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Ofensiva bolivariana

Governo venezuelano acusa EUA de financiarem violência

Presidente Maduro determinou reforço nas operações contra manifestantes

14/03/2014 | 17h27

O governo da Venezuela ampliou nesta sexta-feira as operações contra manifestantes radicais, após acusar os Estados Unidos de quererem financiar ações violentas em seu país.

O ministro do Interior e da Justiça, Miguel Rodríguez Torres, informou que os agentes venezuelanos multiplicaram as apreensões de objetos utilizados por manifestantes radicais.

As operações ordenadas pelo presidente Nicolás Maduro, incluem um aumento da presença policial e a detenção de radicais, principalmente em Caracas, na cidade de San Cristóbal, berço dos protestos, e em Valência, onde dois civis e um guarda nacional morreram a tiros em três incidentes separados.

Segundo a imprensa local, em Valência, onde na quinta-feira seis homens foram presos com explosivos, ao menos outras oito pessoas foram interpeladas em uma operação.

A Venezuela vive há um mês uma onda de manifestações contra a insegurança, a inflação de 56% anual, a escassez de produtos básicos, a repressão dos corpos policiais e a detenção de ativistas. Todos os dias ocorrem protestos, bloqueios de ruas e confrontos entre forças de ordem e manifestantes radicais.

O principal alvo desta contestação é o presidente Nicolás Maduro, eleito por uma pequena margem de vantagem em abril passado, que denuncia uma tentativa de golpe de Estado fomentada com a ajuda dos Estados Unidos.

Segundo dados na procuradoria geral, os protestos deixaram 28 mortos e cerca de 400 feridos, mais de cem detidos e 41 investigações por violação dos direitos Humanos por parte das forças policiais.

Nesta sexta-feira, Caracas e outras cidades continuam seus esforços para retornar à normalidade.

Chanceler Jaua acusa Kerry de ser "assassino do povo venezuelano"

O chanceler venezuelano Elías Jaua classificou nesta sexta-feira em um discurso inflamado o secretário de Estado americano John Kerry de ser "o assassino do povo venezuelano" ao acusá-lo de incentivar a onda de protestos que sacode a Venezuela.

"Não vamos baixar o tom, denunciamos você como um assassino do povo venezuelano, senhor Kerry", disse, rejeitando as pressões dos Estados Unidos contra o governo venezuelano.

"Cada vez que estamos a ponto de isolar e reduzir os violentos, Kerry faz declarações e imediatamente começam as confusões - barricadas em chamas - nos principais focos de violência. Na quarta-feira, ele fez declarações e à noite tivemos mais mortos, incluindo um capitão da Guarda Nacional Bolivariana (GNB)", acrescentou.

Kerry falou na quarta-feira que Washington estaria preparado para impor sanções contra a Venezuela, apesar de insistir em defender um esforço interamericano para impulsionar uma solução para a crise originada por uma onda de protestos contra o governo de Nicolás Maduro.

Em Genebra, a procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, acusou os Estados Unidos de querer financiar ações violentas em seu país depois que parlamentares americanos propuseram desbloquear fundos para ajudar organizações e ativistas.

Os parlamentares americanos pediram que este dinheiro seja desbloqueado "sem dúvida (...) para financiar estas ações violentas que estão ocorrendo na Venezuela, para comprar C4 (uma substância explosiva)", declarou Díaz durante uma coletiva de imprensa em Genebra, à margem do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Na quinta-feira, senadores americanos apresentaram um projeto de lei que prevê instaurar sanções contra as autoridades da Venezuela que estejam envolvidas nas violações de direitos humanos e desbloquear 15 milhões de dólares (10,8 milhões de euros) para ajudar diversas organizações de defesa dos direitos humanos, jornalistas, ativistas e outros manifestantes perseguidos na Venezuela.

Após os protestos, Maduro instalou uma mesa de diálogo nacional, à qual sentaram-se diversos setores, incluindo empresários, mas estudantes e opositores se negam a participar.

Neste contexto de tensão, o presidente Nicolas Maduro advertiu as companhias aéreas que encerrarem suas operações na Venezuela não poderão voltar a operar no país, enquanto houver um governo chavista, após o anúncio por algumas empresas do cancelamento de voos por dívida do governo.

"A companhia aérea que reduzir (as operações), receberão medidas severas. A companhia que sair do país só voltará quando nós do governo formos derrotados", declarou em uma coletiva de imprensa.

Na quarta-feira, Tony Tyler, diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), com sede em Genebra, indicou que o governo venezuelano deve às companhias aéreas um total de 3,7 bilhões de dólares.

- Apreensão de objetos -

Arame farpado e metais pontiagudos para bloquear ruas, explosivos e produtos químicos para a fabricação de bombas incendiárias, flechas, lança-granadas, equipamentos de comunicação e estilhaços de argamassa foram apresentados nesta sexta-feira pelo ministro Rodríguez Torres.

O ministro mostrou até mesmo gráficos que teriam sido produzidos por radicais para definir suas estratégias para batalhas de rua.

Na quinta-feira, quando cerca de 200 jovens bloquearam os acessos à turística Plaza Altamira, no município de Chacao, a polícia nacional deteve trinta alunos em uma operação que durou apenas 20 minutos.

Ao cair da noite, centenas de encapuzados, armados com barras de metal e bombas incendiárias, novamente bloquearam as ruas com barricadas, o que deu lugar a uma nova intervenção policial.

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