavam até ontem? A minha proposta é discutir o Rio Grande do Sul. Eu não preciso mostrar o que fiz no passado, porque está tudo registrado nos jornais, na televisão. Não abro mão de debater esse conflito, por isso que não tenho apoio da cúpula.

Pioneiro: A prévia pode resultar numa divisão do partido?

Ziulkoski:
Da minha parte não dá divisão. Se o candidato for outro, vou trabalhar pelo outro e tenho dito isso sistematicamente. Ninguém vai ver qualquer ofensa, ataque ou desqualificação do Sartori, pelo contrário. Muitos já quiseram entrar nisso dizendo bobagem, não foi o Sartori, mas pessoas que apoiam ele. Nós não vamos entrar nesse nível, porque nós temos que unir o partido. Se nós não tivéssemos entrado nesse debate, não estaríamos ainda com candidato, não estaríamos mexendo com essa base, não estaríamos unificando o partido e dia 15 de março vai ser, se Deus quiser, um aumento de movimentação. Se for o Sartori o indicado, ele vai contar com todo esse apoio e não vão ficar nessa indecisão como era antes, de se reunir numa janta e tentar resolver em Porto Alegre os problemas do partido. O que me estimula é o movimento municipalista, que é a questão do pacto federativo. O cidadão quer saber o que vai mudar na vida dele com o governo novo.

Pioneiro: Qual o ponto mais caótico hoje no Estado?

Ziulkoski:
Todos são problemas, não tem como hierarquizar, mas isso é cotidiano todo mundo afirmar. Saúde é o que está mais em evidência, é uma questão conjuntural, do momento, esse é o que salta mais. Mas para estruturar o Estado e o país nós temos que investir em educação e em segurança. Não podemos ter a ilusão e dizer em campanha que vai ter a solução para o Rio Grande do Sul. Vamos entrar para discutir tudo isso já sabendo que é para um mandato de quatro anos, porque quem pensar em reeleição já não governa como deveria ser. Tem que ser um governo para tentar reorganizar nosso Estado e para reorganizar nosso Estado, não sei quantas décadas vai levar.

Pioneiro: Há comentários de que o senhor apoiaria a reeleição da presidente Dilma, do PT. Como avalia isso?

Ziulkoski:
Se eu for candidato, é a governador. A questão nacional o partido vai resolver, não só a cúpula, de dois ou três que optam por esse ou aquele, por interesses pessoais muitas vezes, de ter uma candidatura, uma composição. Para nós, é o partido que tem que decidir, os prefeitos, os vereadores, um universo de quase 3 mil pessoas que vão poder em junho decidir para que lado vai. Eu, particularmente posso ter a minha opinião, e repito, qual foi o nosso trabalho na marcha frente à presidente Dilma? Eu não preciso provar nada. Eu não fui no Palácio pedir favor para o meu município. Eu estou falando dos municípios do Brasil, a minha posição é muito clara. O Eduardo Campos (do PSB), um grande governador, nada contra, mas não estava no governo até ontem? O que tem aí de novo? E o Aécio (Neves, do PSDB)? Estão querendo colocar na minha testa que eu sou candidato da Dilma. Estou sendo lançado por prefeitos e vereadores. Se outros estão aí me apoiando, como vou dizer que não aceito apoio? Tem outros que estão por trás de quem? Que interesses têm por trás? Por isso estão aí meio perdidos, sem saber o que vai dar essa prévia. Nem o nosso pessoal, nem o do Sartori sabe o que vai dar. A base é que vai falar. Estou muito tranquilo, não pedi para ser candidato. Foi um grupo que me procurou. Isso é coisa de um mês para cá. Estou muito tranquilo, temos que somar. Se o Sartori for o escolhido, vamos trabalhar para ele e esperamos a recíproca igual. Conheço o Sartori desde a época da ditadura, sei da sua idoneidade, da sua consistência partidária.

Pioneiro: Se o posicionamento do PMDB no Estado for o de apoiar a presidente Dilma, o senhor teria constrangimento?

