Rumo aos EUA

Filha de agricultores, jovem ganha bolsa de estudos em centro da Nasa por inventar tecnologia de irrigação

Mariana Vasconcelos, 23 anos, desenvolveu equipamento que cruza dados de calor, vento, sol e umidade para ajudar a definir água necessária em cada etapa do cultivo

09/06/2015 - 03h18min
Filha de agricultores, jovem ganha bolsa de estudos em centro da Nasa por inventar tecnologia de irrigação Agrosmart/Divulgação
Mariana, ao lado dos sócios Raphael (E) e Thales, ganhou bolsa de estudos na Califórnia (EUA) Foto: Agrosmart / Divulgação  

Um equipamento e um software que torna mais eficiente a irrigação e consome menos água vão levar a jovem Mariana Vasconcelos para uma temporada de três meses na Singularity University, centro de pesquisa ligado à Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa), na Califórnia.

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Filha de produtores rurais de Minas Gerais, Mariana conta que sempre lhe chamou a atenção a dificuldade na gestão da água no campo. E foi testando sensores de alta sensibilidade utilizados na meteorologia que ela desenvolveu um aparelho capaz de, ao cruzar dados de calor, vento, sol e umidade para ajudar a definir a água necessária em cada etapa do cultivo, garantir uma economia de 30% a 50% no consumo de água.

– Um dos desafios foi desenvolver algo resistente a sol, chuva, terra e agroquímicos. Testamos vários cases (caixa que embala a parte eletrônica e os sensores) e criamos um software que transmite as informações em tempo real da lavoura. Assim, o produtor pode acessar os dados por um celular conectado à internet – explica Mariana.

O sistema virou negócio com apoio de três sócios: Anderson Casimiro, Raphael Pizzi e Thales Nicoleti. Um dos diferencias do Agrosmart, detalha Mariana, é que o sistema alerta o produtor até mesmo para o risco de desenvolvimento de doenças ou pragas, identificando à qual delas a plantação está mais exposta.

A administradora de 23 anos diz que sempre gostou de novas tecnologias e, com origem e amigos no campo, resolveu empreender para criar seu negócio e ajudá-los.

O projeto do Agrosmart se consolidou após sete meses de pesquisas e testes. Foi só com os equipamentos já implantados em algumas propriedades que Mariana decidiu inscrever a tecnologia no prêmio Call to Innovation da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), que oferecia como prêmio uma bolsa de estudos no Exterior, ligada à Nasa. Com 500 inscritos, a 5ª edição do prêmio teve como foco destacar a melhor ideia para solucionar a crise da água com o uso de tecnologia.

Como 70% da água doce disponível é usada para irrigação na agricultura e grande parte é desperdiçada, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a invenção de Mariana se sobressaiu e foi o primeiro projeto voltado ao agronegócio a vencer a disputa.

– O aprendizado que ela terá será muito útil para pôr em prática o projeto, que busca resolver uma das piores crises hídricas do Brasil – diz Nathalie Trutmann, diretora de inovação da faculdade paulista.

As primeiras vendas do sistema, já usado em fazendas experimentais, devem ser fechadas neste mês.

Acredito que vou estar mais preparada para lidar com esse tipo de tecnologia exponencial, o que vai contribuir para a melhora do produto –  diz Mariana.

Entenda como funciona o sistema

A tecnologia: feito com sensores que são utilizados na meteorologia, o Agrosmart capta dados do solo, calor, vento e da umidade, entre outros.

O produto: acondicionado em compartimentos, os sensores resistem a intempéries e a defensivos. Interligados, transmitem dados por radiofrequência.

O uso: torres com sensores são instaladas em diferentes pontos, de onde coletam dados e os enviam via internet. O custo depende de itens como topografia e tamanho da área.

Os dados: o sistema manda ao produtor sugestão de onde deve ser aplicada mais ou menos água, entre outros dados úteis em diferentes etapas do cultivo.

 
 
 
 
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