Negócios

Expointer começa em meio a atmosfera de incertezas

Expectativa é de redução nas vendas, em razão da instabilidade econômica, e de manifestações do funcionalismo público

29/08/2015 - 06h11min
Expointer começa em meio a atmosfera de incertezas Diego Vara/Agencia RBS
Na pecuária estimativa é de bons negócios, puxados pela valorização da carne bovina Foto: Diego Vara / Agencia RBS  

A 38ª Expointer começa envolta em um ambiente pouco favorável para os negócios: juro salgado, crédito escasso, inflação alta e disparada do dólar às vésperas do plantio da safra de verão. O produtor que irá ao parque Assis Brasil neste ano levará apenas uma certeza: não é momento para comprar no impulso.

A insegurança não vem da agropecuária. Pelo contrário, os gaúchos colheram neste ano a maior safra de grãos da história, chegando a 32 milhões de toneladas, com rendimentos também recordes. Na pecuária, os preços há anos não alcançavam patamares tão altos.

Mas não é possível desassociar a produção primária da economia brasileira – mergulhada na pior crise da última década.

– Fomos o último setor a sentir os efeitos da instabilidade. Os custos subiram, e o produtor botou o pé no freio – diz Claudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado (Simers).

Com queda de 25% nas vendas em relação ao ano passado, 2015 teve o pior primeiro semestre no mercado interno desde 2009, auge da crise internacional. A retração faz a entidade projetar uma Expointer com volume de negócios 20% menor do que no ano passado, quando as propostas encaminhadas na feira somaram R$ 2,7 bilhões.

Mesmo com juro maior (veja quadro), Bier acredita que condições especiais para linhas de capital de giro e investimento, além de estratégias como barter (troca do grão pelos equipamentos), consórcio e show de máquinas, ajudarão nas vendas:

– Além de colheitadeiras e tratores, equipamentos para irrigação e armazenagem devem ajudar a puxar os negócios.

Melhores notícias são esperadas da pecuária, que vive uma fase de valorização de preços, reflexo da alta nas exportações nos últimos anos.

– Se as médias dos remates do Interior forem mantidas na Expointer, teremos resultados superiores aos do ano passado – analisa o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, lembrando o menor poder de compra dos brasileiros, principais consumidores dos produtos agrícolas.

Paralisações no radar

Se o ambiente econômico não ajuda, o político muito menos. A Expointer deverá ser palco de manifestações de servidores estaduais descontentes com o parcelamento de salários.

– A circunstância desta edição da feira é diferente, pois ocorre em um momento de apreensão – reconhece Ernani Polo, secretário estadual da Agricultura.

Eventuais paralisações do funcionalismo público não deverão comprometer o andamento da exposição, acredita Polo. O secretário aposta em variações positivas nos remates de bovinos e de equinos, e no pavilhão da agricultura familiar:

– Esses momentos de dificuldades, com custos maiores de produção, reforçam a importância da gestão da propriedade, em busca de uma eficiência cada vez maior.

TAXA DE JUROS

Moderfrota: 7,5% a 9% ao ano
PSI: 7,5% a 9,5% ao ano
Mais Alimentos: 2,5% a 5,5% ao ano

 
 
 
 
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