Memórias

As agruras de um galã de radionovela

Ernani Behs conquistou fama como radioator e foi o apresentador do primeiro programa de televisão no Rio Grande do Sul

Por: Zero Hora
12/01/2017 - 05h01min | Atualizada em 12/01/2017 - 05h02min

Em 21 de fevereiro, completam-se 15 anos da morte de Ernani Behs (1923 – 2002). Foi uma das figuras mais marcantes do rádio gaúcho nos meados do século passado. Natural de Taquara, começou, muito novo, como locutor da Voz do Poste daquela cidade. Mudou-se para Porto Alegre em 1940. Aprovado no vestibular de Medicina, desistiu da carreira quando foi designado para trabalhar no necrotério. Sua vocação era mesmo o rádio, tendo estreado na Farroupilha aos 23 anos. Antes disso, participou de peças no Teatro do Estudante.

Pelo porte físico, aparência e atuação como radioator, Ernani Behs conquistou logo a fama de galã, admirado e assediado pelas mulheres. Numa entrevista ao jornalista Sérgio Dillenburg, incluída no livro Os Anos Dourados do Rádio em Porto Alegre, Ernani conta que, na época, sair à rua era uma loucura. 

Ernani Behs estreou na Farroupilha aos 23 anos Foto: DIVULGAÇÃO / Museu da Comunicação Hipólito José da Costa

"As mulheres atacavam a gente, rasgavam, não a mim, porque eu corria. Se a gente deixasse, elas rasgavam tua roupa, beijavam, mordiam. Era um negócio horrível. Não é porque as novelas eram boas, era porque não tinha nada melhor."

Relata ainda que nas novelas os atores tinham a pinta que quisessem. "Éramos morenos, louros, olhos verdes, bigodes. Era engraçadíssimo quando nos identificavam na rua. Normalmente, nos olhavam e diziam: 'Mas é isso?'"

No livro de Dillenburg, Ernani Behs registra que a época áurea da radionovela foi de 1945 a 1960, quando chegou a participar de oito ou nove peças simultaneamente. Numa, fazia o papel de cego, na outra, paralítico, homem do campo, literato, médico, advogado, presidiário. 

"Eu não entendia como as mulheres admitiam que eu, no mesmo dia, na novela das 9h estava preso, na das 11h era um baita boêmio, na das 14h era paralítico, na das 18h fazia a Ave Maria e às 18h30min lia as cartas de amor. O programa das cartas foi um capítulo à parte. Inventávamos histórias incríveis, onde sempre aparecia o nome de uma mulher, e as ouvintes escreviam pensando que as mensagens eram para elas." Ernani conclui que o sucesso é garantido quando entram amor e drama.

A radionovela começou a desaparecer com a inauguração da TV Piratini, em 1959. Ernani Behs foi o apresentador do primeiro programa de televisão no Rio Grande do Sul, após um curso especializado nos Estados Unidos. 

Nos últimos anos, atuou mais como empresário da propaganda. 

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