O Brasil realizou com êxito o 39º Congresso Mundial da Vinha e do Vinho, no final de outubro, em Bento Gonçalves. A evolução qualitativa que o setor vitivinícola brasileiro está vivenciando nas últimas décadas nos credenciou para chegarmos a este momento, e nos orgulharmos de nossa produção de vinhos, espumantes, suco de uva e demais produtos vitivinícolas. O Congresso no Brasil já entra para a história, não só por ser o primeiro realizado em casa, mas por ter resultado na aprovação dos princípios para uma vitivinicultura sustentável e para a qualificação na formação de enólogos. Entre as 16 resoluções aprovadas, muitas de caráter técnico, destacamos a permissão de práticas enológicas para redução em mais de 20% no teor de álcool, seguindo a tendência mundial de diminuição no índice alcoólico nas bebidas. Também merece citação o número de participantes, 536, de 32 nacionalidades, e a apresentação de 351 trabalhos nas áreas de viticultura, enologia, economia e direito e segurança e saúde.
Os últimos anos foram profícuos na organização do setor, eliminando divergências internas, nos permitindo maior desenvolvimento, não apenas produtivo e qualitativo, mas também no ordenamento jurídico setorial, com a atualização de leis, decretos e regulamentos que permitem maior clareza e segurança para os produtores e consumidores.
- Estamos fazendo esforço conjunto - produtores, pesquisadores, instituições e governos - na investigação e experimentação, na busca pelas melhores aptidões vitivinícolas do imenso e diverso território brasileiro, configurando dezenas de regiões vitivinícolas, com seus diferentes produtos e terroirs - ressalta o presidente do Ibravin, Dirceu Scottá.
Temos um mercado consumidor que nos permite crescer, qualificar, desenvolver, apresentar novos produtos, descobrir novas regiões. Mas há um desafio para o futuro: elevar a atual condição de consumo de vinho, que é de cerca de dois litros per capita/ano para quatro, cinco, quem sabe até mais, nos próximos anos. Para isso, temos desafios a superar. Para sermos mais competitivos, é necessário ampliar a cultura do vinho, mas principalmente desonerar a produção, que com altos impostos, consequência de uma estrutura tributária complexa e até perversa, onera a produção e penaliza empresários e consumidores. Somos também um país com dimensões continentais, que nos impõem custos logísticos que muitas vezes são difíceis de serem superados.
Entretanto, mesmo com dificuldades, que sempre se apresentaram como desafios, acreditamos no que fazemos e confiamos em um futuro pleno para a vitivinicultura brasileira, e no grande potencial de ampliação de nossa participação, tanto no mercado local quanto mundial, com produtos cada vez melhores e mais característicos de sua origem.
A realização do congresso da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) no Brasil foi possível em função da participação e engajamento de diversas instituições: Ministério da Agricultura, Embrapa, Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, prefeitura de Bento Gonçalves e Instituto Brasileiro do Vinho.
Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin)
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