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Para uma boa viagem

Teste feito pelo 'Diário' aponta que a RSC-287 já não é a melhor rota rumo à Capital

Para mostrar as vantagens e as desvantagens de cada um dos caminhos, o Diário percorreu, em 11 de março, 550 quilômetros, totalizando 10 horas de estrada

18/03/2014 | 07h05
Teste feito pelo 'Diário' aponta que a RSC-287 já não é a melhor rota rumo à Capital  RONALD MENDES/Agencia RBS
Foto: RONALD MENDES / Agencia RBS

Cerca de 5,8 mil veículos passam por Santa Maria, por dia, em direção à RSC-287, rodovia que corta o Estado no sentido Leste-Noroeste. Além de ser a principal rota que liga, por quase 300 quilômetros, Santa Maria a Porto Alegre, a estrada ainda conta com um trecho que é rumo certo para quem sai do centro do Estado em direção à serra e ao litoral gaúchos.

Mas problemas como a falta de sinalização e buracos, até em trechos com pedágio, fazem com que muitos motoristas optem por chegar até Porto Alegre pela BR-392, passando por São Sepé e Caçapava do Sul, e, depois, pela BR-290. A rota alternativa tem cerca de 40 quilômetros a mais de estrada, mas sem pedágios - os três que existiam (dois na ida, em Pantano Grande e em Eldorado do Sul, e um na volta, em Charqueadas) foram desativados. Fora isso, o caminho tem fluxo menor de veículos e menos problemas de infraestrutura.

Para mostrar as vantagens e as desvantagens de cada um dos caminhos, o Diário percorreu, em 11 de março, 550 quilômetros, totalizando 10 horas de estrada. No caminho, a atenção se voltou aos buracos, à sinalização e à movimentação nas rodovias. A reportagem conversou com 15 motoristas, ao longo da viagem, que deram opiniões sobre as estradas. Confira como estão as rotas, escolha a sua e boa viagem!

Fique atento aos buracos. É só passar pelo trevo da Base Aérea, em Camobi, que a sinalização horizontal na RSC-287 fica pelo caminho e dá lugar às crateras que pegam carona do início ao fim da viagem. Até o trevo de acesso a Restinga Seca, há trechos que estão menos ruins. Mas basta ir adiante do acesso a Agudo para que a buraqueira se torne protagonista absoluta dos solavancos. Depois da entrada para Paraíso do Sul, a coisa não melhora: há longos trechos com problemas, somando mais de 70 quilômetros de buraqueira na estrada.

Perto do acesso a Cachoeira do Sul, em Novo Cabrais, a 287 melhora, mas está longe do ideal - os buracos estão no acostamento. Fora isso, a sinalização horizontal também é ruim.
- A estrada deixa muito a desejar. Há épocas em que dá uma melhorada, mas logo já volta a piorar. Já vi muito carro escapar de acidente. É perigoso. Inclusive, a gente vê caminhão entrando na pista contrária para desviar dos buracos - diz Marcelo de Barros Rodrigues, 40 anos, que passa pela RSC-287 cerca de 3 a 4 vezes por semana.

O caminhoneiro Redalcio Werlei, 51 anos, que, no dia do teste do Diário, viajava de Novo Hamburgo com destino a Paraíso do Sul, também critica as condições da estrada:
- Tá muito feio esse asfalto. É só buraco e remendo. Com certeza precisa de um recapeamento, uma solução.

O motorista Narciso Jardel Diehl, 41 anos, ainda classifica a RSC-287 como "a pior pista" que ele costuma percorrer.
- Meu caminhão está carregado de azulejo. É capaz de eu chegar com tudo quebrado por causa desta buraqueira. É uma sacanagem o Estado tomar conta e ficar deste jeito. Eu rodo o país inteiro e prefiro pagar pedágio e ter estrada boa para andar - explica.

Pouco depois do acesso a Cachoeira do Sul, a estrada fica um pouco melhor, até chegar em Venâncio Aires. Os buracos são em menor número, mas o trecho é pedageado. De Vila Paraíso até Tabaí, as estradas ficam sob responsabilidade da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). São dois pedágios no caminho - um em Candelária, e o segundo em Venâncio Aires. Os dois custam R$ 5,20 (para carros) e tiveram o valor reduzido desde o ano passado, quando a estrada deixou de ter manutenção por empresa privada.
- Antes, pagava mais, mas andava melhor. De que adianta ser mais barato, se nem guincho e nem ambulância tem? Tem muito buraco, sem falar que são poucos os trechos com a terceira pista. Perto de Paraíso, antes e depois, não tem condição de rodar - reclama Tiago Streck, 30 anos, caminhoneiro.

- A estrada é ruim, inclusive em Venâncio, Santa Cruz, onde tem pedágio. Tem trechos bons, mas tem trechos péssimos - diz José Carlos de Matos, 58 anos, que, em 11 de março, fazia um frete de Santa Cruz para Venâncio Aires.

