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Zona de confilto

Após prisões, guerra do tráfico na Vila Maria da Conceição tem fase de calmaria

Polícia vigia de perto a movimentação no local, que tem vácuo no poder da venda de drogas após queda de líderes de império da droga

20/03/2014 | 11h25
Após prisões, guerra do tráfico na Vila Maria da Conceição tem fase de calmaria Eduardo Torres/Diário Gaúcho
Luis David Amaral de Souza, o Smile, e Rosecler Pires foram presos pela 4ª DHPP, apontados como os atuais líderes do tráfico na Vila Maria da Conceição Foto: Eduardo Torres / Diário Gaúcho

Com a prisão do casal Luis David Amaral de Souza, o Smile, e Rosecler Pires, sexta passada, os olhos das autoridades estão voltados para a Vila Maria da Conceição, Bairro Partenon, na Zona Leste da Capital. A queda dos dois últimos líderes do império da droga deixou um vácuo no poder. E a regra no tráfico é clara: sempre que há uma lacuna, há disputa por espaço.

- Ainda não surgiu nova liderança. O tráfico na Conceição diminuiu em poder de fogo e talvez em quantidade. Mas persiste de forma pulverizada, com pequenas lideranças tentando se sobressair. O desafio é não deixar se criar esse poder - diz o delegado Mario Souza, do Denarc.

Em 2012, o bando liderado por Paulo Ricardo Santos da Silva, o Paulão, rachou e deu início a uma guerra pelo poder. Pelo menos 20 líderes foram mortos ou presos. Antes disso, a maior parte da família de Paulão saiu da vila.

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O esfriamento do conflito seria a chance de o poder público recuperar a Conceição. Mas, por enquanto, não há indícios disso.

Ordem da BM é não aliviar

- É uma área de histórica presença de vulnerabilidade social e tráfico. Por outro lado, há lideranças muito positivas. Se houvesse orçamento, certamente pediríamos a criação de um Território da Paz para garantir presenças diferenciais do Estado e policial - diz o comandante do 19º BPM, major Welyngton Rosa.

A ordem, segundo ele, é não aliviar. Desde fevereiro, o batalhão intensificou as patrulhas na vila, sobretudo à noite, com o apoio do Batalhão de Operações Especiais.

Maradona faz sombra a Paulão

Os próximos passos na guerra podem estar sendo traçados na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc). Em agosto de 2013, Paulo Márcio Duarte da Silva, o Maradona, foi transferido para lá. Está na galeria liderada por Paulão.

A polícia apura se Maradona está aumentando sua influência e passando por cima do tradicional patrão da Zona Leste.

O estopim para a reviravolta teria ocorrido no final de 2013. Paulo Ricardo Pires, o Primo, líder no tráfico da Restinga e aliado de Paulão, teria brigado a socos com o Beto Drey - enteado de Paulão.

Dias depois, Primo foi espancado. A ordem não teria sido de Paulão, mas de Maradona. Desde então, informações dão conta de que Maradona teria assumido maior importância que Paulão.

Na sua volta ao Estado, após 28 meses no Presídio de Catanduvas (PR), Maradona havia sido recebido por Paulão.

Repercussão sentida na Zona Sul

Se as mortes cessaram na Conceição em 2014, os bandos alimentados pela guerra parecem ter aumentado a violência em outros pontos. Na Vila Cruzeiro, entre os bairros Santa Tereza e Cristal, houve ao menos 18 homicídios em 2014. E outras 13 mortes na Restinga.

Conforme a 1ª e a 4ª DHPPs, nessas duas áreas, soldados do crime teriam sido recrutados por Xu, rival de Paulão, atualmente no Central.

- Foram grupos que cresceram na hierarquia do crime a partir dessas missões na Conceição. Naturalmente, eles passam a atuar com mais violência nos seus bairros - diz o delegado adjunto da 4ª DHPP, Rodrigo Pohlmann.

O recrutador de aliados na Zona Sul era Smile. Ele e a companheira, Rosecler Pires, seriam mentores da Gangue dos Primeira, que teve sua liderança desarticulada no final de 2013.

Entenda a guerra

Um desentendimento interno levou à execução de Juvenal, um dos principais gerentes do tráfico, causando racha no bando de Paulão em 2012.

Depois de tentativas de retomar a estabilidade no comando, Paulão viu seu poder desafiado pelo fortalecimento de Xu, outro gerente, no início de 2013.

Xu era apoiado por pelo menos dois antigos soldados da Conceição e por criminosos da Restinga. A aliança permitia o recrutamento de traficantes vindos de fora da vila para executar aliados de Paulão.

O conflito provocou realinhamento de forças entre facções criminosas, sobretudo dentro das cadeias. Os Bala na Cara estariam amparando Xu, enquanto os Manos seriam aliados de Paulão.

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