Ziulkoski:
Tenho um conhecimento bom de Brasília, eu penso que existe este conflito federativo. Não posso concordar que 60% do que se arrecada no nosso Estado vá para Brasília e pouco volte para cá, nós temos que ter um embate com a União e defender nosso Estado. Eu posso ter minha posição pessoal, mas não posso deixar de reconhecer que quem participa de um processo democrático tem que aceitar a opinião da maioria. Eu não estou discutindo a questão nacional agora. A nossa proposta é diferente, sei que outros estão colocando condições para ser candidato a governador. Eu não estou condicionando a isso, estou respeitando a decisão que o partido vai adotar. Que constrangimento vai ter? A minha posição é conhecida. A minha posição é de embate na defesa dos municípios, porque é lá que a coisa acontece. Se amanhã, eventualmente, for candidato e tiver que trabalhar com o candidato A ou B, não vai ter constrangimento, porque a minha posição é transparente, vai ser sempre essa. Jamais fui ao Palácio pedir um favor cá ou lá, ou numa reunião com a presidente por questões pessoais, nunca fui recebido por ela, a não ser na última marcha com um grupo de prefeitos. Eu estou lá sempre discutindo a questão dos municípios e esta é a nossa postura. Temos que fazer o Senado sair da toca e discutir essa questão federativa. Temos que parar de sangrar. O Rio Grande do Sul tem uma sangria de R$ 11 bilhões por ano de renúncia fiscal. Eu não tenho constrangimento nenhum, seja Eduardo Campos, seja Aécio, seja a presidenta Dilma. O que o partido decidir nós vamos seguir à risca.

Pioneiro: O senhor se sente mais preparado do que Sartori para concorrer ao governo?

Ziulkoski:
Não. Não me sinto mais, também acho que nem menos. Somos pessoas que todo mundo conhece. Me honra muito estar nesta disputa com ele. É uma pessoa de nível, de capacidade.

Pioneiro: Disseram que o senhor iria retirar seu nome. Pretende manter, está certo?

Ziulkoski:
Está certo, está encaminhado. Se tivesse uma composição há um mês ou dois, nós não precisaríamos estar nessa situação. Como a coisa foi evoluindo e crescendo, eu também tenho a palavra interna com aquele grupo que me apoia. Se esse grupo entender que eu tenho que retirar, eu vou retirar. Eu sempre vou pela maioria. Na prévia, quem comanda não sou eu. Eu até posso ajudar, até tentar encaminhar, mas é esse grupo quem decide. A candidatura não é minha, é dos municípios, da maioria dos prefeitos e vereadores.

Pioneiro: O que faltou para a composição?

Ziulkoski:
A gente sabe que no Estado tem um grupo de meia dúzia do partido que sempre decidiu. Nada contra eles, mas agora nós mudamos. É isso que está surpreendendo muita gente, porque estava sendo encaminhado em alguns jantares que ocorriam . Respeitamos essas pessoas, por isso que você não vai ver essas lideranças tirando foto comigo. Espero que depois, se ganhar, tenha essa compreensão e haja unidade. Nós não estamos trabalhando contra. Nunca fui procurado, nunca me convidaram para discutir, fazer uma proposta. Desafio alguém a dizer que me convidaram para uma reunião dessas. E até não me convidaram talvez porque sabem o meu perfil. Eu não quero decidir as coisas dentro de quatro paredes.

Pioneiro: O presidente do partido disse no ano passado que sairia de Caxias o nome do candidato ao governo, mas não houve uma definição. Foi mal conduzido?

Ziulkoski:
Não quero polemizar, estou olhando objetivamente, mas o partido há quase um ano já dizia que a decisão ia ser em junho, depois em setembro, depois em dezembro. Isso acabou deixando angustiada a base do partido. Essa movimentação toda não precisaria ter existido, nós poderíamos já estar trabalhando em cima da candidatura.

Pioneiro: Caso o senhor não seja o escolhido, pode disputar outro cargo eletivo? O Senado, se Pedro Simon não concorrer?

Ziulkoski:
Eu nunca disse que sou e nem descarto nada, estou trabalhando com o partido. Se meus companheiros entenderem que é importante, vou ouvi-los. O que decidirem, vou acompanhar. Está entravado (o processo) também porque Simon ainda não decidiu. Tudo está muito preso por aí, a própria candidatura do Sartori, acho que uma coisa está ligada a outra.

 
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