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40 anos da enchente

Barragens projetadas após tragédia de Tubarão não saíram do papel

Obras realizadas no passado não evitariam enchente como a de 1974, diz Defesa Civil

21/03/2014 | 17h46
Barragens projetadas após tragédia de Tubarão não saíram do papel Caio Marcelo/Agencia RBS
Rafael Marques, secretário da Defesa Civil de Tubarão, afirma que é preciso retomar obras preventivas Foto: Caio Marcelo / Agencia RBS

Para compreender o poder devastador da enchente de 1974 em Tubarão, basta estimar que a única obra de prevenção realizada depois do evento — e que elevou em 400% o volume de vazão do Rio Tubarão — não seria suficiente para conter uma precipitação igual nos dias de hoje. Enquanto a vazão atual é de 2 mil metros cúbicos por segundo,  corriam 3,8 mil naquela inundação.

 

>> Leia mais na página especial sobre a enchente de Tubarão

A obra começou a ser executada em 1978 e foi concluída em 1982, deixando para trás os planos monumentais de construção de quatro barragens no Sul do Estado, anunciados ao fim do rescaldo da grande enchente, e que muito contrastam com iniciativas ainda em implantação.

No final de 2013, a Defesa Civil instalou a primeira estação meteorológica no município para monitorar as condições do tempo, pluviômetros para medir o volume das chuvas e estações de nível no rio em Tubarão, Orleans e São Ludgero.

O engenheiro químico Rafael Marques tinha 14 anos na época da enchente. Cresceu determinado a compreendê-la e entendeu que os desastres são cíclicos. Hoje ele está à frente da Secretaria da Defesa Civil de Tubarão.

—  Na hidrologia, isso se chama período de recorrência. Há registros das maiores cheias desde 1880, depois de 1907, 1926 e 1974. Olhando para a história, a gente já vê que isso se repetirá — preocupa-se.

O secretário afirma que é preciso retomar as obras de prevenção, enquanto o plano de contingência da Defesa Civil começa a sair do papel.

—  Inundações periódicas que vinham a cada cinco anos praticamente não aconteceram mais depois da retificação do rio. Mas esse projeto tinha outra proposta, quatro barragens. Uma em Pedras Grandes, duas em Braço do Norte e uma em Armazém, mas que não vieram a ser construídas — explica o secretário.

Os próximos passos são a implantação de mais estações meteorológicas e a prática de simulações de evacuação nos primeiros bairros de Tubarão a serem atingidos em caso de enchente. 

Segundo a Defesa Civil Estadual, Tubarão tem necessidade de uma nova obra de dragagem e retificação. Ela está em fase de execução de projeto e o estudo ambiental. O órgão aguarda investimentos federais de R$ 300 milhões para investimentos no Sul do Estado.


 

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