
Perdeu o futebol do grito, do hino cantado com a veia saltando da garganta, da patriotada, da porrada. Perdeu o futebol da vitória a qualquer custo, da simulação de falta, da malandragem abjeta. Venceu o futebol do toque, da técnica, que sabe ser enérgico sem ser violento. Venceu o futebol.
Veja algumas capas de jornais sobre o fiasco da Seleção Brasileira
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O fiasco histórico, acachapante, vergonhoso, ridículo, humilhante, catastrófico, o fiasco rotundo que merece um adjetivo para cada gol sofrido nesta terça-feira, em Belo Horizonte, estava escrito já na escalação da Seleção Brasileira.
Na ausência de Neymar, Felipão optou por colocar no time um jogador inexpressivo tanto no tamanho quanto na capacidade técnica. O pequeno Bernard era uma criança ao lado dos gigantes germânicos.
Com sua escalação, Luiz Felipe agudizou o erro que vinha cometendo durante toda a Copa: deixou o meio de campo desguarnecido, justamente o meio de campo, que é onde reside a força da Alemanha. Só que, desta vez, não havia Neymar para preocupar o adversário.
Mas não foi só isso. O maior fracasso da história centenária da Seleção Brasileira não poderia ter sido ocasionado apenas por uma escalação equivocada. Os erros foram muito mais graves e profundos, e quase todos podem ser atribuídos a Felipão. Ele próprio admitiu, dias atrás, que falhou na convocação - lamentou não ter chamado determinado jogador, cujo nome não revelou.
Mas ainda é pouco. Nenhuma Seleção Brasileira, por frágil que seja, pode levar 7 a 1, sobretudo se está jogando no Brasil. Felipão errou bem mais: em nenhum momento, nesta Copa, o Brasil demonstrou ter organização tática, jogadas ensaiadas ou um mínimo de consciência do poderio dos adversários que enfrentava.
Felipão apostou na estratégia ultrapassada do grupo fechado contra o mundo de adversidades, da "raça", da intimidação, da força da arquibancada. O time do Brasil que pisou no campo do Mineirão foi nada menos do que o pior de todos com que a Seleção já jogou uma Copa do Mundo, o que não é pouco: a Seleção jogou todas as Copas do Mundo.
O lateral-esquerdo Marcelo começou o torneio fazendo um gol contra e seguiu sem conseguir jogar bem um único minuto. O volante Fernandinho mostrou grande talento - para lutar no UFC, não para jogar futebol. Oscar, obviamente, não tem comido feijão na Inglaterra - provavelmente sofre de anemia. E, para arrematar, o ataque devia estar no gibi: o incrível Hulk e o patriarca da família Flinstone.
Por favor!
Não é preciso dizer que o Brasil mereceu perder. Isso ficou evidenciado no placar. Já deveria ter perdido antes, quando enfrentou inimigos menores. Infelizmente, topou na semifinal com uma Alemanha que tem um terrível defeito, a levar em consideração os obsoletos conceitos dos comandantes da Seleção Brasileira: a Alemanha joga futebol.
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