Voos de maio

Instalação de instrumento antinevoeiro no Salgado Filho gera divergências entre especialistas de segurança aeronáutica

Plano da Infraero de implantar ILS 2 tem apoios e restrições

03/05/2012 | 02h54
Instalação de instrumento antinevoeiro no Salgado Filho gera divergências entre especialistas de segurança aeronáutica Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Com o terminal fechado entre 4h e 10h, passageiros enfretaram 11 cancelamentos de voos e 32 atrasos Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
A intenção da Infraero de instalar o equipamento antinevoeiro ILS categoria 2 na atual pista do aeroporto Salgado Filho, considerada curta e com obstáculos à volta, gerou divergências entre especialistas de segurança aeronáutica.

A polêmica se robusteceu na manhã de quarta-feira, quando um nevoeiro provocou o fechamento do terminal, das 4h às 10h, cancelando 11 voos e atrasando outros 32. Nesta quinta, o terminal opera normalmente, conforme a Infraero.

É controverso o plano do superintendente do aeroporto, Jorge Herdina, de implantar o ILS 2 (sistema de pouso por instrumentos) mesmo sem a ampliação da pista. O presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Voo, Jorge Botelho, observa que somente a Aeronáutica pode autorizar.

Para o diretor de segurança de voos do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Carlos Camacho, é imprescindível a intervenção do Departamento de Controle do Espaço Aéreo.

Procurada, a assessoria de imprensa da Aeronáutica informa que se manifestará nos próximo dias. Camacho lembra que a pista do Salgado Filho tem barreiras no entorno, como o trensurb.

Ex-comandante da Varig e instrutor da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da PUCRS, Claudio Scherer entende ser conveniente esperar pela ampliação da pista, de 2,28 mil metros, para 3,2 mil:

— A situação no entorno da cabeceira de pouso não oferece condições.

Os obstáculos ao redor da pista – trensurb, viadutos, BR-116, Avenida dos Estados e valas na aérea do aeroporto – poderiam causar desorientação nos instrumentos automáticos das aeronaves, durante pousos com nevoeiro.

No entanto, o professor do Departamento de Engenharia Aeronáutica da Universidade de São Paulo (USP), James Waterhouse, considera positivo substituir o ILS 1 pelo categoria 2.

— A pista não é comprida, nem curta. Quando baixa o nevoeiro, o ILS 1 não dá conta — ressalta.

Waterhouse pondera que o ILS 2 não é a solução completa. O aeroporto Afonso Pena, de Curitiba, dispõe do ILS 2 mas fechou por 88 horas no primeiro semestre de 2011. Se o Salgado Filho já contasse ontem com ILS 2, estaria aberto para operação uma hora antes, o que resultaria em menos transtornos para os passageiros.
 
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