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Maria Isabel Hammes: os respingos do calote argentino no Brasil

Montante de negócios bilaterais poderá ficar abaixo do registrado no ano passado

31/07/2014 | 22h28

Enquanto parte dos analistas espera, desta vez, solução mais rápida para o novo calote da Argentina, outros confiam que, agora, o Brasil passaria por esta crise com menos dificuldade.

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De janeiro a julho deste ano, as vendas de produtos brasileiros para os argentinos tiveram retração de 20%, e os negócios com os produtos do Prata para o Brasil também caíram. O comércio bilateral registrou cerca de US$ 14 bilhões no primeiro semestre, recuo relacionado à desaceleração da economia brasileira e ao quadro recessivo na Argentina. Consultoria especializada chegou a calcular que, dependendo do ritmo daqui para frente, o montante de negócios poderá ficar abaixo dos US$ 36 bilhões registrados no ano passado.

Tem gente que confia na possibilidade de não haver diminuições abruptas. Uma das apostas é que os mercados já vinham assimilando o problema, apesar de ainda haver tendência de alcançar um acordo. Assim, a probabilidade de que o Brasil e outros países latino-americanos sejam afetados ficaria reduzida.

O ministro Guido Mantega, da Fazenda, cumpre seu papel neste momento tenso. Para ele, não houve novo calote de dívida externa e a Argentina enfrentaria, na realidade, uma situação de "impasse" com os detentores dos títulos da dívida externa. Para Mantega, a situação pode ser classificada como sui generis, já que o governo Kirchner está sendo impedido de quitar credores pela Justiça dos EUA, mas existe brecha e margem de negociação. Mantega disse à imprensa ontem confiar na perspectiva de que instituições financeiras privadas comprem os títulos dos "abutres":

– Porém, com valores menores. Porque eles também estão jogando tudo ou nada. Mas, para eles, a negociação vale a pena.

Outra convicção de Mantega é de que o impacto para a economia verde-amarela, em um "primeiro momento", seria "nulo":

– Não tem impacto direto. Estamos falando de um segmento de mercado muito pequeno. Afeta, sim, a questão de futuras reestruturações de dívidas que venham a ser feitas pela Argentina, que segue com as commodities.

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