Desenvolvimento

Porto de Rio Grande deve instalar terminal exclusivo para o arroz

Projeto para investimento de R$ 25 milhões será apresentado ao governo do Estado durante a Expointer

28/07/2014 | 07h03
Porto de Rio Grande deve instalar terminal exclusivo para o arroz Fábio Gomes/Especial
Arrozeiros querem pegar carona na modernização do Porto Novo e ampliar espaço de embarque do grão Foto: Fábio Gomes / Especial

O porto de Rio Grande aguarda o sinal verde do governo do Estado para dar início à implementação de um terminal específico para o arroz. O projeto, que será apresentado ao governador Tarso Genro durante a Expointer 2014, traz a promessa de qualificar os embarques e desembarques do grão, além de abrir novos mercados e, finalmente, operar a exportação do produto ensacado. A instalação do novo terminal depende também da conclusão do primeiro lote da obra de modernização do cais do Porto Novo, que deve começar em cerca de três meses.

Para revitalizar os 1.125 metros de cais, o valor previsto é de R$ 97 milhões, já licitados. Além disso, devem ser aplicados R$ 25 milhões na construção do terminal arrozeiro, destinados a três armazéns e à compra de um shiploader (máquina para embarque de grãos nos navios). Ao longo dos 18 meses previstos para as obras no cais, a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) movimentará o arroz no complexo portuário Termasa-Tergrasa e em uma área da indústria Bianchini. O terminal arrozeiro deve ser erguido em uma área de um hectare que hoje é da Brigada Militar
e servirá para importação de arroz a granel e para exportação do produto ensacado, o que ainda não é feito em Rio Grande.

De acordo com o diretor técnico do porto, Leonardo Maurano, o espaço teria potencial para movimentar 3 mil toneladas de arroz por dia. Hoje, o volume é de até 2,3 mil toneladas.

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— O terminal pode abrir novos mercados para o arroz ensacado, como a África e Oriente Médio — explica Maurano.

Meta é reduzir custos do setor

De acordo com o porto de Rio Grande, a exportação de arroz no primeiro semestre deste ano aumentou 69,07% em relação ao mesmo período em 2013, de 185,9 mil toneladas para 314,3 mil. A explicação para o crescimento, aponta Maurano, é uma ampliação de 55% — em três anos — no espaço dos terminais para escoamento do grão, o que reforça o potencial e a necessidade de um terminal específico para o arroz. Atualmente, 20% dos grãos são carregados na Cesa e 80% nos terminais Termasa-Tergrasa, Bianchini e Tecon.

— Rio Grande tem investido na modernização de terminais, o que é fundamental em um país que não tem ligado muito para a infraestrutura. E esse novo terminal seria mais um deles — diz Paulo Menzel, presidente da Câmara Brasileira de Logística e Infraestrutura.

O grupo de trabalho que tenta implantar o terminal é coordenado pelo presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Claudio Pereira, e o investimento deve ser feito em parceria público-privada envolvendo a Superintendência do Porto, a Cesa e operadores portuários. De acordo com Pereira, o crescimento da produção e exportação de arroz criou desafios ao escoamento. Entre as vantagens, a agilidade no carregamento do cereal:

— Quanto mais tempo um navio fica atracado esperando, maiores são as tarifas. O terminal dará competitividade ao arroz produzido e industrializado no Estado.

Viagens de mais de 5 mil quilômetros para escoar pelo Sul

Enquanto os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) estão sendo engolidos pela falta de infraestrutura, o de Rio Grande tem a vantagem de não estar saturado. Boa parte desse diferencial é devido à política de agendamento de embarques e desembarques, adotada desde 2012. O bom fluxo motiva viagens de até 5 mil quilômetros, partindo de Estados como Mato Grosso para que as cargas sejam escoadas por Rio Grande.

— Em Santos e Paranaguá, os navios ficam esperando de 10 a 20 dias para atracar. O custo disso é exorbitante, pois a diária gira em torno de US$ 70 mil — avalia o presidente da Câmara Brasileira de Logística e Infraestrutura, Paulo Menzel.

Construir um terminal exclusivo para o arroz é uma medida interessante, diz Menzel, que também é vice-coordenador do Fórum de Infraestrutura e Logística da Agenda 2020, movimento que une empresas, entidades e instituições para propor soluções ao desenvolvimento do Rio Grande do Sul.

— É uma atitude que põe em jogo a capacidade atual de escoamento, o tipo, a frequência do que fazemos hoje. Isso estimula outras perguntas importantes para a melhoria da logística das exportações — diz Menzel.

O executivo, no entanto, alerta para a existência de falhas estratégicas em Rio Grande:

— A infraestrutura no país carece de planejamento a longo prazo, o que também se aplicaria a portos como o de Rio Grande. Não se sabe, por exemplo, os planos de ação do porto para os próximos 50 anos. Isso é importante para atrair investidores e estimular o desenvolvimento.

 

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