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Entrevista

"Todas as metas são factíveis", afirma Marchezan sobre programa com 58 objetivos

Prefeito apresentou plano para ser cumprido até o final do mandado

21/04/2017 - 06h03min | Atualizada em 21/04/2017 - 10h11min
"Todas as metas são factíveis", afirma Marchezan sobre programa com 58 objetivos Tadeu Vilani/Agencia RBS
Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS  

O prefeito da Capital, Nelson Marchezan, admite que boa parte dos objetivos apresentados no final de março são "ousados". Mas garante que os itens elencados no Programa de Metas (Prometa) a serem cumpridos até o final do mandato são possíveis de saírem do papel. Confira a entrevista.

Muitas metas, como os objetivos de aprendizagem e desempenho na rede escolar municipal, são consideradas de difícil execução a curto ou médio prazo e teriam de reverter tendências históricas recentes para serem concretizadas. O que permite acreditar que são factíveis?
As metas são ambiciosas. Metas medíocres seria condenar os alunos a um futuro sem expectativas e um ano perdido na vida de uma criança jamais é recuperado. O modelo de educação de Porto Alegre fracassou. Os índices nos mostram isso. Por isso nós mudamos a rotina escolar, aumentando em 3 horas e meia por semana o tempo do aluno com o professor referência e vamos enfrentar todos os interesses que são menores que o do aluno. Temos que qualificar o tempo do aluno em sala de aula e para isso o professor é a melhor ferramenta. As metas são ousadas, mas mesmo assim medíocres quando estamos falando de dar condições de seres humanos manos serem mais felizes. Mais frustrante do que não alcançar as metas seria não lutar com todas as forças para fazer um hoje é um futuro das crianças melhor do que damos hoje. Metas ousadas são para não esquecermos isso.

Especialistas em segurança apontam que algumas metas, como aquelas envolvendo redução de roubos e furtos, não dependem apenas do município. Como garantir que serão alcançadas?
A segurança não era vista como responsabilidade da prefeitura. Em nossa gestão, isso mudou. Nós estamos trabalhando de forma integrada com Brigada Militar, Polícia Civil, Exército, Polícia Federal, PRF, PRE, EPTC e Guarda Municipal. Essa integração tem um importante reforço, que é o uso intensivo da tecnologia e da inteligência. Porto Alegre será cercada eletronicamente e teremos monitoramento interno também. A Procempa já desenvolveu a tecnologia que está em fase de experiência e já recuperamos 5 veículos. Então, acreditamos, sim, que as metas serão cumpridas.

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Metas que envolvem investimento financeiro, como as relacionadas a habitação, saneamento e outras formas de infraestrutura ou ampliação de serviços não esbarram nas dificuldades financeiras do município? Qual a saída?
Porto Alegre está falida. Sem recursos para investir em serviços básicos. A saída está, em nosso entendimento, nas PPPs, nas concessões, nas parcerias com a iniciativa privada. Destas parcerias virão os recursos para que a prefeitura possa cumprir o seu papel e fazer os investimentos necessários nessas áreas. Além disso, em algumas áreas, trabalhar com financiamentos, repasses, locação de ativos, e qualquer outra forma de trazer o futuro para o hoje.

Na área financeira, a avaliação de alguns economistas é de que a crise estadual e nacional dificultariam muito a conquista de algumas metas como captação de R$ 1 bilhão, melhoria do índice Firjan, ou saneamento do déficit. É possível alcançar esses resultados mesmo na atual conjuntura?
A crise é da União, dos Estados e dos municípios, e é fruto de escolhas que vem sendo feitas há muito tempo na gestão pública. Esta situação está dada. Segundo ponto: estamos enfrentando a crise, adotando as medidas necessárias, pedindo ajuda a todos que podem contribuir. Por isso, todas as metas apresentadas são factíveis. A prefeitura está fazendo uma busca ativa por investidores, levantando todos os dados econômicos e possibilidades de empreendimentos, potencializando as vocações sem preconceitos ideológicos. Quem quiser investir aqui será bem tratado pela prefeitura. Com o poder público, a sociedade civil organizada e a iniciativa privada atuando juntos, é possível.

Na área da Saúde, o Simers considera difícil cumprir alguns objetivos sem ampliação no número de médicos e investimento em infraestrutura ou serviços como realização de exames. Isso será feito?
Será feito. Nós já chamamos mais médicos, tem processo seletivo aberto para vagas temporárias. Garantimos um médico em cada Estratégia de Saúde da Família. Estamos apostando muito na Atenção Primária, onde podem ser resolvidos até 80% dos casos que chegam às UBS. A tecnologia é uma aliada também: o DermatoNet permite acelerar o atendimento do paciente no posto, de forma segura; as consultas pelo SUS estão disponíveis já no aplicativo #EuFaçoPOA e isso deve diminuir muito o não comparecimento dos pacientes nas consultas com especialistas (hoje 30% não aparece na data e hora marcada). Parcerias com os hospitais privados também nos permitirão avançar. Saúde é uma das prioridades, como segurança e geração de oportunidades.

Artistas estão se mobilizando, segundo o sindicato da categoria, contra a meta de que "15% da capacidade média de público dos espetáculos nos espaços municipais seja disponibilizada gratuitamente para pessoas de baixa renda" por considerar que o custo disso acabará recaindo sobre os próprios artistas. A prefeitura contribuiria de alguma forma com os organizadores dos espetáculos para conceder essa gratuidade?
Nosso governo quer levar a Cultura a todos. Em todas as áreas, crianças e os mais pobres são nosso foco. Na cultura não será diferente. Ricos pagam para ter acesso à cultura. A prefeitura vai cuidar de quem precisa ser cuidado. A Cultura é uma ferramenta muito importante de inclusão e transformação social. Por isso fazemos questão dessa meta. Não acredito que ninguém seja contra esse gesto de garantir o acesso à cultura da população de baixa renda.


 
 
 
 
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