Crowdfunding permite que o próprio público financie projetos artísticos

Espetáculo "Pulp Dance" está em cartaz na Capital

28/05/2011 - 09h25min
Crowdfunding permite que o próprio público financie projetos artísticos Genaro Joner/
Em cartaz na Capital, espetáculo "Pulp Dance" foi realizado via crowdfunding Foto: Genaro Joner  

Você tem um bela ideia para um espetáculo/obra/evento, mas não tem dinheiro para tirar o projeto do papel? Que tal pedir uma ajudinha para o público? O crowdfunding (termo usado para enquadrar projetos de financiamento colaborativo, em uma tradução literal) é uma espécie de vaquinha:quem tem um projeto artístico, seja um livro, uma peça, um show, pode tentar a sorte e pedir para que o público literalmente "pague para ver".

A iniciativa facilita a realização de projetos nos mais diversos segmentos - é possível pagar o cachê de um artista para que ele toque em sua cidade, é possível financiar trabalhos de fotografia ou de reportagem, de arquitetura, enfim, oferecer todas as suas boas ideias para serem financiadas. Na Capital, o modelo de microfinanciamento ganhou prestígio na forma do site Catarse.me, e o primeiro espetáculo de dança pago pelo público por meio do website estreia neste fim de semana.

Pulp Dance, em cartaz até amanhã no Teatro de Câmara Túlio Piva (confira detalhes no Roteiro da Agenda Guia da Semana), foi idealizado pela coreógrafa Juliana Vicari. Inspirada por entrevistas e pela filmografia de Quentin Tarantino, ela criou um espetáculo que brinca com referências do universo pop do cineasta.

- Tem uma entrevista em que ele diz que, muitas vezes, pensa em uma música como base para escrever uma cena. Pensei: "Quer coisa melhor do que isso?". Porque é assim que funciona com a dança - diz Juliana.

A interação com o crowdfunding veio após contato com Daniel Weinmann, um dos idealizadores do Catarse.me, que procurava propostas em áreas diversas para lançar o site. Ele já havia fechado com interessados em verba para projetos de arquitetura, música e literatura - faltava um projeto em dança ou teatro para completar o rol de propostas culturais para microfinanciamento.

Juliana aceitou e estipulou uma meta de R$ 4 mil. O dinheiro, segundo a coreógrafa, iria "qualificar" o espetáculo, que já tinha apoio da Coordenação de Dança da Secretaria Municipal da Cultura, com iluminação, aparato de divulgação e elementos cenográficos. Para pleitear o financiamento por parte do público, ela e o elenco de 18 bailarinos gravaram um vídeo apresentando a proposta ("Era uma coisa bem caseira").

O espaço de tempo aberto às doações coincidiu com as férias e o Carnaval, quando os doadores quase sumiram. Apesar da apreensão, o apoio ultrapassou o estipulado (R$ 4.580), com 105 apoiadores, inclusive de fora do Rio Grande do Sul.

- Teve gente do Rio e de São Paulo apoiando, mesmo sem poder vir assistir - comemora a coreógrafa.

A divulgação foi feita por redes sociais, com a postagem de vídeos e o incentivo para que amigos, familiares e admiradores da arte em geral doassem. Por vezes, um grupo de doadores assiste aos ensaios. Diz Juliana:

- Quero reunir todos os doadores e abraçar todo mundo!


Como funciona

> Para cada projeto aberto para apoio no modelo de crowdfunding, há faixas de doação. Para cada valor, é atribuída uma recompensa.

> No caso de espetáculos, podem ser camisetas, ingressos, o direito de assistir aos ensaios, uma participação especial no espetáculo ou um pocket show.

 

Outras iniciativas de crowdfunding

CINEMA EM REDE

A iniciativa (cinemaemrede.wordpress.com) da gaúcha Zapata Filmes quer integrar cineastas e realizadores audiovisuais independentes para que, com o apoio das redes sociais, seja criada uma cadeia de colaboração para financiamento cinematográfico, no Brasil e na América Latina.


A VACA

Tati Bernardi, roteirista do seriado Aline e do programa Amor e Sexo, utilizou o site Vakinha (vakinha.com.br) para arrecadar fundos para escrever seu primeiro livro, chamado oportunamente de A Vaca. O projeto está em elaboração, e os doadores contribuem com suas histórias para a obra.


SPOT.US

Projeto (http://spot.us) que financia trabalhos em jornalismo. Doadores podem escolher entre ideias de reportagem que falem do local em que vivem ou de temas que lhes interessem. As doações são dedutíveis do imposto de renda. Em inglês.


QUEREMOS

O site queremos.com.br, que já trouxe ao Brasil as bandas The National e Belle and Sebastian, divide por uma fatia do público o valor necessário para a produção do show, garantido com a compra de todos os lotes. Atingida a meta, os doadores podem ser reembolsados com a renda da bilheteria.


JESUS

O clipe da banda carioca Ganeshas é o primeiro projeto financiado pelo site movere.me. A produção foi rodada em uma escola na Gávea, com a figuração dos doadores, que levantaram R$ 1.290, ultrapassando a meta em 29%. O clipe será lançado no dia 5 de junho.

 
 
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