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Opinião

Rosane de Oliveira: candidatos não dizem como fazer

29/07/2014 | 03h24
Mesmo sem ter as amarras de temas definidos previamente pela organização do programa, o debate entre os candidatos a governador, promovido pela Agert e pelo Sindirádio, não conseguiu responder à questão-chave para que se possa levar as promessas a sério: como fazer? Nessa pergunta está embutida outra, que os concorrentes respondem com evasivas ou com alternativas que estão fora de sua alçada. A mais repetida é a renegociação da dívida com a União, como se isso dependesse apenas do desejo de quem for eleito.

Em 2002, quando foi candidato a governador, Tarso Genro já apontava a renegociação como o caminho para o equilíbrio das contas. De lá para cá, em todas as campanhas a redução do percentual de 13% da receita sempre surge como solução salvadora. Seria o ovo de Colombo, não fosse o detalhe de que é preciso combinar com o credor – no caso, a União. E esse credor não tem como renegociar a dívida do RS isoladamente. Se reduzir o comprometimento da receita do Estado, terá de fazer o mesmo com os outros devedores.

Tarso se gaba de ter liderado a articulação que levou a presidente Dilma Rousseff a encaminhar ao Congresso o projeto que reduz o juro e altera o índice de correção do saldo devedor. O problema é que o projeto foi aprovado na Câmara, mas o Ministério da Fazenda segurou a proposta no Senado. Existe um acordo para votar em novembro, mas quem pode garantir que será cumprido, considerando-se o impacto nas contas do país e nas agências de classificação de risco?

Ainda que seja aprovado, o projeto não reduz de imediato o que o Estado desembolsa. Apenas abre espaço para a tomada de novos empréstimos, alternativa com a qual nem todos concordam. Reduzir o índice de 13% é o sonho de consumo de todos os candidatos a governador, mas convencer a equipe econômica do futuro presidente, seja lá quem for, é outra história.

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