Leite Compen$ado

Novo núcleo de fraude no leite é descoberto no Noroeste do Estado e uma pessoa é presa

Ministério da Agricultura encontrou formol em amostras do produto

Atualizada em 19/03/2014 | 21h1114/03/2014 | 08h34
Novo núcleo de fraude no leite é descoberto no Noroeste do Estado e uma pessoa é presa Stéfanie Telles/Especial
Operação realizou uma prisão preventiva em Condor, no Noroeste do Estado Foto: Stéfanie Telles / Especial

A investigação do Ministério Público (MP) que revelou aos gaúchos a adulteração de leite teve um novo capítulo na manhã desta sexta-feira. Estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão em oito municípios do Estado, na operação denominada Leite Compen$ado 4. Por volta das 8h30min desta sexta, o proprietário de uma unidade de resfriamento de leite foi preso preventivamente no município de Condor, no Noroeste do Estado, suspeito de adulterar leite com formol.

A quarta fase da operação iniciou em fevereiro, quando o MP recebeu documentos do Ministério da Agricultura comprovando a adição de formol em 12 amostras de leite cru coletadas em um posto de resfriamento localizado no Noroeste. Segundo o Ministério da Agricultura, parte do leite adulterado foi entregue a uma empresa de laticínios, que colocou o produto à venda no mercado. Os indícios são de que o leite tenha sido distribuído para outros Estados.

O proprietário preso acrescentou ureia ao leite, substância que continha formol - que é considerado cancerígeno. O nome dele e as marcas dos leites adulterados serão divulgados em coletiva do MP às 10h30min desta sexta-feira, em Ijuí, no Noroeste.

Na unidade de resfriamento em Condor foi encontrado soda cáustica em um galpão. Durante a prisão, o empresário disse que usa o produto para limpar caminhões. Segundo o MP, a unidade de resfriamento tinha sido enterditada em fevereiro, mas já estava com a situação regularizada.

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Em dezembro, promotor disse que condenação a acusados na operação era "pedagógica"

Operação começou em maio do ano passado, relembre

Operação foi realizada por técnicos do MP, com apoio do Ministério da Agricultura, Polícia Civil e Brigada Militar (BM) Foto: Stéfanie Telles / Especial

Mesmo após as primeiras condenações, em dezembro de 2013, quando seis acusados receberam penas que chegam a 18 anos e seis meses de prisão, a adulteração de leite continuou no Estado.

A operação Leite Compen$ado foi lançada em 8 de maio de 2013 pelo MP e Ministério da Agricultura. Desde então, foram descobertos três núcleos de adulteradores de leite, em seis municípios: Ibirubá, Ronda Alta, Boa Vista do Buricá, Horizontina, Guaporé e Três de Maio. Os grupos adicionavam ureia, água, formol, água oxigenada ou bicarbonato de sódio no leite.

Soda cáustica foi encontrada na propriedade Foto: Stéfanie Telles / Especial

Onde o MPE detectou adulteração no alimento, em operações anteriores:

Núcleo de Ibirubá

Grupo 1
Daniel Riet Villanova, veterinário e líder do grupo
João Cristiano Pranke Marx, transportador
Alexandre Caponi, transportador
Angelica Caponi Marx, mulher de João Cristiano
João Irio Marx, dono do galpão onde ocorriam as adulterações e pai de João Cristiano
Paulo Cesar Chiesa, transportador

Acusação: adicionavam ureia, água e formol no leite, que depois era transportado para o Paraná

Grupo 2
Rosilei Geller, funcionária de Daniel Villanova
Natalia Junges, informante dos transportadores
Cleomar Canal, motorista
Egon Bender, produtor rural que cedia a conta bancária para lavagem de dinheiro
Senald Wachter, produtor rural que adicionava ureia no leite

Acusação: participavam do mesmo esquema que misturava ureia e formol ao leite

Núcleos de Ronda Alta, Boa Vista do Buricá, Horizontina e Guaporé

Processados: Larri Lauri Jappe, empresário e vereador, e Leandro Vincenzi, empresário
Denunciados pelo MPE: Antenor Pedro Signor* e Paulo Rogério Schultz, transportadores
*Aceitou delação premiada (segue no processo, mas a pena é reduzida pela metade)

Acusação: misturavam ureia e formol no leite e tinham a fórmula para adulterar o alimento

Núcleo de Três de Maio

Airton Jacó Reidel, transportador
Rejane Dias, mulher de Airton
Roberto Carlos Baumgarten, sobrinho de Airton
Laércio Rodrigo Baumgarten, sobrinho de Airton

Acusação: adicionavam água oxigenada e bicarbonato de sódio ao leite

Indústrias acionadas pelo Ministério Público Estadual

BRF (leite Batavo)
LBR (leite Líder)
Goiasminas (leite Italac)
VRS (leite Latvida, também envasava Hollmann, Goolac e Só Milk)
Vonpar (leite Mu-Mu)

Como funciona o esquema:

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