Nostalgia

Velozes e idosos

Relembre como funcionavam os Postos de Controle, antigos responsáveis pelas multas por excesso de velocidade nas estradas

12/02/2017 - 18h55min | Atualizada em 12/02/2017 - 19h27min
Velozes e idosos Sérigio/Osório/Arquivo Pessoal
Uma Vemaguet 1957 parada no Posto de Controle para receber o cartão Foto: Sérigio/Osório / Arquivo Pessoal  

Nossa leitora Clarice de Medeiros curtiu a nota com o título "Phone truck", publicada na última quarta-feira, dia 8, sobre as dificuldades de comunicação que tinham aqueles que, no passado, já veraneavam no litoral gaúcho. Na mensagem enviada, ela escreveu:

"Phone truck. Muito bom! Era bem assim. Podias escrever sobre o controle de velocidade na estrada da praia que existia quando eu era bem guria (hoje tenho 70 anos). Aquelas cabines em que se anotava num cartão a hora e não podia chegar na próxima cabine antes de tal hora. Quando conto isto, todo mundo ri e nem os da minha idade se lembram. Estarei ficando lelé?".

Foto de um Posto de Controle, publicada no Boletim do Daer em dezembro de 1953 Foto: Não se aplica / Boletim do DAER

Respondi a Clarice dizendo que boa memória é o contrário de estar lelé (desnorteado, maluco), e, embora já tenhamos abordado a existência desses Postos de Controle, nunca é demais refrescar a memória dos mais velhos e informar aos mais jovens como eram as coisas no passado.

Os postos eram instalados, nos verões das décadas de 1950 e 1960, pelo Daer (Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem) na RS-030 para coibir o excesso de velocidade. Quem saía da Capital para o Litoral encontrava o primeiro em Gravataí. Como se fosse uma primitiva cabine única de pedágio com janelas voltadas para cada uma das mãos da pista simples (sem divisão de ida e vinda), ali ficavam um relógio-ponto e um guarda. Para quem ingressava na via e ainda não possuía um cartão, o patrulheiro acionava a alavanca e, "plim!", carimbava o horário no papel grosso entregando-o ao motorista.

O pedágio da freeway em janeiro de 2016 Foto: Concepa / Reprodução

Os motoristas que vinham em sentido contrário entregavam o cartão para que o horário registrado no posto anterior fosse conferido visualmente pelo policial. Aqueles que mantinham a média de velocidade permitida chegavam na hora prevista. Quem chegava antes da hora é porque tinha corrido demais e... era multado. A viagem a Capão da Canoa levava por volta de três horas, com fluxo de trânsito normal. Em Santo Antônio da Patrulha, onde quase todos paravam para um lanche (sonhos e café ou refri), havia duas cabines, uma na entrada e outra na saída da cidade. Ali, entre as duas, o tempo ficava suspenso. Ao sair, ganhava-se novo cartão para ser entregue em Osório ou Gravataí, conforme o sentido de deslocamento do viajante. Os apressados, quando se davam conta da iminência da multa, costumavam parar numa sombra para um cigarro (sim, fumava-se muito) e deixar o tempo passar.

Vendo-se a foto noturna da freeway, de janeiro de 2016, acho que fica bem claro que, agora, aquele sistema, pré-autoestrada e pré-radar, teria alguma dificuldade em ser aplicado.

Leia outras colunas do Almanaque Gaúcho

 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.