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Golpe do seguro

15% dos furtos e roubos de veículos em Porto Alegre são simulados pelos próprios donos

Golpes com êxito são difíceis de comprovar, segundo a Polícia Civil

03/07/2014 | 07h02
15% dos furtos e roubos de veículos em Porto Alegre são simulados pelos próprios donos Ver Descrição/Agencia RBS
Foto: Ver Descrição / Agencia RBS

Além do combate às quadrilhas de ladrões de veículos, agora a polícia precisa se ocupar também com uma nova modalidade de fraude que vem crescendo: o golpe do seguro. São pessoas que simulam ter seus veículos roubados ou furtados para receber a indenização das seguradoras. De acordo com o titular da Delegacia de Roubos de Veículos do Deic, delegado Juliano Ferreira, cerca de 15% das ocorrências registradas em Porto Alegre são "inventadas".

Dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, do primeiro trimestre, revelam uma média mensal de 817 casos de roubos e furtos na Capital. Como pelo menos 30% dessas ocorrências se referem a motos, a média de automóveis fica em 571 casos. Ou seja, ao menos 69 ocorrências mensais envolvendo carros seriam golpes para receber o seguro, uma média diária de duas fraudes.

De acordo com o presidente do Sindicato das Seguradoras no Rio Grande do Sul (Sindsergs), Júlio Rosa, 3% das indenizações de veículos na Capital deixam de ser pagas por alguma comprovação de fraude.

A diferença de 12% entre os índices da polícia e do Sindsergs seria devida aos golpes que tiveram êxito.

– Essa diferença se deve ao fato de não conseguir se provar que houve má fé. Nós sabemos (que é golpe) pelo que consta no registro da ocorrência, são dados que não batem, mas entre saber e afirmar existe um espaço muito grande. É o mesmo que dizer que 80% dos homicídios envolvem drogas, nem sempre há como comprovar, embora saibamos que é verdade – admite o delegado.

Fraude envolve ferros-velhos
O seguro, normalmente, é fixado em 10% acima do valor de mercado do veículo. Além disso, na maioria das fraudes, ele é negociado em algum desmanche, o que gera um lucro adicional para o fraudador. Segundo Juliano, o dono de um ferro-velho, preso recentemente, admitiu que, por mês, recebia de 15 a 20 propostas de compra de veículos para desmanche, por pessoas que queriam aplicar o golpe em seguradoras.

– Na maioria das vezes, a pessoa já sabe a quem procurar, raros são os casos de incertas – conta Juliano.

Já o presidente do Sindsergs afirma que, segundo dados da entidade, houve um aumento de 40% nos roubos e furtos de veículos segurados em relação ao ano passado.

– Em média, a investigação dos casos pela seguradora leva de cinco a dez dias. Para negar o pagamento de uma indenização, são necessárias provas contundentes. Sem provas, não conseguimos fazer nada – relata Júlio.

Fiscalização intensificada
A Polícia Civil tem intensificado a fiscalização em cima de desmanches e ferros-velhos, um dos principais destinos de veículos roubados e furtados. Em maio, duas quadrilhas foram desmanteladas na Região Metropolitana, e mais de dez pessoas foram presas. Um dos bandos era responsável por mais de 50 ocorrências.

Segundo dados da Roubos, Gol, Uno Eletronic, Hyundai i30, Focus e Palio são os veículos mais roubados ou furtados. Destes, Gol e Uno, por serem mais populares e com peças mais procuradas no mercado, geralmente vão para desmanche. Já os demais costumam ser clonados para serem utilizados em crimes como assaltos a bancos e estabelecimentos comerciais.

O valor pago pelas seguradoras, em caso de furto ou roubo (perda total) é baseado na tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O índice considera os preços de mercado, acrescidos de 10% pela desvalorização em virtude do uso. Por exemplo, um Hyundai i30, atualmente, tem um preço médio de R$ 67,4 mil. O seguro considera este valor mais 10%.

 
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