Bons negócios no horizonte

Falta de chuva no início deste ano deverá estimular venda de sistemas de irrigação

As quedas na produção deixaram o agricultor gaúcho um alerta sobre a necessidade de investir em prevenção

07/03/2014 | 05h03
Falta de chuva no início deste ano deverá estimular venda de sistemas de irrigação Tadeu Vilani/Agencia RBS
Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

A previsão de uma nova grande colheita e o receio de quedas de produtividade em razão fa falta de chuva entre janeiro e fevereiro no Estado devem ampliar os negócios na edição deste ano da Expodireto. A expectativa também se baseia no histórico dos últimos 14 anos da feira. Em apenas duas edições, realizadas em 2005 e 2006, o evento registrou queda nas vendas. De acordo com Gelson Lima, coordenador da área de produção vegetal da Cotrijal, o resultado esteve ligado diretamente severa seca registrada naquele período no Estado, que arrasou lavouras e reduziu o poder de investimento dos produtores.

No ciclo 2011/2012, o campo voltou a sofrer com a pior seca da história, de acordo com a Federação da Agricultura do Estado (Farsul). Naquele período, no entanto, as condições econômicas oferecidas pelas entidades, governo e empresas impediram que as negociações caíssem — embora o crescimento dos negócios tenha sido de apenas 6,3% em 2012 sobre 2011.

A expectativa de mais uma boa safra deve se refletir em ânimo ao produtor, que chegará ao parque de exposições em Não-Me-Toque mais capitalizado e com condições de investir. Até mesmo uma possível redução de produção em determinadas áreas e culturas — o Estado teve algumas perdas pontuais com a falta de chuva neste ano — deve ajudar a estimular os negócios. Essas quedas na produção deixaram o agricultor alerta sobre a necessidade de investir em prevenção. Por isso, a área de irrigação ganha destaque. Como máquinas e equipamentos são o foco da Expodireto, produtores de pequeno a grande porte esperam esse período para conhecer e adquirir tecnologias e lançamentos das empresas.

— Vamos ter sistemas de irrigação com preços mais acessíveis do que em anos anteriores — diz o presidente da feira, Nei César Mânica.

Cauteloso, o executivo prefere não elevar as expectativas dos negócios, já que no ano passado foram excepcionais: mais do que dobraram em relação a 2012, atingindo R$ 2,5 bilhões. Mânica diz que os valores devem ser mantidos no mesmo patamar, o que seria um bom resultado. Para isso, leva em conta, além das projeções da safra, os preços das commodities e o volume de crédito oferecido pelas instituições financeiras (veja quadro na página a lado).

Economista da Farsul, Antônio da Luz avalia que a feira é responsável por mostrar novidades aos produtores e, diferentemente da Expointer (que traz o campo para dentro do espaço urbano), a Expodireto é "especializada em negócios". Luz também aposta que a irrigação deve ser o segmento com maior aumento de negociações. Há, porém, uma questão que pode inibir os investimentos, avalia Luz:

— Entraves na liberação de licenças ambientais trazem certa dose de insegurança aos produtores.

 

Bancos projetam liberar pelo menos R$ 1,66 bilhão na Expodireto

Feira está com seus preparativas em fase final de acabamento
Foto: Stéfanie Telles, Especial

Embalados pela supersafra passada e otimistas quanto a um novo recorde de grãos, os bancos ampliarão a oferta de crédito na Expodireto. Juntas, as seis instituições financeiras presentes na feira deste ano esperam alcançar ao menos R$ 1,66 bilhão em negócios. Consolidada ao longo das últimas 14 edições do evento, a compra de máquinas e de implementos deve liderar os negócios. Outras apostas vêm ganhando destaque: equipamentos de irrigação e estruturas de armazenagem são investimentos vistos como forma de ampliar o lucro das propriedades.

Líder em termos de valores negociados no ano passado, o Banco do Brasil espera superar os R$ 513 milhões em propostas de financiamentos. O valor, no entanto, poderá ser ampliado.

— Vamos atuar com recursos abundantes e condições especiais para a feira — antecipa o superintendente estadual da instituição, Tarcísio Hübner.

O objetivo do Badesul é concretizar pelo menos R$ 200 milhões em negócios. De acordo com o presidente do banco, Marcelo Lopes, a expectativa é captar pedidos que podem chegar a R$ 497 milhões. Normalmente, porém, nem todos saem do papel, de acordo com Lopes:

— Calculamos que de 40% a 60% dos negócios iniciados acabam não se confirmado depois. O grande objetivo é mostrar nossos projetos.

Em 2013, o Badesul foi vice-líder no volume total de empréstimos encaminhados durante a Expodireto. O agronegócio gaúcho responde por 31% dos financiamentos do banco.Presente pela primeira vez na Expodireto, a Caixa decidiu apostar na feira como estratégia para ampliar o fôlego no crédito rural. Segundo o superintendente da Caixa para a região norte do Estado, Ruy Fajardo Kern, a expectativa é de fechar R$ 30 milhões em negócios.

— A Expodireto é uma das melhores oportunidades regionais para demonstrarmos a força da Caixa no segmento rural — afirma Kern.

 
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