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Volta às aulas

Dicas para ajudar as crianças a criar responsabilidade nos estudos

Especialistas orientam pais a como agir corretamente na vida escolar dos filhos

07/08/2014 - 10h01min
Dicas para ajudar as crianças a criar responsabilidade nos estudos Ronaldo Andrade/Divulgação
Foto: Ronaldo Andrade / Divulgação  

Muitos mitos e verdades circulam entre os pais na hora de lidar com o dia o dia dos filhos com as tarefas escolares. Enquanto alguns casais preferem se manter distantes, buscando criar em suas crianças um senso de responsabilidade, outros se mantêm por perto o tempo todo, no objetivo de ressaltar a importância do trabalho realizado pelo filho. Ambas as atitudes, se exageradas, são prejudiciais nos primeiros anos de estudos e precisam ser dosadas para criar um ambiente confortável ao desenvolvimento das crianças.

As especialistas Itamara Teixeira Barra, coordenadora do ensino fundamental e Marta Cesaro, coordenadora pedagógica, dão algumas dicas de como proceder no cotidiano com relação às tarefas diárias, locais e horários de estudo e comportamento dos pais na rotina escolar dos filhos. Confira:

Definir um local e horário adequados ao estudo dos filhos

Quando pequenos, é importante que os filhos tenham uma rotina fixa, estabelecida e organizada pelos pais, a respeito de seus deveres e diversão. O ideal é que o tempo reservado aos estudos seja quando a criança estiver descansada, antes de outras atividades extras, como prática de esportes ou aulas de inglês. “Além disso, cada criança tem o seu próprio tempo e ritmo que devem ser observados pelos pais, a fim de se estabelecer um horário de estudos e encaixá-lo em meio a outras atividades, sem torná-lo cansativo e desestimulante”, ensina Itamara Barra.

Nesse período, é importante deixar a criança longe de distrações, como TV e celular, e em um ambiente silencioso e calmo. “A criança deve ter um local apropriado para o dever. Esse local deve ser bem iluminado, longe de conversas e barulhos que possam tirar a atenção dela naquilo que está fazendo”, diz a especialista.

Segundo a coordenadora, esses pontos ajudam a criar autonomia na criança para que ela estabeleça, futuramente, sua própria rotina. “Os pais construirão com os filhos um ritual para execução de tarefas. No momento [em que cresce], espera-se que a criança seja capaz de gerenciar seu tempo”.

Se interessar pela rotina escolar da criança

As duas especialistas concordam que é dever dos pais mostrarem-se interessados não só no desempenho escolar dos seus filhos como em todas as suas atividades. A coordenadora Marta Cesaro diz ser aconselhável reservar um tempo e acompanhar os filhos durante os estudos, mas não os supervisionem o tempo todo.

“Quem estiver acompanhando a criança deve consagrar um lugar para que ela realize suas atividades e estudos com certa independência. Quando o filho acabar, o pai ou a mãe podem pedir para olhar, não para fazer uma vistoria, mas no sentido de se envolver, participar, estimular e valorizar a criança”, explica Marta Cesaro.

Itamara ressalta que os filhos devem ser orientados na vida escolar, mas também devem ter autonomia para realizar as tarefas. “A criança precisa sentir que é a responsável por ela, também tem uma ocupação e aquele é o dever dela, não dos pais”.

 Nunca fazer a lição de casa no lugar da criança

Para as duas especialistas, um dos erros mais comuns dos pais ao lidar com a rotina de estudos de seus filhos é fazer a lição no lugar deles. Segundo elas, na ânsia de ajudar as crianças a resolverem suas dificuldades, os pais acabam explicando o conteúdo a sua maneira ou corrigindo os erros dos filhos.

Itamara foi bem clara ao dizer que os pais não devem, em hipótese alguma, proceder dessa forma. “A família pode auxiliar, mas o ideal é perguntar ao filho como a professora explicou. Se, mesmo assim, os pais sentirem que não conseguiram solucionar o problema, o ideal é parar, tranquilizar a criança e enviar um bilhete para a professora relatando a dificuldade do filho”, aconselha a psicopedagoga. 

Marta Cesaro concorda que é preciso comunicar o professor em caso de dificuldade e ressaltou que é preciso deixar as crianças cometam seus erros. “O erro faz parte do processo de aprendizagem. É como aprender a andar de bicicleta, a criança vai levar alguns tombos, ter dúvidas e insegurança. Faz parte do processo”.  

 Estar atento às dificuldades da criança

Segundo ambas as especialistas, dificuldades persistentes na realização de tarefas podem indicar sinais de problemas de audição, visão ou hiperatividade, mas devem ser bem analisadas antes que se tirem conclusões precipitadas.

Marta Cesaro explica que certas condições podem direcionar os pais a descobrirem se a criança sofre desses distúrbios. “Isso é verdadeiro caso os pais percebam que a criança apresente dificuldades cotidianamente em todas as áreas, porque isso é uma sinalização de que ela está com problemas de aprendizagem. É importante uma avaliação médica a cada seis meses”, ressalta.

Itamara, porém, insiste que a tarefa de casa não pode ser um parâmetro único e que outros fatores devem ser levados em consideração. “Quando a criança não produz em casa ou na escola com deveria, é hora de parar e conversar. Questões emocionais interferem muito no aprendizado, e a parceria da família com a escola é de extrema importância para verificar a causa do problema”, conclui.

 
 
 
 
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