Apesar de, na prática, a RSC-287 estar em péssimas condições, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) garante que faz manutenção.

Motoristas chegaram a fazer protesto por fechamento de praças de pedágio

No ano passado, motoristas chegaram a fazer protesto na região pedagiada da 287, exigindo melhorias no asfalto. O Ministério Público de Santa Cruz do Sul determinou a suspensão de cobrança do pedágio enquanto a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) não reparasse a pista, mas o impasse foi resolvido, e a cobrança, retomada.

No início do mês, a EGR assinou o contrato para a recuperação de 77 quilômetros, entre Santa Cruz e Tabaí, e mais 72 quilômetros, entre Vila Paraíso e Santa Cruz. As obras estão orçadas em R$ 37,3 milhões e serão pagas com o dinheiro dos dois postos de pedágio.

Apenas no mês de janeiro, a EGR arrecadou R$ 3,3 milhões nos pedágios - R$ 1,9 milhão em Venâncio Aires e R$ 1,3 milhão em Candelária. Cerca de R$ 1,4 milhão foi desembolsado pela empresa em despesas de manutenção.

Pelas BRs 392 e 290...

Quem vai para Porto Alegre por São Sepé, começa a viagem pela BR-392 e anda cerca de 70 quilômetros até Caçapava do Sul, onde o caminho continua pela BR-290.  O asfalto da 392 está quase sem buracos e ainda não há pedágio. Por outro lado, falta de sinalização horizontal - o asfalto não é pintado. Mas já há trechos com a sinalização marcada, prontos para receber as tintas amarelas.

Há poucos buracos na estrada, mas a rodovia está passando por obras de manutenção. O motorista Cléber Borghi, 31 anos, viaja pelas BRs 290 e 392 a cada 10 dias. Ele espera que as estradas fiquem boas logo:
- Desde que pararam com o pedágio, ela começou a piorar. A estrada quase toda é boa, mas há trechos que estão começando a ficar ruins - explica.

O representante comercial José Ricardo Senna, 48 anos, diz que, quando precisa ir para Porto Alegre, prefere viajar pela 392 do que pela 287.
- Essa daqui (392) está boa. Tem menos trânsito, é melhor, acontecem menos acidentes. Pela 287, cada viagem eu terminava com um pneu furado - conta.

Assim que o motorista sai da 392 e segue o caminho pela 290, a estrada continua sem buracos, na maior parte. Até dezembro do ano passado ela era mantida pela Univias, empresa de pedágio. Agora, o posto está desativado, e a manutenção da estrada passou a ser responsabilidade do governo, ou seja, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit).

Mas, ainda que a estrada esteja em boas condições, há motoristas que acreditam que a BR-290 poderia estar ainda melhor:
- Já era para ser uma estrada mais larga, duplicada. Está ruim porque tem trechos com buracos - explica Giovani Miranda, 40 anos, representante comercial que viajava de Pelotas até Cachoeira do Sul.

E QUANDO VAI MELHORAR?

Confira o que dizem o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), sobre a RSC-287, e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) sobre as BRs 290 e 392:

Na 287

Conforme o superintendente do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) da região de Santa Maria, Dalton Garcia, o trecho da RSC-287 até a entrada de Restinga Seca (que é abrangência da superintendência de Santa Maria), está recebendo obras de reparo. Garcia explica que, por conta de um programa do governo Yeda Crusius chamado "Estado na Estrada", não é possível faz contratos de manutenção terceirizados até que os contratos passados não sejam rescindidos. Enquanto isso, o próprio Daer faz reparação no asfalto. Por enquanto, não há planos de duplicação.

Depois da entrada de Restinga Seca, até pouco antes de Vila Paraíso (onde começa o pedágio), a responsabilidade da rodovia é da superintendência do Daer de Cachoeira do Sul. O superintendente da unidade, Walter Moreira Machado Junior, diz que o trecho foi todo sinalizado em 2012. Machado ainda explica que, periodicamente, os funcionários do Daer fazem tapa-buracos e reparos em elevações na pista.

Ainda conforme o superintendente, existe a intensão de elaborar um projeto e contratar uma empresa para recuperar o trecho em um "futuro próximo".
- Locais com problemas são pontuais. Não é em todo o trecho - finaliza.

Na 392 e na 290

Conforme o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), recentemente uma empresa assumiu o trecho da BR-290 para cuidar da sinalização.

Segundo engenheiros do Dnit, o local está passando por obras de manutenção, conservação e reparação da pista e do acostamento. São contratos com empresas que duram até dois anos, que ficam responsáveis pelas obras.

Conforme a assessoria de imprensa da Conpasul, empresa responsável pela manutenção, as obras começaram em novembro de 2013 e tem previsão de término para junho deste ano, mas fatores como a chuva podem atrasar a conclusão.

Passe o mouse sobre a imagem e confira os problemas apontados pela reportagem: 



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