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Opinião

Rosane de Oliveira: um velho disco furado

13/08/2014 | 03h40

O que faz mesmo um senador? Essa pergunta deve estar na cabeça de quem acompanhou os primeiros debates para o Senado, especialmente os embates entre Lasier Martins e Olívio Dutra, com Julio Flores de coadjuvante. Porque em todos é a mesma coisa e não foi diferente no da Agert: Lasier puxa a história da Ford, dizendo que Olívio mandou a empresa embora, e o ex-governador retruca afirmando que a Ford foi para a Bahia porque recebeu benefícios maiores. E acusa Lasier de ser vassalo de empresas privadas. Será que não dá para trocar o disco e tratar dos temas que cabem aos senadores decidir?

Não há dúvida de que em uma campanha se devem discutir as propostas e o passado dos candidatos que disputam nosso voto, mas ficar batendo sempre na mesma tecla cansa a plateia e não ajuda a mostrar quem está mais preparado para ser senador.

Já se passaram 15 anos desde a saída da Ford de Guaíba. Os eleitores da cidade parecem ter superado o “trauma”, já que em 2010 Tarso Genro (PT) foi o candidato mais votado. Fez quase o dobro de votos do segundo colocado, o ex-senador José Fogaça (PMDB). É natural que a população lamente o investimento perdido, mas a cidade tem a celebrar a ampliação da Celulose Riograndense, um investimento privado de R$ 5 bilhões.

Outro não assunto nos debates do Senado é a insistência de Julio Flores (PSTU) em vincular Lasier à RBS, por ter trabalhado 27 anos em emissoras do grupo. Que fique claro, a RBS não tem candidato, mas não pode impedir que seus funcionários concorram. A exigência é que saiam tão logo se torne pública a intenção de concorrer, e foi isso que ocorreu com Lasier em outubro do ano passado. Se a empresa quisesse favorecer Lasier, ele teria ficado no ar até o prazo permitido pela lei, mas teve de sair no momento em que se filiou ao PDT. Aliás, há ex-funcionários da RBS concorrendo por pelo menos cinco partidos: PDT, PP, PC do B, PSDB e DEM.

Qual é a visão dos candidatos sobre política externa, por exemplo, um tema que o eleito terá de discutir no Senado? Endividamento dos Estados? Reforma política? Reforma tributária? Ameaça de colapso da Previdência?

Se os concorrentes que lideram as pesquisas quiserem continuar com o olho no retrovisor, estarão abrindo espaço para os que se dispõem a olhar para frente.

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