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Paquera na areia

Jovens usam dispositivos tecnológicos para facilitar as conquistas na praia

O objetivo principal agora, basicamente, é conseguir o número de celular dele ou dela para, a partir disso, levar adiante o papo virtualmente

03/03/2014 | 07h13
Jovens usam dispositivos tecnológicos para facilitar as conquistas na praia Mauro Vieira/Agencia RBS
Melissa Rangel de Souza (E) teme "ilusões" online Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS

A antiga fórmula de conquista do mundo pré-Facebook e pré-WhatsApp, onde os que tinham a melhor "lábia" costumavam voltar para casa após o veraneio cheios de histórias amorosas para contar, está desaparecendo. Nas praias gaúchas hoje, são muitos os que recorrem à tecnologia para tentar o sucesso em uma paquera e poucos os que se expõem a uma longa conversa ao vivo, como constatou Zero Hora em Atlântida, um dos locais de mais azaração do Estado.

Com telefones em mãos permanentemente e diálogos entrecortados por olhadinhas periódicas aos aparelhos, os jovens buscam nas redes sociais e em aplicativos como o Tinder — que localiza possíveis "alvos" próximos e informa onde estão — uma aproximação que antes ocorria de forma espontânea em bares, quiosques e na areia.

O objetivo principal agora, basicamente, é conseguir o número de celular dele ou dela para, a partir disso, levar adiante o papo virtualmente e, talvez, confirmar um encontro. Se não der certo, o negócio é recorrer às tantas outras opções disponíveis.

Reunida com seis meninas na praia, todas solteiras e em clima de curtição de Carnaval, Tauana Artini, 22 anos, reclamava ontem dessa mudança de comportamento. Ela entende que a tecnologia está fazendo os homens se acomodarem, visão compartilhada por todo o grupo:

— Eu não tenho WhatsApp e é um problema. Vejo que os caras querem primeiro o telefone, porque é mais fácil. Está faltando ao homem ser mais corajoso, macho, chegar mesmo, ter atitude.

A amiga dela, Fernanda Fiorin Saldanha, 25 anos, lamenta que as investidas estejam mornas, padronizadas e até sem graça:

— Antes era emocionante porque se conversava sobre as coisas pessoalmente. Agora, tu podes pedir o número do WhatsApp para várias pessoas e tentar ficar com todas ao mesmo tempo, sem direcionamento.

O jovem Lucas Dorneles Fick, 23 anos, concorda com as críticas femininas e garante ser uma exceção. Para dar em cima de uma garota ontem em Atlântida, ele sentou-se ao lado dela e deixou a conversa correr solta.

— Eu puxo um assunto relacionado a algo que ela esteja fazendo ou com alguma coisa dela, tipo uma tatuagem. Não sou da tecnologia, vou no papo mesmo — conta.

— Por trás do telefone, o cara pode inventar todo um papel e não ser o que realmente é. Nada se compara a uma conversa ao vivo. Tem de bater aquela química de se identificar, uma amizade. Hoje, todos chegam pedindo o telefone e perguntando se eu tenho WhatsApp. Isso atrapalha — salienta Melissa Rangel de Souza, 20 anos.

Entre outras explicações levantadas pelas jovens para a falta de iniciativa, está a superficialidade, já que, por meio dos aplicativos e das redes sociais, não existe a pressão natural dos primeiros encontros e a necessidade de uma conversa profunda.

Por isso, ganham pontos e têm mais chances de se destacar os que fazem como o surfista René Engel, 29 anos. Na companhia de dois amigos, ele parou para falar com três garotas que tomavam banho de sol ao lado da plataforma e marcou um encontro para a noite, sem anotar o telefone delas.

— Vou ser sincera, é bem melhor do que pelo Tinder — conclui Laura Bacellar, 26 anos.


O surfista René Engel (centro) e os amigos ganharam pontos com a turma de Laura (à direita, sentada) ao apostarem no contato direto, enquanto a maioria aposta em aplicativos
Foto: Mauro Vieira

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